Um encontro como poucos
Há muito aprecio a voz de Teresa Salgueiro. Aliás, o Madredeus talvez tenha sido o único grupo português contemporâneo a furar o bloqueio de lá pra cá que parece haver entre as nossas fronteiras e garantir um lugar no coração dos brasileiros. Ainda falta muito para a balança musical entre os dois países se equilibrar... Só vou acreditar mesmo quando ver o Jorge Palma bombando por aqui.
Mas eu falava de Teresa e de sua singeleza, que não por acaso é uma rima. Há outras: beleza (da voz e da figura), pureza (do timbre), sutileza (do estilo)... Portanto, quando me disseram que o Josep Carreras, de quem sou uma assumida e orgulhosíssima fã de carteirinha há anos e anos e anos, tinha ficado encantado com sua voz e iria cantar com ela, achei perfeitamente natural.
O encontro dos dois no cd "Energia", de Carreras, e em outros momentos celebrados e ao vivo, é pura emoção. A canção "Haja o que houver", que me encantou quando foi incluída na felicíssima trilha sonora da mini-série "Os Maias", ficou perfeita em dueto e contracanto. É um momento para recolher ao fundo da alma, fechar os olhos e simplesmente sentir. Parece mais um carinho terno, delicado, de uma doçura impressionante. Carreras, sempre brilhante nos pianíssimos, empresta à sua voz um calor único, que emoldura como um abraço o cristal por onde respira o timbre de Teresa.
Apesar de os duetos em "Haja o que houver" e "Manhã de Carnaval" terem sido gravados já há algum tempo, são mais que atuais. Aqui combino a minha já eterna fase portuguesa com a paixão por Carreras; e na hora de decidir em que blog iria falar disto - no "Portugal, Portugal" ou no blog dedicado a Josep Carreras - escolhi mesmo ficar em terras (perdão, letras) lusas. Muito pelo esplendor dessa canção, que transborda nostalgia e aquele sentir tão longínguo e fundo que é a cara dos portugueses e faz parte da herança que nos legaram. E também por Josep Carreras cantar em português, o que sem dúvida para ele é uma façanha, em que pese a proximidade ibérica, mas que realiza com a maior das honestidades.
Na impossibilidade de postar aqui as canções, deixo na seção de vídeos o vídeo-clip de "Haja o que houver" - além de incluir os dois duetos no player ao lado, dedicado ao Jorge Palma. O Jorge, além de ser um grande artista, tem um coração enorme e ficará feliz em abrigar essas maravilhas, para deleite de todos que por aqui passem.
Ave, Teresa Salgueiro!
Ave, Josep Carreras!


1 comentários:
"Estendemos as mãos como ramos nus
atravessando o rigor líquido da noite
abrimos os livros, os mapas, os olhos
mas as entrelinhas estão há muito desabitadas"
Vasco Gato
(n sei pq mas apetece-me poemar poemas dos outros)...deve ser da lembrança dessa magnífica música da Teresa
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