terça-feira, 12 de junho de 2007

PALMA

Falar de ti me é sempre novo. Vou ficar no agora, mesmo que ao fundo ouçam-se acordes da história que a tua música em mim já vinha escrevendo há algum tempo. Neste momento é diferente. Tu és o agora em tons perfeitos, com a sonoridade do tempo já. E as cores também.
Agora me falas outras línguas, ora suaves ora vibrantes, idiomas secretos bem guardados nas notas que seriam as mesmas, mas tu as transfiguras até ficarem intraduzíveis, compreensíveis apenas nos tecidos mais profundos da epiderme da alma.
(Quantas camadas terá? Alguém saberia dizer?)
Vais fundo, sempre mais, e eu resisto; agüento o fluxo das ondas desse mar de lembranças e certezas, claro que só ele me conhece e só ele sabe quem sou... ou melhor, antes era assim, agora tu sabes. E como quem tem asas nas mãos, arrancas as notas do chão, do chapéu, do coração, e eu perdida sobre as teclas do piano, uma montanha russa de sons a atirar-me no espaço, entre o rugir de um leão e o choro de um palhaço...
Vejo-te no agora, em tons de verdade. Transpareces por trás dos sons, um homem capaz de muitas proezas, de sorrir franco e contar histórias, de sonhar e aveludar a noite que chega, e de ouvir, ouvir, ouvir, a desdobrar o tempo sem cautela. Com uma vocação imensa para viver com suas almas em guerra, ser mesmo quem é, subir às estrelas que sempre soube ver, com os olhos fundos e doces do coração. No agora-sempre és inteiro e farto como as veias do teu talento. No peito tem lugar para muita gente, e sempre mais. Sinto-me bem abrigada no lado certo da noite estrelada que me ofereces como um poema, salpicada de tuas aventuras e uns sonhos em bom estado, prontos a usar. E agradeço-te só por existir.

3 comentários:

Sombr|A|rredia disse...

"Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir
o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde fomos
um para o outro
vividos."


Mário Cesariny

Orlando Gonçalves disse...

Perfeita a descrição,sabes captar a essência das pessoas e quanto ao Jorge ele é tal e qual assim, ele só por existir faz com que os poemas cantados e musicados por ele façam ainda mais sentido á vida.

isabel disse...

é

só por existir

ps: muito sol, muitooooooooooo

beijo grande amiga