sexta-feira, 2 de maio de 2008

Palmas, palmas...

Vicente Palma ao piano, em Odemira
Foto: Blogue Palmaniaco


No encarte do cd "Tempo dos Assassinos", gravação histórica de uma série de três espetáculos de Jorge Palma no Teatro Villaret, nos dias 21, 22 e 23 de junho de 2002, há uma frase emblemática em meio aos agradecimentos: Bem-vindo, Vicente! A temporada do Villaret marcava a iniciação do filho Vicente Palma, então com seus 19 anos, na condição de músico da banda do pai.
Hoje, em pleno voo diurno, Vicente tem despontado com suas genuínas qualidades e talentos, tanto nos primeiros trabalhos solo como em duetos cada vez mais celebrados com um orgulhoso pai. Os momentos em que o filho está ao piano e o pai na guitarra, em particular, têm emocionado palmaniacos de várias safras, segundo me relatam.
Conheci o Vicente em Coimbra, durante um jantar com a produção. Chegou junto com o irmão Francisco, doze anos. Os dois circundaram a longa mesa para cumprimentar um a um todos os músicos, como elegantes cavalheiros - e beijaram as senhoras! Fiquei encantada no ato, e mais ainda ao observar, algum tempo depois, os dois irmãos juntos. Vicente e Francisco são cúmplices e brincam, literalmente, como se fossem ambos crianças, em determinados momentos. Mas a atitude protetora e carinhosa do mais velho se enuncia o tempo todo, coisa bonita de se ver.
Vicente não é, em absoluto, um menino: tem autonomia no palco, uma voz clara e forte, parecidíssima com a do pai e, ainda assim, bem sua. É claro que para os pais os filhos são sempre crianças, mas, entre ele e Jorge Palma, a coisa é mesmo de homem pra homem - com carinho de pai e filho. Os dois se entendem muito bem musicalmente, e o abraço do final sempre mostra que a ternura anda lado a lado com a partitura.
Soube pelo meu amigo Tiago Branco - a quem devo a felicidade de ter conhecido Jorge Palma, nunca me canso de dizer - que, no recente concerto de Setúbal, os dois arrebentaram. Calma, gente; no atual jargão da nossa juventude brasileira, arrebentar quer dizer mandar muito bem, arrasar geral, bombar... Tudo bem, sem querer confundir ainda mais, arrebentar equivale a dar um verdadeiro show de talento e beleza.
Aplaudo e acredito. Pelo pouco que vi no ano passado, sinto a força do Vicente Palma, que mesmo estando ao lado do grande Jorge Palma, seu pai, sabe ser ele mesmo. Sinto que viverá sua própria vida com o talento que está nas veias, o sangue afinal sempre fala muito. Gosto de ver o carinho e o cuidado que sempre demonstra com o pai, a amizade, a cumplicidade artística - atitudes que cultiva e que deixam transparecer a educação esmerada. Berço é berço, afinal!
Vicente Palma é um nome forte. Felizmente a rigorosa (e fabulosa!) lei onomástica portuguesa livrou-o de se chamar Castor, o nome escolhido pelo pai, que depois virou apelido e acabou imortalizado na doce canção de mesmo nome, com a qual Jorge Palma celebrou regiamente o filho recém-nascido - com direito ao chorinho real da criança, um charme a mais na gravação original.
Não direi que Vicente segue os passos do pai porque os pais sempre influenciam, de alguma forma, as escolhas dos filhos, seja na mesma direção ou em sentidos diametralmente opostos. Acho, antes, que aprendem juntos e caminham juntos de muitas formas, mas sabem perfeitamente dar um ao outro o espaço necessário para viverem intensamente os seus melhores sonhos e talentos.
Palmas, Palmas... palmas pra eles, sempre!

7 comentários:

bruno cunha disse...

olá!
pois, tenho andado mt ocupado, sem tempo para blogues...
mas tinha de postar aqui, sobre o vicente!
ele tem uma versão incrível (piano e voz, apenas) da música Para Rosália, no disco de tributo a Adriano Correia de Oliveira.
tens de ouvir!

Sombr|A|rredia disse...

Será sem dúvid,mais outro grande embaixador da música portuguesa :)
Palmas....Palmas sim mas de luz pra ele :)

Anônimo disse...

E não me parece que o Villaret tenha sido a estreia de Vicente, antes, no ano anterior ao Villaret, o Vicente deu uma 'mão' no concerto do Palma na Festa do Avante, um concerto um pouco para esquecer

Maurette disse...

Caro Anónimo,

Obrigada pela informação, que só um fã dedicado poderia ter e compartilhar. Pensei mesmo que a estréia tivesse sido no Villaret, "oficializada" que foi no encarte do disco. De todo modo, o Vicente cresce, não é?
Agradeço e espero que me dê sempre o prazer da visita!

Maurette

Anônimo disse...

Foi em 2001 cara Maurette a estreia do Vicente com o pai numa festa do Avante, como tinha a certeza disso (porque estava lá) fui à procura e encontrei. Está na pagina marginal, 9 de Setembro de 2001...
http://www.jorgepalma.web.pt/noticias_2001.htm

E o prazer de passar por aqui é todo meu

Anônimo disse...

E nunca tive grande gosto em ouvir o Vicente embora concorde que está bem melhor, mas é apenas a minha opinião, assim como acho que seria perfeitamente dispensavel o JP cantar as canções do Carlos Tê, muito especialmente a valsa do homem carente... o Jorge não precisa disso

Maurette disse...

Tá certo, sei que não te entusiasmas muito com o Vicente :)), mas penso que com o tempo e o esforço dele, que é notório, ainda tem espaço para crescer... E não sei se estiveste presente num concerto recente em que esteve ao piano e o pai à guitarra; disseram-me que foi um momento muito bonito.
Farei um novo comentário sobre a (verdadeira) estréia do Vicente.
Quanto ao Carlos Tê, tampouco sou grande fã, mas acho que foi feliz na letra de "Vermelho Redundante", que tem passagens muito criativas, como "vermelho redundante que empalidece a bandeira", por exemplo, ou "soneto de alta costura". Acho que o que atrai o Jorge à "Valsa dum homem carente" é aquele dedilhado ao piano que faz no início... ele gosta de brincar com as teclas assim. Claro que não precisa, imagina, não precisa mesmo de nada... basta existir pra gente gostar dele. E quando senta-se ao piano, aí então é festa! :)))
Abraço!