<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728</id><updated>2011-07-07T20:39:10.048-03:00</updated><title type='text'>Portugal, Portugal...                   de novo!</title><subtitle type='html'>2009, meu segundo Portugal. Visita de parente, de ir fundo, de contar as pedras das calçadas, os detalhes, de amar simplesmente as pessoas, os gostos, os cheiros, aquilo que se quer lembrar... e guardar no coração.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>67</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-7409373713420252177</id><published>2009-07-18T20:13:00.003-03:00</published><updated>2009-07-18T21:45:31.220-03:00</updated><title type='text'>É abril e ganhei um cravo de lã!</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;26 de abril de 2009... o cheiro de Lisboa de novo, após uma histórica noite mal dormida no querido - embora apertado - avião da TAP. Sou boa de poltrona, mas dessa vez foi duro de verdade. A aeronave era mais moderna que a de dois anos atrás; tinha até tela exclusiva de cinema na minha frente, mas... ai! Minhas pernas não cabiam direito em nenhuma das alternativas disponíveis para eu me situar no espaço da poltrona. O resultado foi uma sucessão de cochilos sem-vergonha, mas aquele sono gostoso, que relaxa e descansa, não chegou mesmo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Mas havia Lisboa à minha espera, e tudo valia a pena.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Amália&lt;/em&gt;, o filme, foi o presente da noite, na tal telinha exclusiva. Excelente, dramático, forte. Como é que arrumaram uma atriz tão boa e tão parecida com a Amália, eu não sei. Mas entre os fados, a bela fotografia e a produção de primeira, aprendi mais um pouco sobre aquela mulher tão extraordinária e tão capaz de, de fato, encarnar o seu país.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Em terras firmes lusitanas, manhã já alta, espera longa na fila para pegar as malinhas gêmeas, azuis e com seis rodinhas, que comprei especialmente para a aventura européia 2009. Numa delas amarrei o cravo de lã que, em homenagem ao 25 de abril, a companhia aérea me enviou junto com a passagem. Minha mala média, vermelha, tinha sido parte da fatura dos meus pecados em 2007; parecia crescer a cada trecho da viagem. Era insuportável trafegá-la de um lado para o outro! As pequenas, então, prometiam.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;E cumpriram: andavam sozinhas ao meu lado, eretíssimas, sem que eu tivesse de fazer esforço algum além de empurrar o suporte. Pena que a linda bolsa de mão, com a frente toda em camadas de couro bege, escorregasse sempre do meu ombro e vivesse às turras com a mochila do laptop... paciência. Quem tem alma de retirante nunca perde a trambolhagem...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Quando finalmente assomei à porta de saída, a Vera estava à beira de uma síncope. E por culpa minha, tal o medo - que lhe infundi - de que pudesse vir a cair nas garras desavisadas da xenofobia que tem acometido as alfândegas européias, e da qual os brasileiros têm sido alvos fáceis. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Claro que tinha tudo o que o chamado "espaço Schengen" exige para alguém entrar lá: mínimo de 40 euros para cada dia de viagem, seguro-saúde, endereço fixo (o dela), termo de responsabilidade (assinado por ela) ... mas nunca se sabe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;A longa, desconfortável e sinuosa fila de espera para passar pela Imigração parecia não ter fim: todos de pé por horas, crianças, idosos, deficientes, mulheres grávidas. Dentro da mais perfeita lógica portuguesa, todos os aviões procedentes do Brasil e da África - e são incontáveis! - chegam rigorosamente no mesmo horário. Os passageiros, obviamente, são uma enormidade em relação ao número de atendentes. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Do meu lado vi uma criança de uns nove, dez anos, empalidecer progressivamente, até que a mãe gritou e a família foi resgatada da fila para um atendimento especial. Foi então que vislumbrei uma moça gravidíssima e avisei a atendendente, que tomou providências.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Foi o primeiro momento em que atentei para um tema do qual tratarei mais amiúde por aqui: a síndrome de &lt;em&gt;primeiromundismo&lt;/em&gt; que acomete muitos brasileiros que fazem questão de diminuir a terra-mãe. Se aqui no Brasil até em supermercado tem fila para "idosos, gestantes, pessoas com necessidades especiais", por que é que na Imigração portuguesa não tem? Pois acreditem, não tem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Vera chorou de alívio ao me ver. Vera é um delicioso paradoxo de gente: despachada, decidida, prática, resolvida... mas chora quando abraça uma velha amiga. Adoro isto! Adoro tê-la de volta em minha vida e poder retornar, de vez em quando, àquele mundo que construiu com a dedicação típica do seu caráter e talento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;No caminho de casa, foi me atualizando sobre tudo e todos. Pouco mais tarde, teria um delicioso primeiro dia da velha rotina do bairro de Santos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Mas isto conto outro dia. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-7409373713420252177?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/7409373713420252177/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=7409373713420252177' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7409373713420252177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7409373713420252177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2009/07/e-abril-e-ganhei-um-cravo-de-la.html' title='É abril e ganhei um cravo de lã!'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5334667358534346429</id><published>2009-02-19T12:44:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T12:55:07.695-03:00</updated><title type='text'>Meu novo ídolo</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pessoal, quero que conheçam o meu novo ídolo: Bruno Aleixo, o personagem de humor que está revolucionando o gênero em Portugal e por aqui também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Criado pelo trio de jovens humoristas João Moreira, Pedro Santo e João Pombeiro, o Aleixo é uma crítica contundente às paranóias urbanas e à xenofobia. Mal-humorado, politicamente incorreto, Bruno a plêiade de personagens que o acompanham é uma prova da vitalidade cultural de uma garotada que, longe de ser alienada, está ligadíssima nas transformações que o nosso mundo exige.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Deixo aqui um dos capítulos da série "Bruno Aleixo na Escola", que mostra que a criaturinha já era fogo na roupa desde a infância. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Bruno Aleixo tornou-se um must a ponto de ganhar um programa só seu, na emissora portuguesa Sic Radical, dedicada ao público jovem. De um começo tímido na internet, com uma história propositadamente obscura e cheia de lacunas, Bruno é dado a conhecer pela série "Os conselhos que vos deixo", presumidamente póstuma; pouco tempo depois, com a série "As mensagens que deixo pra você", gravadas diretamente do Rio de Janeiro, dá-se a entender (como sempre, tudo tem uma nebulosidade calculada e interessante) que ele teria simulado sua morte e fugido para o Rio de Janeiro.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;(Explica-se: um dos autores, João Moreira, é filho de uma brasileira, tem família por aqui e curte o nosso clima).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mais tarde, ao ganhar o seu programa, Bruno aparece de cara nova e, em conversa com seu amigo Busto (um busto falante de Napoleão, hilariante), afirma que "teve problemas com uns americanos, o George e o Lukas", embora o Busto insista em que ele teria feito uma cirurgia para mudar a cara por causa de um queixo duplo. Na verdade, em suas primeiras versões, o Bruno - que não se sabe se é bicho, gente, mutante ou o quê - foi caracterizado como um "ewok". Por isso é que o George e o Lukas ficaram bravos (leia-se o diretor americano George Lukas, criador e detentor dos direitos da série "Guerra nas Estrelas").&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Vejam com seus próprios olhos quem é o Bruno Aleixo! E sintam a força do renovador humor português!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OIUnePO1ASQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/OIUnePO1ASQ&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5334667358534346429?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5334667358534346429/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5334667358534346429' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5334667358534346429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5334667358534346429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2009/02/meu-novo-idolo.html' title='Meu novo ídolo'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1080603522894745087</id><published>2008-12-25T13:32:00.006-02:00</published><updated>2008-12-26T22:29:59.321-02:00</updated><title type='text'>Portugal no Natal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVOnyz5WjdI/AAAAAAAAAq0/qsgTa-3_OH0/s1600-h/Natal-Portugal-2.png"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283751279201783250" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 235px; cursor: pointer; height: 320px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVOnyz5WjdI/AAAAAAAAAq0/qsgTa-3_OH0/s320/Natal-Portugal-2.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Ah, se Belém fosse em Portugal... &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;(cartão-postal tomado emprestado do blog &lt;a href="http://aldeia-de-gralhas.neufblog.com/"&gt;Aldeia de Gralhas&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Minha amiga Vera Matagueira, brasileira e carioca, emigrou pra terrinha faz quase meio século e diz que não pode mais imaginar um Natal no calor. É... pra quem passou a vida colocando algodão nos galhos da árvore de Natal para imitar neve, como é o meu caso, a idéia de um Natal no Pólo Norte parece algo distante, ainda que as imagens façam parte do todo da memória natalina.&lt;br /&gt;Em Lisboa, meu amigo Tiago Videira sente frio; o aquecimento central do moderno prédio onde mora está preso em intermináveis obras e o miúdo, que é magrinho, afunda-se em agasalhos e mantém um aquecedorzinho doméstico aos pés. O Ramiro, que além de amigo é meu mais recente parceiro literário, foi passar as festas em Avis, sua terra natal plena de tradições.&lt;br /&gt;Teresa, uma portuguesa arretada (se é que isso existe) que vive aqui há mais de 30 anos, ainda faz Bolo Rei com prenda e tudo, enquanto em Portugal, o excesso de zelo da fiscalização sanitária proíbe oficialmente a tradição. Ramiro, aborrecido com esses desmandos politicamente corretos, afirma que o famoso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;leitão à Bairrada &lt;/span&gt;também anda "proibido" pelos mesmos motivos.&lt;br /&gt;Uma das coisas que mais me encantam no Portugal "de dentro", aquele das estradas vicinais estreitas que margeiam delicados olivais, é a capacidade de parar o tempo. Recorda-me aqueles livros antigos, com desenhos a bico-de-pena de pastores, ovelhas e crianças de calções com suspensórios e meninas de lencinho na cabeça, exatamente como os do postal acima. Adoro isso; num território relativamente pequeno é possível estar entre o ano 300 a.C e o século 21. Os lugares são bonitos, a gente é doce e sincera na maior parte, é uma estranha sensação de estar em casa sem estar.&lt;br /&gt;Não conheço o Natal português, mas sei que não tem castanhas; essas estão reservadas para o dia de São Valentim (perdão, Cris, São Martinho). Sei também que a mesa é farta e bem posta, com muitas cores e segredos culinários que normalmente não conhecemos. E que as tradições católicas da nossa infância ainda ocupam lugar de destaque em muitas partes.&lt;br /&gt;Não vi as vitrines, mas sei que há uma árvore prima-irmã da nossa - a da Lagoa, que tanto faz sonhar. Registre-se aqui que a tecnologia é importada do Brasil, mas afinal, grande parte do sangue é o mesmo, apesar de sermos nós os campeões da miscigenação que dá cor e sabor à nossa vida.&lt;br /&gt;Sei que a Cris, em Figueira da Foz, a Soraia e o Tiago no Porto, o Pedro em Braga, a Silvia em Guimarães - e em Lisboa o Jorge e a Rita, o Vicente e o Francisco, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;a Paula, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;o Marco, a Vera Matagueira, o Faria e a Sandra, a Ana, a Carla, a Isabel, o Orlando, o Nuno, o Tiago Videira, a Vera Silva, o João Paulo com a esposa e a filha, a Milocas e o João, estão todos curtindo hoje o chamado "enterro dos ossos" - o almoço do dia 25, onde a ceia da véspera ainda reina absoluta. Já em Portugal as sobras do dia seguinte atendem pelo nome de "roupa velha".&lt;br /&gt;Daqui do calor e apesar das chuvas, mando o meu mais caloroso abraço a Portugal e aos lusos que mandam no meu coração, no Natal. Queira Deus que em 2009 eu possa estar por lá mais uma vez!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1080603522894745087?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1080603522894745087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1080603522894745087' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1080603522894745087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1080603522894745087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/12/portugal-no-natal.html' title='Portugal no Natal'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SVOnyz5WjdI/AAAAAAAAAq0/qsgTa-3_OH0/s72-c/Natal-Portugal-2.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5311281054002364</id><published>2008-12-07T23:18:00.003-02:00</published><updated>2008-12-07T23:23:29.480-02:00</updated><title type='text'>Meu caro Jorge (que ano!!!)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STx2WQCMsPI/AAAAAAAAAqY/nzTqWtModeY/s1600-h/dvd-JP.png"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 316px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STx2WQCMsPI/AAAAAAAAAqY/nzTqWtModeY/s320/dvd-JP.png" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277222988004765938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Capa do DVD de Jorge Palma - Cortesia: Blogue Palmaníaco&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Como tão bem diz o João Pedro Pais em sua música-homenagem, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu caro Jorge (Palma)&lt;/span&gt;, que integra o cd "A Palma e a mão" e dá título a este post, o cavalheiro aí em cima tem mesmo uma força desmedida. Força na presença, na atitude, na maneira de ser. E, claro, nas muitas canções que parecem ter sido feitas para acompanhar a nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, posso dizer que chequei quase há pouco, se pensarmos nos 30 e tal anos de carreira do Jorge Palma. Costumo brincar (e ele dá boas risadas!) que "me deve 30 anos", pelo menos, de presença no meu imaginário. Tento recuperar, claro, mas nem tudo o que é vivido "depois" terá o mesmo sabor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o nosso Jorge Palma, que bom!, teve um 2008 incrível. Com o "Encosta-te a Mim" bombando, trabalhou como nunca, fez zilhões de concertos Portugal afora, gravou seu primeiro dvd, conquistou o Globo de Ouro português como melhor intérprete individual, lotou Coliseus e Campos Pequenos que são enormes (coisas de Portugal, claro). E há poucos dias casou com a Rita em Las Vegas, com as bênçãos de Elvis Presley! Quer melhor, em se tratando do Bob Dylan português???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois tem mais. No último dia 4, foi lançada sua primeira biografia em livro, de autoria do jornalista João Pedro Teixeira. Digo em livro porque na Wikipédia já existia uma brilhante cronologia escrita pelo musicólogo Tiago Videira, que analisou a fundo a obra jorgepalmiana depois de quase um ano de entrevistas e acompanhamento de suas turnês regionais, numa não menos brilhante monografia (ainda inédita) de conclusão de curso intitulada "Jorge Palma, um artista marginal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova biografia tem, como um bônus especial, um interessante mergulho familiar que passa pelo meu país, o Brasil, e que nunca tinha antes sido mencionado. Jorge Palma tem quatro irmãos que vivem aqui: os dois mais velhos nasceram em Portugal, mas os dois mais jovens são brasileiros mesmo. O pai emigrou para cá na década de 70 com a segunda mulher, Teresa - por sinal grande amiga do Jorge de toda a vida - e os dois filhos então pequenos, Maria João e Miguel. Anos depois casou-se pela terceira vez, com a brasileira Leila - e teve mais dois filhos, Mário Gustavo e Laura. Quase todos os irmãos Palma vivem no Estado do Rio, em Saquarema e Campos, com exceção de Maria João, que ao casar-se foi viver em Caxias do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ano de Jorge, rico em sucesso, experiências novas e mudanças positivas, veio confirmar e ampliar a dimensão de tudo aquilo que ele já significava para a música portuguesa. Aclamado por fiéis seguidores da sua geração e por um público impressionantemente jovem, que se sente retratado em suas músicas, ocupou e vem ocupando, com toda a justiça, a sua cadeira cativa de unanimidade nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que não dizer internacional? Sim, porque o Brasil ainda não sabe, mas sente muita falta dele por aqui.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5311281054002364?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5311281054002364/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5311281054002364' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5311281054002364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5311281054002364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/12/meu-caro-jorge-que-ano.html' title='Meu caro Jorge (que ano!!!)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/STx2WQCMsPI/AAAAAAAAAqY/nzTqWtModeY/s72-c/dvd-JP.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4324900607084376733</id><published>2008-11-21T20:36:00.009-02:00</published><updated>2008-11-24T17:24:09.463-02:00</updated><title type='text'>Groucho à portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSdC_5PkReI/AAAAAAAAAo4/P8rAt1So2vM/s1600-h/tet%C3%A9+027.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSdC_5PkReI/AAAAAAAAAo4/P8rAt1So2vM/s320/tet%C3%A9+027.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271255554325759458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tetê, a caráter - Foto: Arquivo familiar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;A boa Milocas não tinha idéia do que a esperava naquela tarde pacata em Lisboa, quando a amiga Lena chegou para um chá tão prometido quanto inopinado.&lt;br /&gt;- Ó Milocas, acho que passo por aí hoje à tarde para tomar aquele chá que combinamos outro dia, não te lembras?&lt;br /&gt;Lembrava-se, claro, mas na verdade estranhou que fosse já para aquele dia.&lt;br /&gt;- Está bem, Lena, então te espero. Por volta das três?&lt;br /&gt;- Pode ser, pode ser.&lt;br /&gt;A Milocas tratou de arrumar as guloseimas, alguns tipos de chá, leite, café, uma ou outra geléia feita em casa e, à hora aprazada, ouviu a campainha. Recebeu a Lena com toda a festa, mas não deixou de observar no rosto da velha amiga uma certa excitação, mais ou menos como uma criança que acabou de fazer arte.&lt;br /&gt;- Mas o que é que tu tens, mulher? Parece-me um tanto excitada...&lt;br /&gt;- Pois estou, claro que estou - tentou disfarçar Lena. - Que trânsito para chegar aqui, tu nem imaginas! Esta cidade está uma confusão. Eu até gostava de um copo d'água...&lt;br /&gt;Milocas foi buscar. Pouco depois as duas já se entretinham em botar as novidades em dia.&lt;br /&gt;- Mas e a tua irmã lá no Brasil, tem notícias dela? - perguntou distraidamente a Lena.&lt;br /&gt;- Ah, falo com ela todos os dias - disse Milocas. - Hoje é que não consegui, pois afinal ela estava com visitas. Esse negócio de internet é uma maravilha; nem nos telefonamos mais! Só dou um toque e ela já sabe que sou eu; então desligo e vamos as duas para o Skype.&lt;br /&gt;- Que ótimo! Eu também uso muito, é tão simples... E o som é perfeito, parece que a pessoa está mesmo aqui - ajuntou Lena, disfarçando com habilidade um olhar furtivo em relação à porta. Praticamente a seguir ouve-se a campainha.&lt;br /&gt;- Estás esperando alguém? - indagou a Lena, com ar ausente.&lt;br /&gt;- Pois não! Quem poderá ser? Ó Marques! Podes atender, se faz favor? - dirige-se Milocas ao marido.&lt;br /&gt;Marques vai à porta. Cada passo seu é engenhosamente acompanhado por Lena, com o rabo do olho, entre um gole de chá e um biscoitinho amanteigado.&lt;br /&gt;Um instante compridíssimo parece paralisar a cena. Milocas alonga as palavras, Lena estica o tempo de sorver o chá, a mão do Marques demora a alcançar a fechadura.&lt;br /&gt;- Quem é, Marques?&lt;br /&gt;- É para você, Milocas.&lt;br /&gt;A contragosto, a anfitriã deixa a visita no sofá e segue até a porta, onde enormes óculos redondos, um nariz descomunal quase à Groucho Marx e um bigode de pontas retorcidas a contemplam, dentro de um sorriso de plástico. Fica confusa.&lt;br /&gt;- Quem é? - Milocas estuda a figura feminina à sua frente, desconfiada e incrédula. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Conheço mais ou menos este cabelo, mas pela altura não dá para saber, lembra-me alguém, tem algo da minha irmã, mas quem será esta, &lt;/span&gt;os pensamentos correm em volta de um silêncio atônito e da máscara diante de si.&lt;br /&gt;- Mas então tu não me conheces mais, Milocas? Sou eu, a tua irmã!&lt;br /&gt;O sangue lhe foge do corpo, mete-se lá não se sabe onde. Tudo lhe passa pela cabeça, ela custa a juntar alhos com bugalhos, e de repente sente os joelhos dobrarem. Se não fosse pelo Marques, que a enlaça no instante fatal, teria desmaiado bem à antiga.&lt;br /&gt;- Mas como é que podes estar aqui, se há pouco estavas com visitas lá no Brasil? - debate-se Milocas entre o fato e a versão do fato.&lt;br /&gt;No sofá, Lena mija-se de rir. Recobradas a cor e a pulsação, Milocas já pode controlar os joelhos e senta-se para ouvir toda a pantomima.&lt;br /&gt;- Mandei minha nora entrar no Skype para te dizer que estava com visitas - diverte-se Tetê, a bem-humorada irmã, bem abrasileirada pelos anos à beira-mar, no litoral de Saquarema.&lt;br /&gt;- Mas onde é que arranjaste isto? - aponta Milocas para a máscara.&lt;br /&gt;- Ah, no meu aniversário recebi os meus convidados assim - conta Tetê, entre risos.&lt;br /&gt;E tome que tome chá, biscoitos, abraços e beijos de anular saudades. Agora é a vez da Milocas de aprontar das suas: telefona à Laida, outra amiga e vizinha, e a convida para dar um pulinho lá.&lt;br /&gt;- Está aqui a Lena, estamos tomando um chá, venha ter conosco!...&lt;br /&gt;Laida concorda e, ao chegar, a mesma cena se repete: confusão, dúvida, surpresa e gargalhadas. Laida gosta tanto da novidade que resolve chamar também o seu marido, alegando que não quer voltar sozinha para casa. Casmurro, o marido concorda em ir buscá-la mas não quer subir. Ah, mas ela insiste. Como insite! E quando ele chega, a mesma cena e muitas gargalhadas mais. O chá entra pela noite, brotam bolinhos salgados e até um vinho para coroar a festa. A única que a Tetê não conseguiu pegar foi a sobrinha Isabel; alertada pelo primo Jorge, que juntou algumas informações desencontradas, já sabia de tudo quando lá chegou.&lt;br /&gt;Personagem essencial da trama, o kit "Groucho" - oclão, narigão e bigodão - perambulou por vários rostos e foi lembrado por dias a fio, a cada vez que a Milocas, encantada, contava a alguém as incríveis peripécias da intrépida Tetê, que saiu do Brasil na moita e fez grandes estragos de felicidade no dia em que chegou à terrinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4324900607084376733?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4324900607084376733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4324900607084376733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4324900607084376733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4324900607084376733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/11/groucho-portuguesa.html' title='Groucho à portuguesa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SSdC_5PkReI/AAAAAAAAAo4/P8rAt1So2vM/s72-c/tet%C3%A9+027.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8036707353567933677</id><published>2008-10-21T20:07:00.018-02:00</published><updated>2008-10-21T22:31:01.088-02:00</updated><title type='text'>Ney em Portugal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SP5UPRvyxzI/AAAAAAAAAnY/-2Iu76TegoQ/s1600-h/ney.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SP5UPRvyxzI/AAAAAAAAAnY/-2Iu76TegoQ/s320/ney.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259734036253951794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ney Matogrosso no novo show "Inclassificáveis"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ney Matogrosso está em Portugal. Acaba de se apresentar perante um Coliseu do Porto fervendo de gente e segue para dois espetáculos igualmente lotados no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ney é um artista singularíssimo. Fui literalmente derrubada por seu charme, musicalidade e talento num show pequeno e ainda tímido, chamado "Bandido" (quem não se lembra?), no Teatro Ipanema. Devo dizer que fui praticamente arrastada por minha amiga Ida Flores, que se desmanchava em elogios. Eu duvidava com um olho franzido e um meio-sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: cheguei falante e aos poucos fui ficando quieta, quieta, mudíssima, pregada na cadeira como se fosse parte do revestimento. E tomei contato com a força daquele homem, com os olhos de águia ferida, a desfaçatez gaiata e o enorme talento musical, um bom gosto a toda prova no repertório e um espírito de brincar, com leveza e respeito, com  grandes clássicos do nosso cancioneiro (naquela época ainda se usavam termos assim).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era 1977 e ninguém sabia ainda, mas o "Bandido" teria o mérito de alçar Ney definitivamente ao estrelato, após uma sofisticada porém obscura tentativa solo, alguns anos antes, no Teatro do Hotel Nacional, com "Corsário" - uma maravilha inovadora que, no entanto, não chegou a decolar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bandido", que assumo ter assistido 23 vezes (e meia, porque numa delas cheguei atrasada), tornou-se emblemático. Ali Ney ousou esbanjar toda sua alquimia, manejou o tempero certo entre o folguedo e o drama - e seguiu mostrando quem era, afinal, a verdadeira cabeça do fenômeno "Secos &amp;amp; Molhados".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a explosão do Maracanãzinho, parecia que nada mais deteria o épico trio. Mas o mundo virou Ney do avesso da noite para o dia: empresários acometidos de delírios de grandeza, falta de controle financeiro e irresponsabilidade se encarregaram destruir logo o sonho. Ney precisou de tempo, muito tempo, para reconstruir sua carreira e se firmar como um dos grandes da nossa MPB. Mas quando isso aconteceu, foi pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Ney de hoje bem poderia sintetizar o nome do novo disco: é inclassificável. Voz única, sentimento, talento dramático, beleza física, espiritualidade, firmeza. E muito, muito mais. Aos 67 anos, corpinho de 35 e uma cabeça privilegiada, Ney sacode a vida portuguesa, entre carinhoso e definitivo. E toda a gente vai ao seu encontro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico feliz com as notícias e lembro da primeira vez que estivemos juntos, no seu quarto do Hotel Terminus, na Brigadeiro Luiz Antonio - pertinho do Teatro Bandeirantes, onde o "Bandido" estreou na capital paulista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai, que tinha por hábito acompanhar boa parte das minhas loucuras, fotografara o show a meu pedido, no Rio. E eu estava ansiosa para mostrar a ele o trabalho, que ficou uma beleza. Foi um custo conseguir a entrevista, mas ele nos recebeu, desconfiadíssimo. Achou que a gente queria vender as fotos! Tateando entre o êxtase de fã e a necessidade de vencer aquela barreira, apressei-me a dizer que não, que só queríamos mesmo que ele visse. Levamos um projetor de slides Kodak tipo carrossel, munido de um dispositivo chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dissolver&lt;/span&gt; (ah, as doces tecnologias de então!), e projetamos tudo na parede. Ele gostou e gentilmente nos levou para o teatro, mas continuou muito desconfiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois preparei-lhe um álbum com todas as fotos e mandei de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Vender, imagina!...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu e minhas amigas Déa e Vera nos aventurávamos muito pelas estradas para encontrar o "Bandido". Íamos pra São Paulo quase todo fim de semana! Por estranhas razões que nunca descobrimos, era urgente ver Ney, sentir de novo cada detalhe sabido de cor, sorrir com malícia na hora da "Boneca Cobiçada"' (e tentar espiar pelo espelho na vã tentativa de flagrá-lo nu, enquanto trocava a roupa em pleno palco), chorar na hora da "Gaivota", ver quem era o "Seu Valdir" da vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gaivota, te amo e gaivotaria sempre em ti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Um abusado Ney fazia do "Seu Valdir" - composição de Marco Polo, uma das revelações da época -, o momento mais esperado e hilariante da noite. Depois da "Boneca Cobiçada", o dorso nu e suado (sonho de consumo de nove entre dez das mulheres que se acotovelavam na primeira fila), Ney descia até a platéia e escolhia seu alvo: o homem mais sisudo e formal que visse à sua frente. Quanto mais cara de poucos amigos, melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Postava-se então diante do eleito e cantava, entre dramático e zombeteiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Seu Valdir, o senhor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;magoou meu coração!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fazer isso comigo, Seu Valdir?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isso não se faz, não!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu trago dentro do peito &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um coração apaixonado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;batendo pelo Sr.!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Sr. tem que dar um jeito!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senão eu vou cometer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um suicídio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no dente de um ofídio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vou morrer!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E por aí vai. A mulherada ficava esperando por aquilo! Muitas, que já conheciam o quadro, levavam seus respeitáveis maridos e compravam bilhetes bem perto do palco, na esperança de vê-los escolhidos para a "homenagem"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, entre o folguedo e o drama, Ney Matogrosso, o artista completo e que talvez melhor sintetize o jeito fagueiro e ao mesmo tempo profundo que é a marca da nossa nacionalidade, roubou meu coração de vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabê-lo estourando mais uma vez em Portugal é uma alegria enorme. Vejo como meus amigos o admiram, respeitam profundamente o seu talento. Não é para menos. O Ney é uma parte substancial do sal da nossa terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava mesmo é de virar uma formiguinha e me esconder na borda do palco do Coliseu, só para me afogar no suor copioso que distribuirá a um público com certeza maravilhado com o  canto e a força de uma das personalidades mais carismáticas da MPB de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8036707353567933677?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8036707353567933677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8036707353567933677' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8036707353567933677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8036707353567933677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/10/ney-em-portugal.html' title='Ney em Portugal'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SP5UPRvyxzI/AAAAAAAAAnY/-2Iu76TegoQ/s72-c/ney.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-906914288662179499</id><published>2008-09-28T14:03:00.002-03:00</published><updated>2008-09-28T14:30:08.224-03:00</updated><title type='text'>Sutis diferenças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN-507Drb6I/AAAAAAAAAc4/I3Zuqw53iYg/s1600-h/puccini-sepia.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN-507Drb6I/AAAAAAAAAc4/I3Zuqw53iYg/s320/puccini-sepia.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251120009394745250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Giacomo Puccini&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Acabo de ver a montagem de La Bohème com que o Theatro Municipal do Rio de Janeiro comemorou o ano Puccini e comento com meu amigo Tiago Videira. Comparamos então os preços das entradas no Brasil e em Portugal; aqui ainda é mais barato, na média, para as produções locais. Quando se trata de estrelas internacionais, porém, os preços são estratosféricos para os padrões portugueses. Mas, pelo que Tiago me conta, lá há coisas fantásticas.&lt;br /&gt;Imagine alguém chegar na bilheteria do Theatro Municipal, uns quinze minutos antes de começar um espetáculo que não está lotado e, por essa razão, pagar só meia entrada? Impraticável. Aqui a meia-entrada obrigatória para estudantes e idosos acima dos 60 anos é fortemente rejeitada pela classe artística e pelos empresários. Todos afirmam que ela é a principal razão de o teatro não dar lucro. Alguns chegam a elevar absurdamente o preço da dita "inteira" para evitar o peso da "meia" sobre a produção! Nesse clima, oferecer meia entrada em espetáculo vazio - o que poderia até salvar algum custo obrigatório - é totalmente impensável por aqui.&lt;br /&gt;Outro lance incrível é o carinho que os teatros têm pelos estudantes interessados em ver os espetáculos, mas que não podem pagar; segundo o Tiago, é prática comum permitir o acesso gratuito de estudantes à galeria mais alta, quando chegam quase na hora a espetáculos onde ainda há bastante lugar. Que coisa mais simpática e civilizada! Aqui, o máximo a que um estudante poderia aspirar, em raríssimas ocasiões, é assistir no telão, do lado de fora (digo raríssimas porque é muito difícil colocarem telões nos espetáculos líricos. Pra ver baixaria, a tecnologia é sempre milionária!).&lt;br /&gt;Aqui temos de conviver com a instituição do cambista, uma imoralidade que parece não ter cura - e que, até hoje, nenhuma autoridade se deu ao trabalho de eliminar, com melhores políticas de distribuição cultural. Estes estão sempre lá, querendo comprar as "sobras" de quem chega. Tenho por hábito só abrir minha bolsa para pegar minha entrada quando estiver a milímetros de distância do porteiro, tal o pânico que tenho desses sanguessugas. Por conta disso, aliás, acabei passando por uma pequena humilhação sem conseqüências, há uns anos atrás.&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tem ingresso sobrando aí?&lt;/span&gt;, interpelou-me um deles, quase ao pé da escadaria.&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pois se tivesse doava, mas não vendia para você&lt;/span&gt; - respondi.&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;E você precisa emagrecer!&lt;/span&gt; - devolveu-me, cavalheiresco, o infeliz.&lt;br /&gt;O que não entendo é: se todos os bilheteiros conhecem os cambistas, por que vendem pra eles? Por acaso sofrem ameaças? E por que não há guardas fiscalizando a ação clandestina, que só prejudica o público do Theatro e a própria instituição? Mas não, parece sempre que não há ninguém vendo, e os ditos agem livremente nas imediações.&lt;br /&gt;Em Portugal, preferem vender pela metade do preço do que deixar cadeiras vazias. Mais: preferem que os estudantes entrem de graça, se houver lugar, do que frustrar as expectativas de alguém que mais tarde poderá vir a ser um artista, um músico, um regente talvez. Não é mais civilizado e mais inteligente? Taí algo que poderíamos muito bem aprender com nossos queridos ancestrais. Um pouco da antiga cultura, quando vem para iluminar, não faz mesmo mal a ninguém, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-906914288662179499?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/906914288662179499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=906914288662179499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/906914288662179499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/906914288662179499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/09/sutis-diferenas.html' title='Sutis diferenças'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN-507Drb6I/AAAAAAAAAc4/I3Zuqw53iYg/s72-c/puccini-sepia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5403855431937788872</id><published>2008-09-27T15:25:00.002-03:00</published><updated>2008-09-28T14:03:32.483-03:00</updated><title type='text'>Adeus, "meus" olhos azuis!...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN57FA1KWfI/AAAAAAAAAcQ/2aB227ETflg/s1600-h/pn-lindo.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN57FA1KWfI/AAAAAAAAAcQ/2aB227ETflg/s320/pn-lindo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250769541613115890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Paul Leonard Newman&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;26/01/1925 - 27/09/2008&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5403855431937788872?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5403855431937788872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5403855431937788872' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5403855431937788872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5403855431937788872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/09/adeus-meus-olhos-azuis.html' title='Adeus, &quot;meus&quot; olhos azuis!...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SN57FA1KWfI/AAAAAAAAAcQ/2aB227ETflg/s72-c/pn-lindo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-683900455585777072</id><published>2008-07-30T13:54:00.008-03:00</published><updated>2008-07-30T19:05:15.786-03:00</updated><title type='text'>Um encontro como poucos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCnrGspI-I/AAAAAAAAAag/3PhYML7RgrQ/s1600-h/Teresa-Carreras2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 355px; height: 159px;" src="http://bp3.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCnrGspI-I/AAAAAAAAAag/3PhYML7RgrQ/s320/Teresa-Carreras2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5228863526351217634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Teresa Salgueiro e Josep Carreras&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Divulgação&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Há muito aprecio a voz de Teresa Salgueiro. Aliás, o Madredeus talvez tenha sido o único grupo português contemporâneo a furar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bloqueio de lá pra cá&lt;/span&gt; que parece haver entre as nossas fronteiras e garantir um lugar no coração dos brasileiros. Ainda falta muito para a balança musical entre os dois países se equilibrar... Só vou acreditar mesmo quando ver o Jorge Palma bombando por aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu falava de Teresa e de sua singeleza, que não por acaso é uma rima. Há outras: beleza (da voz e da figura), pureza (do timbre), sutileza (do estilo)... Portanto, quando me disseram que o Josep Carreras, de quem sou uma assumida e orgulhosíssima fã de carteirinha há anos e anos e anos, tinha ficado encantado com sua voz e iria cantar com ela, achei perfeitamente natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro dos dois no cd "Energia", de Carreras, e em outros momentos celebrados e ao vivo, é pura emoção. A canção "Haja o que houver", que me encantou quando foi incluída na felicíssima trilha sonora da mini-série "Os Maias", ficou perfeita em dueto e contracanto. É um momento para recolher ao fundo da alma, fechar os olhos e simplesmente sentir. Parece mais um carinho terno, delicado, de uma doçura impressionante. Carreras, sempre brilhante nos pianíssimos, empresta à sua voz um calor único, que emoldura como um abraço o cristal por onde respira o timbre de Teresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de os duetos em "Haja o que houver" e "Manhã de Carnaval" terem sido gravados já há algum tempo, são mais que atuais. Aqui combino a minha já eterna fase portuguesa com a paixão por Carreras; e na hora de decidir em que blog iria falar disto - no "Portugal, Portugal" ou no blog dedicado a Josep Carreras - escolhi mesmo ficar em terras (perdão, letras) lusas.  Muito pelo esplendor dessa canção, que transborda nostalgia e aquele sentir tão longínguo e fundo que é a cara dos portugueses e faz parte da herança que nos legaram.  E também por Josep Carreras cantar em português, o que sem dúvida para ele é uma façanha, em que pese a proximidade ibérica, mas que realiza com a maior das honestidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na impossibilidade de postar aqui as canções, deixo na seção de vídeos o vídeo-clip de "Haja o que houver" - além de incluir os dois duetos no player ao lado, dedicado ao Jorge Palma. O Jorge, além de ser um grande artista, tem um coração enorme e ficará feliz em abrigar essas maravilhas, para deleite de todos que por aqui passem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ave, Teresa Salgueiro!&lt;br /&gt;Ave, Josep Carreras!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-683900455585777072?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/683900455585777072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=683900455585777072' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/683900455585777072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/683900455585777072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/07/um-encontro-como-poucos.html' title='Um encontro como poucos'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SJCnrGspI-I/AAAAAAAAAag/3PhYML7RgrQ/s72-c/Teresa-Carreras2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-9127661038772816018</id><published>2008-07-22T22:23:00.006-03:00</published><updated>2008-07-25T11:40:26.150-03:00</updated><title type='text'>Duas rodas sobre uma paixão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIaIkgumH3I/AAAAAAAAAZ4/QXSIl2fL3jU/s1600-h/atravessando+a+ponte+metro1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIaIkgumH3I/AAAAAAAAAZ4/QXSIl2fL3jU/s320/atravessando+a+ponte+metro1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5226014578452078450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Atravessando a ponte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Cristina Huertas Santos&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Neste momento, uma bicicleta - perdão, muitas bicicletas - estão a cruzar esta ponte, em minha amada Cidade do Porto. Dá para sentir o vento? Pois eu quase consigo. Minha amiga Cristina e outras jovens animadas passam agora por aqui, a velocidade média, dada a altura. Sei que não dá para vê-las, mas se as víssemos, quem teria feito a foto? É domingo, 20 de julho, e a Porto Bike Tour toma as pontes da Arrábida e de São Luís, a Afurada, toda a Ribeira e muito mais, em 14,5 quilômetros de energia,  liberdade e pedaladas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá estou eu sonhando, e por uma simples e prosaica razão: não sei fazer uso desse quase secular objeto de lazer e meio de transporte, que é a bicicleta. E não, não acho que seja uma vergonha. Também não me orgulho; faço parte de uma classe de pessoas contemplativas que têm dificuldades com certos encantos tidos como certos da vida ao ar livre. Em criança, nem pensar; preferia os livros, as histórias das amigas da minha avó e os sonhos acordados. Tá, eu conseguia subir em árvores, brincar na terra, levar alguns tombos e arranhões, comer goiaba no pé. É, eu sei que aí não tem goiaba no pé, só em determinadas lojas especializadas. Já provou? Hmm, me veio água na boca... olha, gosto mais das vermelhas, embora as brancas tenham lá o seu encanto. São as preferidas dos chamados bichinhos de goiaba, ou seja, bichinhos mesmo, que costumam perfurá-las e fazer delas a sua casa, pelo menos enquanto houver polpa para eles comerem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando às bicicletas, o máximo que aprendi foi a me equilibrar razoavelmente e dar umas voltas. Até aí tudo bem, mas como pará-las sem cair ou trombar numa parede? Essa é uma ciência que me parece impossível de dominar. Não, não é que tenha desistido. Ainda hei de aprender, e espero que o faça enquanto o corpo ainda me permite tais veleidades...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a bicicleta é companheira de sonhos, ah isso é. Nos anos 70 eu sonhava com Paul Newman, lindo, lindo, pedalando em volta da sala da professorinha em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Butch Cassidy&lt;/span&gt;, ao som da magnífica &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Raindrops Keep Fallin' on my Head&lt;/span&gt;, tema de Burt Bacharach interpretado pelo até hoje inimitável B. J. Thomas. De bicicleta o E.T. cruzou a lua numa escapada espetacular, talvez a mais linda cena filmada por Spielberg. De bicicleta o Sr. Hûlot  de Jacques Tati nos fez rir e chorar muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje bicicleta é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bike&lt;/span&gt;, mesmo nesse imenso Portugal tão avesso aos estrangeirismos. Acho bacana o esporte, milhões de capacetes, camisas verdejantes e mochilinhas enchendo as ruas de uma alegria e um magnetismo muito saudáveis. Afinal, nem tudo é uma estradazinha interna, isolada e cercada por amoreiras em flor. Os grandes movimentos urbanos que clamam por um pouco de ar e saúde mental têm lá o seu fascínio. Se eu pudesse pedalar 14 quilômetros, sem dúvida chegava junto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nego que tenho um certo gosto de pensar em bicicletas velhas, a grande roda dianteira quase parada, encostada a uma parede, num rito de silêncio ou de descanso após uma longa viagem. Ou numa bicicleta florida que carrega dois namorados a desafiarem a imensidão, descendo uma montanha entre beijos e frios na barriga. Ou numa criança como a que não fui, aprendendo com dificuldade a manejar aquele instrumento que a seus olhos é grande, grande...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que anteontem o Porto deve ter tremido diante da verde onda que pedalou por seus sonhos antigos à beira do rio e do mar. Acenei para eles uma bandeirinha imaginária, da cor da minha paixão por aquela terra que, inexplicavelmente, amei desde o primeiro instante, desde a primeira pedra portuguesa da Avenida dos Aliados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu tiver sorte, disciplina ou um bom professor de ciclismo, quem sabe não me arrisco no ano que vem?  Por precaução, é claro, melhor providenciar uma boa joelheira. Afinal, tombos na minha idade já não são tão corriqueiros...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-9127661038772816018?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/9127661038772816018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=9127661038772816018' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/9127661038772816018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/9127661038772816018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/07/duas-rodas-sobre-uma-paixo.html' title='Duas rodas sobre uma paixão'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SIaIkgumH3I/AAAAAAAAAZ4/QXSIl2fL3jU/s72-c/atravessando+a+ponte+metro1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8148798908796779422</id><published>2008-07-07T21:49:00.013-03:00</published><updated>2008-07-08T08:46:23.795-03:00</updated><title type='text'>Ventos lusitanos nas pedras da história</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SHLoTnzohMI/AAAAAAAAAZQ/p7_q6IlW7jU/s1600-h/Parati2008-JLP2+A.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SHLoTnzohMI/AAAAAAAAAZQ/p7_q6IlW7jU/s320/Parati2008-JLP2+A.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220490341876532418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;José Luís Peixoto em Paraty&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pela sexta vez a Flip toma Paraty - não de assalto, mas nos braços, com delicadeza e fúria de palavras. Todo ano é assim, um rito sabido e sempre novo, os veteranos da rotina de entre-sai entre palestras com cara de recém-chegados e ansiedade de criança diante de um prazer muito esperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do feitiço de sua história ancestral, onde proliferam os sinais típicos do colonizador, no melhor sentido, Paraty é muito portuguesa na arquitetura mesclada, nos trejeitos faciais, no cheiro de mar de uma vela sôlta, ao longe. E na Flip, um paraíso literário que acolhe todas as tendências em malemolente comunhão, a presença da terrinha esteve sempre muito bem demarcada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luís Peixoto, uma das forças gritantes da nova escrita de além-mar, está por aqui com o seu jeito de menino de alma antiga, em perfeita sintonia com as ruas guardadas, os desvios e os ventos cortados de Paraty. Que ninguém se engane com essa vera simplicidade; por dentro há fogo e enigmas, sutis primaveras traduzidas numa prosa poderosa e numa poesia toda em contas de vidro, umas grandes e escuras, outras pequenas, transparentes, algumas de porcelana e quem sabe algum búzio mágico herdado das navegações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontro-o logo após ter atuado como mediador da última mesa da quinta-feira. É a sua primeira vez nesse papel, palestrante que foi na gloriosa Flip 2005. Apresento-me e, com minhas razões portuguesas, convido-o a uma conversa para ser registrada aqui neste blog. Nos caminhos curtos da cidade de piso improvável, perdemo-nos algumas vezes antes que a prosa tomasse corpo, mas confiei. E valeu mesmo a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tal alma antiga, aquela que de certo modo lhe inventei - e até torna possível imaginá-lo de terno branco, as mãos sem lugar certo, ao lado de uma mala desbotada de cartão, numa estação de trem que bem poderia estar em Paraty ou Tiradentes - existe de fato, ancorada na memória de ter crescido numa aldeia com talvez menos de mil habitantes e muitos idosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sempre tive a habilidade de transitar entre idades. A convivência com essas pessoas, muitas com mais de oitenta anos, foi muito importante para a minha escrita. Nesses lugares onde há mais tempo, as pessoas conseguem refletir mais sobre o que é essencial à existência. A vida corrida nos tira um pouco isso. Mas eu pude aproveitar essa profundidade, e então fui aprendendo a estar um pouco em todas as idades. Compreendi que todas são boas e às vezes até podem ser vividas simultaneamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem central de seu romance &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cemitério de Pianos&lt;/span&gt;, que está sendo lançado agora no Brasil, também transita entre uma nota básica de tristeza e a vontade de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ser. &lt;/span&gt;Inspirado muito livremente numa figura épica da moderna história de seu país - o maratonista Francisco Lázaro, o primeiro atleta português a participar de uma Olimpíada, precisamente a de 1912 em Estocolmo - o romance costura com habilidade e delicadeza raras as dores próprias do crescimento do protagonista, o labirinto familiar e o mágico terreno da marcenaria da família, onde moram os pianos por restaurar e toda a magia que aquelas pessoas precisam para viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho curiosidade em saber até onde vai a realidade nessa ficção.&lt;br /&gt;- Todo o psicológico é inventado, a história familiar, as tramas e tudo o mais. O que é verdadeiro é o arcabouço do personagem, o que ele representou para Portugal, sua morte trágica durante a prova, o fato de nunca ter saído do país até fazer aquela viagem difícil, que na época durava mais de uma semana, até Estocolmo. Estudei muito a vida e a carreira de Francisco Lázaro, e com isso encontrei tantas informações que tive de abandonar algumas no processo de escrever o romance, embora muitas vezes com pena, mas por ter convicção de que elas não dariam ao personagem o rumo que eu imaginava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as curiosidades sobre a Olimpíada de 1912, José Luís descobriu que um atleta japonês, também maratonista, desapareceu durante a prova sem deixar vestígios - e só foi encontrado nos anos 60, já com 80 anos e vivendo com uma sueca. Outro atleta, um índio americano, ganhou várias medalhas, mas todas lhe foram retiradas pelo simples fato de ser índio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Uma das dificuldades que tive para situar Francisco Lázaro foi o fato de não ter encontrado uma só pessoa que o tivesse conhecido - revela. - Bem, isso não é de se estranhar, pois ele morreu em 1912 e só deixou uma filha, que nasceu nesse mesmo ano, após a morte do pai, e que também já não vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso impede, porém, que o Francisco Lázaro de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cemitério de Pianos&lt;/span&gt; tenha uma vida marcada por todas as intensidades humanas normais e algumas peculiares, e que exiba uma personalidade absolutamente complexa, mergulhada em dúvidas, duplicidades e até num certo lirismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Animado com a edição brasileira do romance, "muito bonita", José Luís não se mostra preocupado com a anunciada unificação gramatical da nossa língua. - Não vejo problema em que se mude a grafia de algumas palavras, pois isso é muito pouco diante do essencial que está preservado.  Não consigo entender por que as pessoas vêm tomando posições radicais a esse respeito. Acho sinceramente que não é para tanto. Vou continuar escrevendo da mesma forma, não me importo em me adaptar às pequenas mudanças. O importante é conviver bem com as diferenças normais que existem de um país para o outro, na forma de usar a língua. Isso permanecerá no domínio da criatividade normal de cada povo, e é importante que seja assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esse respeito, lembro que só recentemente aprendi que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telefonia&lt;/span&gt;, palavra recorrente nos primeiros capítulos do seu romance, era antigamente o termo português para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;rádio&lt;/span&gt;. E também que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dióspiro &lt;/span&gt;e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caqui&lt;/span&gt; são a mesma fruta, apesar dos nomes tão diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fã que sou da sua luminosa poesia, encontro uma nota algo tristonha em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fotografia do Rio de Janeiro&lt;/span&gt;, e ele discorda. - São apenas viagens, fotografias de cidades em momentos dados. Esses poemas estão num livro chamado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gaveta de Papéis&lt;/span&gt;, lançado em abril em Portugal. Esse é um livro interessante porque foi organizado como se fosse mesmo uma gaveta de papéis sendo arrumada; há a série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Fotografias&lt;/span&gt;, depois vêm os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Documentos&lt;/span&gt;, como certidão de nascimento, carta de condução (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vocês dizem isso?&lt;/span&gt;), e por aí vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico que aqui a carta de condução chama-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;carteira de motorista&lt;/span&gt;. Acha graça e sorri, enquanto me explica como concebeu, nos mínimos detalhes, a organização dessa sua &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gaveta&lt;/span&gt; poética. E conta que o segundo romance, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Uma casa na escuridão&lt;/span&gt;, será lançado ainda este ano no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No papo sobre o que nos aproxima e nos distancia a nós, portugueses e brasileiros, pergunto como essas eventuais diferenças ou semelhanças se traduzem no terreno do amor. - As culturas têm formas diferentes de representar o seu próprio universo no que ele tem de mais concreto. Até uma mesa como esta, ou uma cadeira, podem ser definidas de maneiras distintas por pessoas de culturas diferentes... imagina então o amor, que é um ato de sentir? Isso é muito subjetivo, mas acho que as pessoas não amam com as culturas propriamente, amam com o coração. E nesse terreno o entendimento se dá num outro plano, que está além do cultural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro uma de suas crônicas recentes, que expõe toda a sua fragilidade diante da doença de um filho. - Os filhos são o amor, e é muito difícil de falar sobre eles. Não porque não haja muito a ser dito; é porque temos de pensar muito antes de pôr coisas tão fortes em palavras. Estar com meus filhos é estar na minha dimensão mais natural, mais profunda e básica. É neles que me carrego e me fortaleço. Não sei explicar muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia de José Luís Peixoto tem presença forte na música em sua terra, mas ele não se define como compositor. - Colaboro com músicos de todas as tendências, desde o fado até o hip-hop, passando pelo rock e o heavy metal - sorri. - E acho fascinante ver o resultado de poema e música. Aliás, gostei muito de ver um poema meu, "Estou sozinho", musicado por uma artista brasileira, Bessa. Está lá no YouTube!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na plenitude dos seus 34 anos, esse rapaz de olhos verde-profundos convive bem com tudo que é próprio da sua geração: YouTube, Orkut, MySpace, Hi5, piercings, tatuagens, uma contemporaneidade que traduz bem o tempo-presente, sem perder de vista os tempos da alma. A singeleza, as atitudes clássicas e uma calma que lhe parece imanente são coisa de temperamento. - Sou assim mesmo, embora isso seja parte de um esforço. Sim, porque nem sempre é fácil manter a calma, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedimo-nos após as fotos tiradas com a minha câmera digital - que, observou, é igual à sua. Luto um pouco contra a claridade que parece "estourar" a imagem, mas acabo conseguindo um resultado interessante. Tecnologia ajuda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, após a última palestra da Flip, encontro-o casualmente em meio ao animado trânsito da Rua do Comércio. Em duas horas estarei no ônibus para o Rio; ele segue no dia seguinte, pois cumprirá na cidade uma apertada agenda literária antes de retornar a Lisboa. Fico feliz por saber que vai conhecer o Real Gabinete Português de Leitura,  maravilha arquitetônica transbordante de idéias (e livros) que é uma das paixões do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cabeça, guardo com cuidado as densidades várias que partilhamos, para que não se misturem e possam ser traduzidas com a devida clareza neste blog. Talvez Paraty e suas pedras sem idade, suas paredes de estuque e a mansa baía adornada de palmeiras tenham algo a ver com esse encontro... não sei, pode ser. O cenário, afinal, combina com José Luís Peixoto e com a matéria poética de que parece ser feito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8148798908796779422?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8148798908796779422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8148798908796779422' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8148798908796779422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8148798908796779422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/07/ventos-lusitanos-nas-pedras-da-histria.html' title='Ventos lusitanos nas pedras da história'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_8zJ5ogc8Iv0/SHLoTnzohMI/AAAAAAAAAZQ/p7_q6IlW7jU/s72-c/Parati2008-JLP2+A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8517160975427823061</id><published>2008-06-03T10:14:00.009-03:00</published><updated>2008-06-03T13:36:43.546-03:00</updated><title type='text'>Pedro e Inês, em visita ao Brasil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SEVDzk2u4iI/AAAAAAAAAXQ/epL40Na3M8s/s1600-h/p-ines-sp-1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SEVDzk2u4iI/AAAAAAAAAXQ/epL40Na3M8s/s320/p-ines-sp-1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207643097469477410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cena do sonho de Pedro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: Divulgação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entre as minhas dores-de-cotovelo durante a visita a Portugal, no ano passado, estava o fato de ter perdido o ballet &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Pedro e Inês&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, no dia 13 de maio, em função de um engarrafamento em Fátima, história que já contei aqui. Apaixonada por dança que sou, fiquei triste com o fato, mas paciência, não se pode ter tudo. Na época, conformei-me.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Só que os deuses da dança conspiraram a meu favor e trouxeram o espetáculo para o Rio de Janeiro. E também para Brasília e São Paulo, onde a Companhia Nacional de Bailado e seu elenco de 22 bailarinos se apresenta nos próximos dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Consegui ingresso no dia da única apresentação carioca, uma galeria muito bem localizada num Theatro Municipal supostamente quase lotado, o que no entanto não se verificou na prática. Não sei se foi culpa da súbita e torrencial chuva que caiu na sexta-feira, 30 de maio, ou se o problema teve a ver com excesso de distribuição de convites; o fato é que o comparecimento ficou bem abaixo do que era de se esperar, diante da enorme expectativa criada por matérias da Rede Globo e ampla divulgação na mídia em geral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Entre as lindas fotos do programa, um poema inédito de meu adorado Nuno Júdice, poeta português que conquistou meu coração justamente com "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Pedro, lembrando Inês&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;", este anterior à obra coreográfica. Enquanto viajava em versos como&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;[...] e é em ti que revivo o que os amantes deixaram&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;para outros, e outros nos deixaram, neste caminho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;de rosas e espinhos que desbravamos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;em busca da comum madrugada. E como sei de ti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;o que os lábios me ensinaram! [...]"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;ficava mais ansiosa ainda em relação ao que iria ver. A anunciada opção retrospectiva, ou seja, toda a cena passada após a tragédia consumada, a irrepreensível escolha musical, tudo parecia conduzir a momentos inesquecíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedro e Inês&lt;/span&gt; é um bom espetáculo, sim, sobretudo em termos de densidade dramática. A dimensão da tragédia dos amantes é uma carga presente, traduzida num clima irrespirável quase o tempo inteiro. Nesse sentido houve muita felicidade na concepção da coreógrafa Olga Roriz, de um modo geral. Criativa é também a idéia de várias "Inês" se revezarem no leito, em sono agitado, e se desdobrarem em múltiplas angústias pelo palco. A coreografia dessa dor, no entanto, é fraca e difusa, ainda que bem executada por bailarinas excelentes, entre as quais a protagonista e primeira dama do ballet português, Ana Lacerda. A pontuação musical opressiva é eficiente para criar clima e temporalidade com um Pedro ausente e igualmente angustiado. Completamente desnecessários, os gritinhos emitidos por cada Inês que se levanta, assim como as gargalhadas de um Pedro desorientado, desfazem o clima e, conseqüentemente, quebram o ritmo, obrigando o espectador a um esforço para recompô-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que assinalar que a iluminação intencionalmente escura, possivelmente pensada para acentuar o tom dramático, revelou-se insuficiente, escondendo demais os bailarinos e, em muitos momentos, anulando mesmo a adequada visão da coreografia. Isso se estende pela cena do assassinato, que dá a impressão de arrastar-se e perde força dramática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pas-de-deux&lt;/span&gt; na água, que retrata o sonho-lembrança de Pedro, é lindíssimo. Sensual e lírico a um tempo, tem uma força voluptuosa que desenha e redesenha os corpos dos bailarinos e passa muito bem a intensidade da ligação entre os amantes. É um dos momentos magistrais da obra, talvez o único que possa ser efetivamente chamado de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A marcha dos algozes têm iluminação mais eficiente e é bem executada, mas dá a nítida impressão de apenas ganhar tempo para os bailarinos se prepararem para a fase "macabra" do espetáculo, quando um desesperado Pedro desenterra sua amada e impõe o cadáver a uma corte que, mesmo aterrorizada, é na verdade responsável por tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teatralmente, são cenas fortes. E muito bem realizadas, sempre com perfeito contraponto da música. Mais ator que bailarino, o personagem Pedro vivido por Christian Schwarm nos comove em sua ternura e desespero, e o que à primeira vista poderia horrorizar acaba por enternecer a todos. A sós com sua amada, cujo corpo ainda guarda os seus sonhos, Pedro escreve livros e livros no palco com suas lembranças eloqüentes, o seu amor e calor presentes, a inconformação pela perda e o desejo de reter, a todo custo, tudo o que naquela mulher lhe era caro. Ana Lacerda deve de fato merecer a reputação que tem em Portugal, pois consegue elevar a "não-dança" ao estado absoluto da arte, tal a imobilidade e desvitalização que consegue imprimir ao corpo inerte de Inês. Impressionante em todos os sentidos, sobretudo nas cenas da fonte, de uma dramaticidade profunda, sincera e que prendem de tal modo o espectador ao fio da história que é como se, de repente, fôssemos nós um pouco os amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A procissão e o beija-mão transcorrem sem maiores pecados. São cenas corretas dentro do que seria esperado, ainda que sem grande expressão coreográfica. Como espetáculo, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Pedro e Inês &lt;/span&gt;é, em essência, paixão e teatro, com muito pouca dança. O que não desmerece, em absoluto, a verdade com que foi elaborado, construído e interpretado por bailarinos muito bem preparados. Um pouco mais de luz, ainda que filtrada pelo drama, faria bem ao conjunto. O ritmo também merece atenção. Ao final, exausta e mobilizada, fiquei com a sensação de que tinham transcorrido horas - e no entanto o espetáculo durara apenas uma hora e dez minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu esperasse mais, dadas as demarches que cercaram, desde há um ano, a minha "saga" pessoal em relação a esse espetáculo. Mas gostei - e aplaudo o nível de paixão com que uma história tão presente no imaginário de todos nós foi colocada em cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8517160975427823061?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8517160975427823061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8517160975427823061' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8517160975427823061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8517160975427823061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/06/pedro-e-ins-em-visita-ao-brasil.html' title='Pedro e Inês, em visita ao Brasil'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SEVDzk2u4iI/AAAAAAAAAXQ/epL40Na3M8s/s72-c/p-ines-sp-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-7194006939041415917</id><published>2008-05-20T00:44:00.008-03:00</published><updated>2008-05-20T01:33:57.726-03:00</updated><title type='text'>... e pra não dizer que não falei de flores...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDJOpMQFBRI/AAAAAAAAAWQ/i4ewVZDHxAc/s1600-h/maias.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDJOpMQFBRI/AAAAAAAAAWQ/i4ewVZDHxAc/s320/maias.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202306989136610578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;As maias trazem a primavera&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até 21 junho é oficialmente primavera em Portugal. Tempo em que, segundo o meu amigo Tiago Videira, fica tudo verde. Seria então prima&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;verde&lt;/span&gt; ou &lt;span style="font-style: italic; color: rgb(0, 102, 0);"&gt;verde&lt;/span&gt;vera? Este ano as esperadas chuvas, segundo me dizem, têm sido abundantes e tardias; aguardadas em abril, desaguaram mesmo em maio, só para contrariar o espírito do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;abril-águas-mil&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois brasileiros muito catitas, os gaúchos Kleiton &amp;amp; Kledir, já disseram que na terrinha o bom é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"voltar na primavera, era tudo o que eu queria! Levo terra nova daqui... Quero ver o passaredo pelos campos de Lisboa... Voa, voa, que eu chego já!..." &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim Portugal foi, sim, primavera - com muitos altos e baixos: uns dias de sobretudo de lã e outros de sol ardente. Quem diria que eu, friorenta e brasileira, iria queimar-me numa simples caminhada por uma quinta do Douro, por volta de duas da tarde?  Desandos primaveris daqueles que se decidem no Olimpo, por pura diversão dos deuses... Deu para ver os jacarandás floridos que inundam Lisboa com seu odor arroxeado. E deu para encolher e tiritar nas madrugadas da Ribeira, entre francesinhas enormes, verdadeiras francesonas, e sanduíches (ou sandes, como eles dizem) inesquecíveis de morcela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiago me conta que as primeiras flores da primavera são as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maias&lt;/span&gt;, também conhecidas como giestas. Essas primas amarelas das nossas palmas de Santa Rita anunciam a estação em simbólicos raminhos colocados em cada casa, para que nunca falte o pão. Ou para para proteger, acolher e iluminar. As lendas são muitas, mas a que mais me comove é a da Sagrada Família: consta que uma cidade da Galiléia estava apavorada com a matança anunciada por Herodes, que queria a todo custo &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span&gt;exterminar &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span&gt;Maria, José e o Menino. Um de seus soldados, então, sugeriu à população que marcasse com um ramo de giesta a casa onde eles estariam escondidos, para evitar que todos os outros fossem exterminados. No dia seguinte, ao chegarem à cidade, as tropas do rei se surpreenderam ao ver ramos de giesta em todas as casas do povoado, resistência feita de solidariedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amarelo das doces maias, em meio ao verde, tem um vento de alegria embutido. É porta-voz de um retemperar, um desabrir, um florescer que emoldura as inevitáveis mudanças que cada tempo nos traz. E aqui vou citar, com a devida vênia, um comovente texto postado pelo Sr. António, do blog &lt;a href="http://aminhaldeia.blog.simplesnet.pt/archive/2007_05.html"&gt;A Minha Aldeia&lt;/a&gt;, que dá conta do valor que as pequenas coisas da tradição têm para renovar os espíritos a cada estação. Está aqui do jeitinho que ele escreveu, como uma homenagem não só a ele mas também à sua Casal de Loivos, aldeia saborosíssima que tive o enorme prazer de conhecer.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p face="trebuchet ms" style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Sexta feira, 4 de Maio...Acabo de chegar á minha casinha da aldeia e deparo-me com um pequeno ramo de giestas, com florzinhas amarelas, colocado no puxador da porta da sala...estranho, pensei! Subo e junto á porta da cozinha, mais um raminho de giestas!...Mau...que se passa aqui? Já era de noite, não deu para pensar mais no assunto, mas na manhã seguinte constatei de que todas as portas e portões da aldeia também tinham os seus raminhos!...Alto, já estou com a minha gente! Admito a minha ignorância, o meu desconhecimento de certas tradições que já entraram de desuso em muitas regiões, mas aqui se mantêm bem vivas! Segundo me explicaram então, no dia primeiro de Maio, são colocadas nas portas das casas os tais raminhos de giestas em flor...porquê? Porque segundo rezam também as tradições, quando a Nossa Senhora fugia aos maus com o Menino, todas as pessoas boas colocaram nas suas portas o respectivo raminho como sinal de que ali viviam pessoas em quem podia confiar, e como tal Nossa Senhora poderia bater em qualquer uma das portas que seria bem recebida! Porta que não tivesse raminho era de certeza de pessoas más, não convinha entrar!...como não me encontrava na aldeia no passado dia 1 de Maio, tenho a agradecer a quem me colocou os raminhos nas minhas portas, sinal que me consideram uma pessoa boa...mas afinal aqui na aldeia de Casal de Loivos, todas as pessoas são boas!!Obrigado por me considerarem da terra! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span&gt;Que este ano nada falte à primavera portuguesa: nem beleza, nem sonhos, nem amores febris - e muito menos flores, giestas e tantas outras, por toda parte. E que o tempo sorria muito, sempre, para contagiar toda a gente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;* &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Trecho da letra da canção "Vira virou", de Kleiton &amp;amp; Kledir, uma bonita homenagem a Portugal. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-7194006939041415917?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/7194006939041415917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=7194006939041415917' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7194006939041415917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7194006939041415917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/05/e-pra-no-dizer-que-no-falei-de-flores.html' title='... e pra não dizer que não falei de flores...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDJOpMQFBRI/AAAAAAAAAWQ/i4ewVZDHxAc/s72-c/maias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6080721158733263481</id><published>2008-05-18T13:09:00.023-03:00</published><updated>2008-05-20T00:43:29.428-03:00</updated><title type='text'>Só para esclarecer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDIP2MQFBQI/AAAAAAAAAWI/kKdPdmUqMoE/s1600-h/Jorge-e-Vicente.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDIP2MQFBQI/AAAAAAAAAWI/kKdPdmUqMoE/s320/Jorge-e-Vicente.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5202237943242360066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vicente Palma e Jorge Palma em Setúbal &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto: J&lt;a href="http://olhares.aeiou.pt/Joaofernades"&gt;oão Fernandes&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Graças à providencial ajuda de um amigo palmaníaco, faço uma correção: a verdadeira estréia do Vicente Palma nos palcos, ao lado do pai, aconteceu no dia 9 de setembro de 2001, no espetáculo de encerramento da tradicional Festa do Avante, promovida pelo Partido Comunista Português.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Aproveito para sugerir que ouçam a primeira gravação solo do Vicente: a canção &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Para Rosália&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;*, que integra o cd &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;"Adriano Aqui e Agora"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, um tributo aos 25 anos do falecimento do cantautor de intervenção Adriano Correia de Oliveira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;* Não foi possível postar a canção neste blog porque os sites que compartilham músicas, assombrados pelo fantasma do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;copyright&lt;/span&gt;, não querem se arriscar e, de um tempo para cá, vêm proibindo o compartilhamento de qualquer material musical sujeito à percepção de direitos autorais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6080721158733263481?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6080721158733263481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6080721158733263481' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6080721158733263481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6080721158733263481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/05/s-para-esclarecer.html' title='Só para esclarecer'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SDIP2MQFBQI/AAAAAAAAAWI/kKdPdmUqMoE/s72-c/Jorge-e-Vicente.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4784890127612257307</id><published>2008-05-16T10:13:00.005-03:00</published><updated>2008-05-16T11:17:20.012-03:00</updated><title type='text'>Palmas pra quem???</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2VIsQFBMI/AAAAAAAAAVk/y76LNc_zvGQ/s1600-h/JORGE-GLOBO.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2VIsQFBMI/AAAAAAAAAVk/y76LNc_zvGQ/s320/JORGE-GLOBO.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5200977121232880834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/22758756@N00/2484873851/"&gt;Salvador Colaço&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Bem sei, caros leitores, que Portugal não é só Jorge Palma, embora Jorge Palma seja "muito Portugal". Mas é inevitável, mais uma vez, voltar a ele - por orgulho e também por indignação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Orgulho por vê-lo conquistar o Globo de Ouro de melhor intérprete. Mais que merecido, esse prêmio era quase uma dívida para com esse que talvez seja o maior entre os maiores da sua geração. E que descortina um Portugal novo e único, do ponto de vista da sua música, para quem quer que o conheça, em qualquer lugar do mundo.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignação por ter assistido a um ato feio, menor e inqualificável, por parte de um apresentador que conseguiu estragar e distorcer a merecida festa do artista, na noite do prêmio. E como essa pessoa não merece sequer que alguém se ocupe dela, não mencionarei aqui o seu nome.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inveja é uma coisa triste. Só tem inveja quem é menor e gravita, portanto, entre os sentimentos menores e mais mesquinhos. Gente assim não hesita em agredir, prejudicar, degradar e menosprezar qualquer pessoa que ameace brilhar mais do que ela. &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi isso o que a criatura tentou - e até com algum sucesso - fazer da entrega do Globo de Ouro ao grande Jorge Palma. Que, contente como uma criança, com seus olhos verdadeiros e o passo inseguro que é um de seus encantos, subiu ao palco só para ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mal chegou, foi logo atirado ao chão pelo elemento que, numa tentativa atabalhoada de "carregá-lo em triunfo", meteu-se no meio de suas pernas e o desequilibrou. Vale destacar que Jorge Palma estava, naquela noite solene, em sua melhor forma e nem sequer ensejava as habituais piadinhas de mau gosto que alguns gostam de fazer sobre um possível estado etílico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sorrindo, Jorge se levanta, vai ao microfone, agradece. Coloca o troféu ao ombro e brinca: - Isto pesa... A platéia se emociona. O infeliz, porém, não desiste: levanta afinal o Jorge aos ombros, dá duas voltas supostamente olímpicas com ele. A apresentadora, pressentindo o pior, pede "Música!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E poderia ter ficado assim, só que o animal não deixou: empurrou o Jorge para o chão, insistindo para que continuasse a falar no microfone que, na primeira trapalhada, tinha sido quebrado. E Jorge, por ser de uma adorável inocência ou por acreditar no ser humano, aquiesce. E o que faz o intruso? Retira-o do palco pelos pés! Pelos pés!&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive vontade de chorar. De raiva e tristeza. No entanto, muita gente riu, pois há quem tenha mesmo prazer em rir dos outros. Era com isso que o individuo contava. O que mais me chocou, porém, é que a imprensa portuguesa mordeu a isca e favoreceu o perpetrador de toda aquela barbaridade. "Brilha", "salva" e outros verbos benevolentes deram a tõnica das matérias que atribuíram tonalidades "heróicas" à extrema e refinada maldade do cidadão.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Palma é um grande artista português. E um grande artista do mundo. É também um dos seres humanos mais doces que existem, um cavalheiro, uma das mentes mais lúcidas que Portugal já produziu. Como é que alguém que não lhe chega ao tornozelo, artística e humanamente falando, se acha no direito de roubar-lhe a alegria da conquista de um prêmio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Que me perdoem os bem-humorados de ocasião, mas não há que confundir brincadeira com desrespeito, gracinha com achincalhe, piada (de mau gosto) com humilhação. &lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com certeza, o Jorge Palma é muito mais que isto. E há de ser sempre lembrado por sua grandeza e talento. E o que é, diante disso tudo, um ataque de venenoso exibicionismo numa noite de prêmios? Um nadinha... que a habitual fraca memória das massas há de logo enterrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ave, Jorge Palma!&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4784890127612257307?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4784890127612257307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4784890127612257307' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4784890127612257307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4784890127612257307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/05/palmas-pra-quem.html' title='Palmas pra quem???'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SC2VIsQFBMI/AAAAAAAAAVk/y76LNc_zvGQ/s72-c/JORGE-GLOBO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6530148344646040646</id><published>2008-05-11T14:01:00.006-03:00</published><updated>2008-05-11T14:46:02.711-03:00</updated><title type='text'>Há um ano atrás...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCctx8QFBKI/AAAAAAAAAVU/Lb15Ja2C220/s1600-h/carantonha-lipezito.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCctx8QFBKI/AAAAAAAAAVU/Lb15Ja2C220/s320/carantonha-lipezito.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199174630832932002" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Jorge Palma em seu melhor&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foto &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/lipezito/"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;... eu me esbaforia pelas estradas portuguesas, obviamente pilotada pela incansável Vera, para ir a Coimbra conhecer duas pessoas: a minha já amiga Cris e o Jorge Palma.&lt;br /&gt;Acabo de ler sobre o sucesso do seu concerto na Queima das Fitas deste ano. Foi inevitável lembrar que, nesse mesmo evento - que no ano passado aconteceu em 11 de maio - Jorge me deu o prazer da amizade, fazendo-me pagar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mico&lt;/span&gt; de perpetrar Chico Buarque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a capella&lt;/span&gt; diante de vinte mil pessoas.&lt;br /&gt;Claro que ninguém entendeu nada, só ele mesmo e eu, mas e daí? Vinte mil são vinte mil, a despeito da cegueira dos spotlights.&lt;br /&gt;Mas o que importa é que Jorge veio, e de vez. Nossa amizade passou nos testes do efêmero e da trivialidade para criar boas raízes de jaqueira. Não que eu goste de jacas, muito aliás pelo contrário. Mas é que isso me faz lembrar a solidez enunciada por Gilberto Gil em "Flora". E é assim que a gente se sente: cada conversa é uma alegria, há ternuras sempre a distribuir.&lt;br /&gt;Jorge Palma é um verdadeiro gênio da canção. E não diria da canção portuguesa, porque a sua música é antes de tudo universal - mas estou a repetir-me. Aliás, sou sempre redundante quando falo de Jorge Palma porque só posso, mesmo, elogiar: os ingredientes que mistura para dar forma à sua música combinam-se sempre muito bem - e o resultado é admirável.&lt;br /&gt;Sou fã de sua fluidez impressionante ao piano, do seu talento para a vida, da sua poesia sempre muito concreta, sulcada de esperança apesar da enorme lucidez diante do trágico.&lt;br /&gt;Jorge Palma é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;must&lt;/span&gt; na discoteca de toda pessoa que goste de um estilo jazzístico inspirado e de um músico versátil, que navega com a maior das tranqüilidades por toda sorte de ritmos. E que assusta quando, de repente, surge num esplêndido e irretocável folk-rock, num inglês quase nativo. - Ah, mãe, esse é o Jorge mesmo? - admirou-se outro dia minha filha Luísa, quando lhe mostrei a irrepreensível &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sunset break (in my hometown)&lt;/span&gt;, faixa "escondida sem o rabo de fora" do último cd, Voo Nocturno, sucesso estrondoso e inesperado para o próprio Jorge desde o lançamento, há dez meses.&lt;br /&gt;Desde o primeiro aperto de mão que trocamos, tive a certeza de que ir a Portugal conhecê-lo foi a atitude certa. Jorge Palma, o ser humano, é de uma indefinível poesia nos menores atos. Abriu o sorriso, o coração e a alma com insuspeitada sinceridade. Aliás, é essa mesmo a sua marca: nada nele é falso ou produzido. É por isso que os fãs o amam sempre e incondicionalmente.&lt;br /&gt;Desde que a canção "Encosta-te a mim", carro-chefe do cd Voo Nocturno, começou a liderar o hit-parade em Portugal, no qual manter-se-ia semanas a fio, Jorge conquistou um novo público - este bem diferente do pessoal mais antigo e fiel, os chamados "palmaníacos". E ocorreu um fenômeno curioso: os iniciados passaram a torcer o nariz para aquele que chamam, com um certo desdém, de "o público do Encosta-te a mim". De alguma forma devem ter-se sentido lesados na antiga exclusividade que tinham. Afinal, hoje Jorge Palma é de seus milhões de fãs - e tem de se repartir entre todos eles. A agenda de espetáculos é quase impossível segundo as leis da Física: Jorge, afinal, ainda não adquiriu o dom da ubiqüidade.&lt;br /&gt;Naquela noite fria em Coimbra, onde uma lua mansa balouçava no céu azul-marinho e prateava docemente o Mondego, o "Encosta-te a mim" apenas começava a tocar nas rádios. Após a apresentação, sentamo-nos na grade de ferro que sustentava o palco, ao ar livre, quase em clima de circo mambembe. Jorge puxou um cigarrinho e já um pouco da alma evolou-se entre baforadas. O resto precipitou-se nos dias subseqüentes. Oito dias depois eu embarcava de volta para casa, não sem um telefonema de boa viagem às três da manhã, coisa de um notívago muito cavalheiresco.&lt;br /&gt;Hoje, um ano depois, agradeço por aquele momento, pelo amigo e pelo prazer de apreciar a sua fantástica obra. No que depender de mim, muitos brasileiros ainda vão ter essa alegria, pois Jorge Palma, com sua irreverência e sua música, tem tudo a ver conosco.&lt;br /&gt;Enquanto isso, o jeito é mesmo baixar pelo eMule ou importar os cds. Mas, assim como tantos artistas brasileiros encantam Portugal, por que é que um português de tal envergadura não há de conquistar o Brasil, pelo menos musicalmente?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6530148344646040646?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6530148344646040646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6530148344646040646' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6530148344646040646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6530148344646040646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/05/h-um-ano-atrs.html' title='Há um ano atrás...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SCctx8QFBKI/AAAAAAAAAVU/Lb15Ja2C220/s72-c/carantonha-lipezito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-9024811143195274109</id><published>2008-05-02T21:07:00.007-03:00</published><updated>2008-05-04T02:00:39.512-03:00</updated><title type='text'>Palmas, palmas...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SButFRT7buI/AAAAAAAAATo/ucCgKbh01yI/s1600-h/Vicente-piano.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SButFRT7buI/AAAAAAAAATo/ucCgKbh01yI/s320/Vicente-piano.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195936901159939810" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Vicente Palma ao piano, em Odemira&lt;br /&gt;Foto: &lt;a href="http://bloguepalmaniaco.blogspot.com/"&gt;Blogue Palmaniaco&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No encarte do cd "Tempo dos Assassinos", gravação histórica de uma série de três espetáculos de Jorge Palma no Teatro Villaret, nos dias 21, 22  e 23 de junho de 2002,  há uma frase emblemática em meio aos agradecimentos:  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bem-vindo, Vicente!&lt;/span&gt; A temporada do Villaret marcava a iniciação do filho Vicente Palma, então com seus 19 anos, na condição de músico da banda do pai.&lt;br /&gt;Hoje, em pleno voo diurno, Vicente tem despontado com suas genuínas qualidades e talentos, tanto nos primeiros trabalhos solo como em duetos cada vez mais celebrados com um orgulhoso pai. Os momentos em que o filho está ao piano e o pai na guitarra, em particular, têm emocionado palmaniacos de várias safras, segundo me relatam.&lt;br /&gt;Conheci o Vicente em Coimbra, durante um jantar com a produção. Chegou junto com o irmão Francisco, doze anos. Os dois circundaram a  longa mesa para cumprimentar um a um todos os músicos, como elegantes cavalheiros - e beijaram as senhoras! Fiquei encantada no ato, e mais ainda ao observar, algum tempo depois, os dois irmãos juntos. Vicente e Francisco são cúmplices e brincam, literalmente, como se fossem ambos crianças, em determinados momentos. Mas a atitude protetora e carinhosa do mais velho se enuncia o tempo todo, coisa bonita de se ver.&lt;br /&gt;Vicente não é, em absoluto, um menino: tem autonomia no palco, uma voz clara e forte, parecidíssima com a do pai e, ainda assim, bem sua. É claro que para os pais os filhos são sempre crianças, mas, entre ele e Jorge Palma, a coisa é mesmo de homem pra homem - com carinho de pai e filho. Os dois se entendem muito bem musicalmente, e o abraço do final sempre mostra que a ternura anda lado a lado com a partitura.&lt;br /&gt;Soube pelo meu amigo Tiago Branco - a quem devo a felicidade de ter conhecido Jorge Palma, nunca me canso de dizer - que, no recente concerto de Setúbal, os  dois &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arrebentaram.&lt;/span&gt; Calma,  gente; no atual jargão da nossa juventude brasileira, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arrebentar &lt;/span&gt;quer dizer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mandar muito bem&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arrasar geral&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bombar... &lt;/span&gt;Tudo bem, sem querer confundir ainda mais, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;arrebentar&lt;/span&gt; equivale a dar um verdadeiro show de talento e beleza.&lt;br /&gt;Aplaudo e acredito. Pelo pouco que vi no ano passado, sinto a força do Vicente Palma, que mesmo estando ao lado do grande Jorge Palma, seu pai, sabe ser ele mesmo. Sinto que viverá sua própria vida com o talento que está nas veias, o sangue afinal sempre fala muito. Gosto de ver o carinho e o cuidado que sempre demonstra com o pai, a amizade, a cumplicidade artística - atitudes que cultiva e que deixam transparecer a educação esmerada. Berço é berço, afinal!&lt;br /&gt;Vicente Palma é um nome forte. Felizmente a rigorosa (e fabulosa!) lei onomástica portuguesa livrou-o de se chamar Castor, o nome escolhido pelo pai, que depois virou apelido e acabou imortalizado na doce canção de mesmo nome, com a qual Jorge Palma celebrou regiamente o filho recém-nascido - com direito ao chorinho real da criança, um charme a mais na gravação original.&lt;br /&gt;Não direi que Vicente segue os passos do pai porque os pais sempre influenciam, de alguma forma, as escolhas dos filhos, seja na mesma direção ou em sentidos diametralmente opostos. Acho, antes, que aprendem juntos e caminham juntos de muitas formas, mas sabem perfeitamente dar um ao outro o espaço necessário para viverem intensamente os seus melhores sonhos e talentos.&lt;br /&gt;Palmas, Palmas... palmas pra eles, sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-9024811143195274109?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/9024811143195274109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=9024811143195274109' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/9024811143195274109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/9024811143195274109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/05/palmas-palmas.html' title='Palmas, palmas...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SButFRT7buI/AAAAAAAAATo/ucCgKbh01yI/s72-c/Vicente-piano.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5896080315688742326</id><published>2008-04-20T20:34:00.004-03:00</published><updated>2008-04-20T21:38:50.572-03:00</updated><title type='text'>Lendas da lógica portuguesa</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAvgBZCI0gI/AAAAAAAAAR4/-j_P3R1Aq1k/s1600-h/brasil-portugal.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAvgBZCI0gI/AAAAAAAAAR4/-j_P3R1Aq1k/s320/brasil-portugal.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191489309978972674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brasil e Portugal - Foto &lt;a href="http://www.pontosdevistas.net/pv/index.php?showimage=233&amp;amp;o=a"&gt;daqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O velho costume que os brasileiros têm de contar piada de português é uma tradição imorredoura. E nós nos divertimos com isso, sim! Desde que era pequena escuto piadas que têm como personagens os patrícios. Meu tio Celeste, então - uma figura inesquecível - era mestre em contá-las. Algumas eram mesmo longas e intrincadas  para o entendimento de uma criança pequena como eu na época, mas mesmo assim eu gostava (mas essas conto outra hora, porque é preciso reconstituí-las com a ajuda  da memória da família).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógica portuguesa&lt;/span&gt;, numa tradução bem-humorada, é o entendimento que eles têm (em geral diverso do nosso) de determinadas situações ou circunstâncias. O Alvaro, um grande amigo e ex-colega de trabalho, filho de portugueses, além de imitar à perfeição o sotaque lusitano, é capaz de cometer muitas piadas. Tem uma adorável, para mim um grande exemplo da dita lógica: o brasileiro, hospedado num hotel em Portugal, desejava mandar flores a alguém no domingo. Dirige-se então à floricultura na sexta-feira e pergunta:&lt;br /&gt;- Vocês fecham aos domingos?&lt;br /&gt;- Não, não fechamos - é a resposta. Satisfeito, retorna ao hotel.&lt;br /&gt;Na manhã de domingo, após o café da manhã, sai todo contente rumo à floricultura - e encontra a loja fechada!&lt;br /&gt;Na segunda-feira chega cedo à loja, muito aborrecido, para reclamar.&lt;br /&gt;- Não entendo - bufa. - O senhor me disse que não fechava aos domingos, no entanto vim aqui ontem e dei com o nariz na porta! O que é que o senhor me diz?&lt;br /&gt;- Meu caro senhor, é verdade: não fechamos aos domingos!&lt;br /&gt;- Mas como não fecham? Ontem estavam fechados!&lt;br /&gt;E o homem, com toda a convicção:&lt;br /&gt;- Não fechamos aos domingos porque não abrimos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ele, isto é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;lógico&lt;/span&gt;; para nós, não. Para um brasileiro, "não fechar" uma loja significa mantê-la aberta, só isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pude constatar, recentemente, que a lógica portuguesa pode ser contagiosa. Não, não é piada, embora tenha lá a sua graça. E aconteceu comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro dia, pedi a uma amiga de Portugal que fizesse um pagamento para mim na terrinha, mediante o recebimento de uma quantia que eu lhe enviaria pelo rapidíssimo sistema Western Union, via Banco do Brasil. Ela então resolveu fazer o pagamento de uma vez, visto que o dinheiro levaria apenas 20 minutos para chegar a Portugal, pelo sistema que escolhi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui ao banco e, já experiente nesse tipo de remessa, enviei o dinheiro rapidinho, peguei o comprovante e tirei o assunto da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uns quinze dias depois, recebo dela um email todo tímido, perguntando se "tinha havido algum problema", pois não recebera nada. Passado o susto inicial (ai meu Deus, onde é que esse dinheiro foi parar?), lembrei-me de perguntar se ela já tinha ido aos Correios buscar o dinheiro (é assim que o sistema funciona). Disse-me que não, que estava à espera de que chegasse algum papel ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ahhhh..., pensei eu, com um leve risinho de complacência). Lembrava-me de ter dito que ela precisava ir aos Correios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, outro email: - Olha, deram-me um lindo formulário onde preciso inserir um código...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, desculpa!... Claro, o código!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ai, que vergonha! Que nem o espelho veja quão vermelha devo estar!, pensei, imaginando no rosto dela um riso igual ao meu da véspera).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri à pasta de documentos, copiei o código, meti num email e mandei. No dia seguinte, num correio intitulado AS TOTÓS - CAPÍTULO FINAL, informou-me que recebera condignamente o dinheiro, sem qualquer delonga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moral da história: é bom não prejulgar a lógica portuguesa alheia, pois ela pode estar mais dentro da gente do que imaginamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5896080315688742326?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5896080315688742326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5896080315688742326' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5896080315688742326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5896080315688742326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/04/lendas-da-lgica-portuguesa.html' title='Lendas da lógica portuguesa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SAvgBZCI0gI/AAAAAAAAAR4/-j_P3R1Aq1k/s72-c/brasil-portugal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-2623828822198246914</id><published>2008-04-10T22:59:00.008-03:00</published><updated>2008-04-11T16:11:55.158-03:00</updated><title type='text'>Os bons olhos de Pedro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_7PiV0wvUI/AAAAAAAAARM/iy7tYRYCnZE/s1600-h/pa_campo%2Bpequeno3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_7PiV0wvUI/AAAAAAAAARM/iy7tYRYCnZE/s320/pa_campo%2Bpequeno3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187812009658334530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Foto: &lt;a href="http://pedro_abrunhosa.blogs.sapo.pt/"&gt;Blog oficial&lt;/a&gt; Pedro Abrunhosa e Bandemônio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nessa minha aproximação recente com a música de verdade que se faz hoje em Portugal, meus caminhos se cruzaram eventualmente com a obra de um artista peculiar: Pedro Abrunhosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Comecei ouvindo algumas canções, oferecidas por amigos de diferentes gostos e bagagens. De algumas gostei, de outras nem tanto. Mal eu sabia, porém, que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;ouvir&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;ver&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Pedro Abrunhosa seriam duas experiências absolutamente distintas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos clips do YouTube ou em fotos, levei o susto inicial que todo mundo leva: por que diabo esse gajo está permanentemente com uns óculos escuros tipo "tala-larga", Matrix ou coisa no gênero, no rosto? Como tenho muito prazer em sentir os olhos das pessoas, a tal viseira cibernética, confesso, me incomodava um pouco.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ocorre que, como dizem os portugueses, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;calhou&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; de eu ter a oportunidade de topar com Pedro Abrunhosa na Queima das Fitas de Coimbra, em maio de 2007, exatamente no mesmo dia em que conheci o Jorge Palma. Abrunhosa e sua &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Bandemônio&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; iriam apresentar-se logo depois dele e, na porta do camarim do Palma, acenou-me por trás do vidro blindado que trazia no rosto (o que pouco quer dizer, pois do lado de cá da fortaleza eu jamais conseguiria saber se ele chegou a ver-me ou não). De passagem para o palco, envergando um agasalho fechado até o pescoço e cercado de seguranças, o proverbial microfone à la Madonna já devidamente acomodado, abraçou afetuoso o Jorge e lançou em minha direção o tal aceno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Acabei descendo para espiar um pouco o show. E é inacreditável a pirotecnia com que toma o palco de assalto, com um gestual plenamente compreendido e estimulado pelos fãs à beira do delírio. A apresentação tem direito a tudo: corinho de vozes femininas, iluminação elaborada, muito clímax e empolgação. E os óculos do Robocop sempre lá, que coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aquele êxtase todo logo me cansou; distraí-me a observar os estudantes, seus uniformes e as bebedeiras normais em eventos assim. Lá para as tantas, porém, Abrunhosa modificou o ritmo das coisas e aproximou-se muito de ser alguém real (sem contar os óculos, claro). E foi no momento em que dirigiu-se ao piano é que o compreendi um pouco melhor. Se não fosse o portal eletrônico do universo paralelo que lhe toldava o rosto e o impedia de partilhar a emoção que os poucos traços do rosto deixados de fora denunciavam, teria sido uma bela viagem. Ali ao piano, só com suas canções e poemas, Pedro Abrunhosa enfim falava a minha língua.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aquela história dos óculos, contudo, me parecia um tanto ridícula. Toda a gente em Portugal, porém, dizia que &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;"é o marketing, a persona dele".&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;"Olha que ninguém jamais lhe viu os olhos..."&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Fiquei a pensar em como alguém capaz de escrever canções tão íntimas como as que executara ao piano, podia adotar uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;persona&lt;/span&gt; tão diametralmente oposta àquela natureza cândida, tão recatadamente preservada da curiosidade alheia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Um dia, ouvia um programa de rádio e lá estava o Pedro, engraçado e gaiatíssimo, como convidado especial, perturbando o juízo de todo mundo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Não entendo nada desse cara&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, pensei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mas um dia, um dia assim sem mais nem porquê, tive a chance de ver duas fotos (antigas, claro) do rapaz sem os óculos! Nuzinho no corpo da face!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Naquele momento entendi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com olhos, é doce e direto; é menino, tem ares de amigo, é possível e perceptível. Sem olhos é distante de si mesmo, o ar até agressivo, como se estivesse acima das coisas prosaicas da vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com olhos é comum, mortal, gente - alguém que poderia passar por nós na rua sem ser notado. Há um tênue acanhamento, uma coisa encabulada e generosa que ninguém pode ver sem sentir vontade de botar no colo, acudir, contar história para dormir. Sem olhos, brande uma espada de luz a braças e braças de distância de todo mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pedro Abrunhosa é, sim, dado a ares teatrais, mas essa não é a sua verdade, sinto-o. A &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;persona&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; deve ser incômoda e sufocante como um escafandro precisando de reparos. Com olhos, é a pessoa que gosto de imaginar ao piano, dedilhando romanescamente os sentimentos que toda a gente tem, num momento ou noutro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Cheguei à minha própria conclusão sobre aquele Pedro que oscila entre o espelho do coração e a tentação de Darth Vader. Talvez pense que só a &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;persona&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; o faz forte, o que seria um erro; forte ele é ao piano, entranhado nas canções,  totalmente humano e próximo como alguém que bebe à nossa mesa. Ou talvez ache que os bons olhos boiados de eterno não sejam tão especiais quanto a máscara da face. Mas eu garanto que são, são sim. Mais que isso: destilam sinceridade e o tornam muito mais resplandecente do que aquele polimento vítreo, escuro e impessoal que tomou conta da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;persona&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Olhar para uma foto com olhos e depois para outra sem olhos faz a gente imaginar que alguém tenha lhe sugado a alma e condenado a vagar atado à escuridão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sinceramente? Vou adorar se, um dia, receber a notícia de que o talentoso Pedro Abrunhosa finalmente resolveu dar uma chance bem grande aos seus bons olhos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-2623828822198246914?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/2623828822198246914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=2623828822198246914' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/2623828822198246914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/2623828822198246914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/04/os-bons-olhos-de-pedro.html' title='Os bons olhos de Pedro'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R_7PiV0wvUI/AAAAAAAAARM/iy7tYRYCnZE/s72-c/pa_campo%2Bpequeno3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-753572062762516941</id><published>2008-03-16T12:34:00.007-03:00</published><updated>2008-03-16T14:18:31.391-03:00</updated><title type='text'>Pimpinella e o trovador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R91P2wpchtI/AAAAAAAAAM0/B6xckilan7Y/s1600-h/Pimpinella-Gaia3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R91P2wpchtI/AAAAAAAAAM0/B6xckilan7Y/s320/Pimpinella-Gaia3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178382948736206546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Gaivotas em Gaia - Foto: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Tenho um amigo que é a própria poesia em figura de gente. E é poeta até nas pequenas coisas, no mais prosaicos detalhes do dia a dia. Amo ouvir as suas histórias, que sempre dão cores novas a qualquer circunstância, por mais ínfima que seja.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Pois outro dia conversávamos de madrugada, ao seu melhor estilo notívago e romântico; hospedado num excelente hotel no Algarve, contou-me que, naquela manhã, recebera em seus aposentos uma inusitada visitante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Tinha acordado um pouco mais tarde; pediu o café da manhã no quarto (para os portugueses, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pequeno almoço)&lt;/span&gt; e estava a fazer a barba quando foi surpreendido por ninguém menos que uma gaivota, ao vivo e a cores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Fiquei surpreso! E é um bicho grande, sabes? De repente lá estava ela pousada, olhando para mim tranqüilamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;A figura entrou pela varanda e serviu-se, sem qualquer cerimônia, de alguns acepipes do desjejum do meu amigo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Logo que a vi, senti que se chamava Pimpinella!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;(Só mesmo ele para sair-se com um nome assim).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Pimpinella, recém-batizada, bateu as asas e voou, mas voltou pouco depois e ficou a fitar o meu amigo com olhos compridos de mar. Ele ficou impressionado com o tamanho e a pachorra da criatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Pimpinella, olá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Dali a pouco, voou de novo. E quando ele já estava a sossegar, eis que ela retorna, como se a casa fosse mesmo sua!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Eu já estava pensando em dizer, “Olha, senta-te aí, aceitas algo mais?” – ria-se, divertido e intrigado com aquele vai-e-vem. (A essa altura penso eu que já estava maquinando dedicar-lhe alguma canção trovadoresca.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Pimpinella passeou as amplas patas pelo quarto, as asas bem organizadas, o mesmo olhar cheio de lonjuras. Não se interessou mais pelo pequeno almoço, que já ia à metade; e quando finalmente decidiu partir, deixou como lembrança uma discreta caganita no beiral da varanda.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;- Podes imaginar um bicho desses assim, à-vontade, no quarto da gente? – admirava-se, sempre a rir muito. – Acho que amanhã vou pedir uns extras no pequeno almoço, sabe-se lá se não resolve voltar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Imagino Pimpinella de volta ao bando, a contar para as outras gaivotas sobre o seu amoroso encontro com um autêntico membro da espécie poética.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;- &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Gostei do sujeito&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; – decerto diria, em idioma gaivotês. – &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Não me enxotou, correspondeu aos meus olhares, nem se incomodou por eu ser uma simples ave! Até falou comigo! E deixou-me comer à vontade! Aquele, sim, é o que os humanos chamam um cavalheiro! Sei lá, talvez vá visitá-lo de novo... e nem sequer sei o seu nome...&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-753572062762516941?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/753572062762516941/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=753572062762516941' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/753572062762516941'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/753572062762516941'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/03/pimpinella-e-o-trovador.html' title='Pimpinella e o trovador'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R91P2wpchtI/AAAAAAAAAM0/B6xckilan7Y/s72-c/Pimpinella-Gaia3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4454253509181123758</id><published>2008-03-02T15:14:00.014-03:00</published><updated>2008-03-02T19:05:14.153-03:00</updated><title type='text'>Rosa portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt; &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8rzAMt4VPI/AAAAAAAAAMs/np_dYcEkmzg/s1600-h/rosa1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8rzAMt4VPI/AAAAAAAAAMs/np_dYcEkmzg/s320/rosa1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5173214306727646450" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Rosa de Serralves - Foto: Maurette Brandt&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Para Vera&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Pra ti eu guardei essa rosa, eternizada no jardim de Serralves. Ainda não sabia que seria tua, mas o dia de hoje me mostra o que não via ainda, quando a fotografei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia conheci uma menina travessa, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fogueta&lt;/span&gt;, inteligente e irrequieta que sabia mudar, senão o mundo, pelo menos a cor dos dias. Isso, sim, ela fazia como ninguém. Um dia o chamado de além-mar foi mais forte que o canto de qualquer sereia, e lá foi ela reassumir uma história ancestralmente desviada. O que foi difícil no começo serviu apenas para temperá-la para o melhor que viria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estás triste, debulhada entre um alívio que dói e um vazio antes impensável. E eu, que tudo acompanhei por obra do destino, guardei-te essa rosa. Se reparares bem, verás que se parece contigo; é bem portuguesa, tanto quanto és &lt;span style="font-style: italic;"&gt;portusileira&lt;/span&gt;; nasceu num grande berço da cultura; é feita de tons de rosa-esperançoso; e sabe sorrir, olha bem como sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém jamais percebe, na exata medida, o que vai na alma do outro, por mais íntimo que seja ou pense ser. No máximo, a gente pode conhecer o seu jeito de sentir e demonstrar (ou não). Quis a vida que o nosso reencontro fosse justamente num momento em que uma de nós precisava de apoio e a outra podia oferecer. Apoio numa língua de sinais antiga, com gosto de rebeldia, inacessível a quem quer que estivesse por perto. Precisei muito de ti para decifrar amorosamente o teu Portugal, e depois o meu, esse que fui construindo durante a viagem e continuo a decorar e reformar. E, felizmente para mim, pude ser uma espécie de ponte entre os teus mundos e o oceano, entre a memória e a realidade que te trazia mais luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que posso fazer hoje é abraçar-te de longe, e forte. É oferecer-te a rosa que criei. É estender o ombro por sobre o mar e alcançar-te. Uma vez um amigo me disse que ninguém pode viver a vida do outro, o que se pode é tentar amenizar quando a barra pesa muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tua rosa é um sinal de tempo bom, é uma imagem de beleza que guardei do caminho. Não precisa de água, sol ou carinho, não precisa de nada porque já terá perdido essa forma e o viço da cor. No entanto, lá está, em todo o seu fascínio e esplendor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que todas as coisas efêmeras possuem uma eternidade própria e grandiosa, que lhes guarda as propriedades essenciais. Assim como a rosa, tudo o que passa, de algum modo, fica. E continua a construir no rastro de luz que deixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Efêmera é a rosa, mas não a sua beleza; efêmeros são uma voz, um corpo, mas não aquilo que os torna especiais aos nossos olhos e ouvidos, o que deles se evola e fica eternamente no coração. Quando eu voltar a Serralves, haverá decerto outras rosas. Ainda sim, a essência da tua rosa brilhará, resplandecente, pelo canteiro todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero que a rosa se abra em doce perfume à tua volta e encha o teu coração de esperança viva. Da certeza de dias mais bonitos, firmes e frescos. E de momentos em que a eternidade das coisas e pessoas que amamos venha brincar conosco de roda, a rir um riso de criança, com cheiro de pão quentinho e de uma saudade boa.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4454253509181123758?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4454253509181123758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4454253509181123758' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4454253509181123758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4454253509181123758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/03/rosa-portuguesa.html' title='Rosa portuguesa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8rzAMt4VPI/AAAAAAAAAMs/np_dYcEkmzg/s72-c/rosa1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-301804799807094424</id><published>2008-02-26T10:17:00.007-03:00</published><updated>2008-02-28T20:56:58.754-03:00</updated><title type='text'>Sustos e alegrias em português</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8dHTpay3WI/AAAAAAAAAMk/k2-ImpQSOOg/s1600-h/linguaportuguesa-generator.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8dHTpay3WI/AAAAAAAAAMk/k2-ImpQSOOg/s320/linguaportuguesa-generator.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5172181099919629666" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Imagem: &lt;a href="http://www.typogenerator.net/"&gt;TypoGenerator&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;" &gt;Há semanas que estou engolfada na Gramática: participo da quarta edição do &lt;a href="http://www.linguaportuguesa.aeiou.pt/"&gt;Campeonato da Língua Portuguesa&lt;/a&gt;, uma invenção interessante do jornal Expresso, de Portugal. O Tiago Videira lançou-me o desafio - e cá estou, entre a grafia e a sintaxe, pronta para surpreender-me várias vezes por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Campeonato compõe-se de três testes escritos, após os quais 200 felizardos prestarão um exame no auditório do Centro Cultural de Belém, que determinará os vencedores em três categorias etárias. Os prêmios são apetitosos: uma viagem ao Egito com acompanhante, para que o primeiro colocado possa conhecer a Biblioteca de Alexandria. O segundo e o terceiro também ganham ótimas viagens, a Londres e Madrid, respectivamente, para visita à terra de Shakespeare e refazer o percurso de Dom Quixote de La Mancha. Fora isso, todos os premiados ganham mil e um livros, dicionários e assinaturas do portal luso de pesquisa &lt;i&gt;Infopedia&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que comecei confiante demais - e fui mal no primeiro teste. É verdade que não estudei nem pesquisei o suficiente; mas as diferenças de uso da língua no Brasil e em Portugal contribuíram para o resultado. Espantei-me ao perceber que, numa mesma língua, há regras gramaticais diferentes de um país para o outro. E não estou falando de grafia de palavras. Apesar de o regulamento do Campeonato alegar que essas diferenças são levadas em conta na hora da correção, as coisas não são bem assim. Uma das minhas respostas foi considerada errada porque, em Portugal, as formas do verbo haver acrescidas de "de" levam hifen, enquanto no Brasil essa prática constitui erro gramatical. Aqui escreve-se "hei de vencer", não "&lt;i&gt;hei-de&lt;/i&gt; vencer".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de admitir que sou uma pessoa crédula, em muitos aspectos. Sempre levei a maior fé no propalado Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que continua a ser objeto de muita discussão. Sete dos oito países onde o português é o idioma oficial já o assinaram; a única exceção é São Tomé e Príncipe. No entanto, como já dizia Rui Guerra em &lt;i&gt;Calabar&lt;/i&gt;, há distância entre intenção e gesto: embora sete países concordem com os termos do dito Acordo e tenham a &lt;i&gt;intenção&lt;/i&gt; de implementá-lo, o gesto, em si, ainda não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assinado em dezembro de 1990, o Acordo deveria estar em vigor desde 1994. No entanto, não poderíamos estar mais longe disso. Tenho uma grande amiga que morou seis anos em Portugal e, apesar de ser respeitada como profissional e como pessoa na terrinha, cansou de ouvir coisas do tipo: &lt;i&gt;- Tu és burra! Tu não sabes falar!&lt;/i&gt; Até hoje ela não se conforma com o fato de os portugueses usarem a expressão &lt;i&gt;mais pequeno&lt;/i&gt;, que toda criança brasileira aprende como um dos mais graves erros gramaticais básicos do idioma: o correto, para nós, é &lt;i&gt;menor&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há pouco tempo, em pesquisa na Internet, encontrei algumas matérias jornalísticas sobre a questão do Acordo Ortográfico. Numa delas, extraída de uma conceituada revista brasileira, alguém deu um depoimento interessante: &lt;i&gt;- Portugal trata o idioma português como se fosse propriedade sua.&lt;/i&gt; Concordo, sem querer polemizar; acho que as diferenças regionais (e aqui no Brasil, que é tão grande, elas são imensas) devem ser respeitadas. No entanto, é fundamental que todas as linhas da Gramática digam a mesma coisa no Brasil, em Portugal, em Angola, no Timor Leste... enfim, em todos os oito países que se orgulham por integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a CPLP.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por enquanto não é assim, e talvez a sonhada unificação da Gramática seja afinal uma utopia. Mas continuo a acreditar numa diversidade saudável, que preserve o pitoresco de cada cultura e nos dê espaço para rir, brincar e aprender uns com os outros. O incrível Manuel Alegre, dublê de poeta, escritor e político em Portugal, desabafou durante um encontro memorável com Lygia Fagundes Telles, na Bienal do Livro: "Mudem o que quiserem, mas por favor, não me tirem o "c" de &lt;i&gt;facto&lt;/i&gt;!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal, uma notícia é um &lt;i&gt;facto&lt;/i&gt; e uma roupa é um &lt;i&gt;fato&lt;/i&gt;: fato de banho (maiô ou sunga), fato formal (terno) e por aí vai. Até aí, tudo bem, trata-se de uma diversidade de uso e ambas as formas escritas são admitidas. Mas dizer que a palavra &lt;i&gt;cotidiano&lt;/i&gt;, assim escrita, é um erro só porque a forma não é usada em Portugal, onde ainda se escreve &lt;span style="font-style: italic;"&gt;quotidiano&lt;/span&gt;, não me parece justo. O Brasil aboliu a grafia etimológica - "ph" por f, "cç" por "c", como em &lt;i&gt;phosphoro&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;direcção&lt;/i&gt; - em 1930. Por que é que Portugal não pode pelo menos aceitar as simplificações feitas a partir de profundos estudos filológicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante, quando se trata do idioma, é mesmo o uso real que os cidadãos fazem dele no dia a dia. Disso ninguém escapa e, apesar de os filólogos adorarem discutir as minúcias, o que vale é a língua praticada pelas pessoas. Não há dicionarista no mundo capaz de segurar esse processo apenas com base na legislação. Por isso é que a questão do Acordo Ortográfico do nosso idioma deve passar pelo crivo dos cidadãos, se é que deseja vir a funcionar um dia. Acho que as teorias devem deixar os gabinetes e passar a freqüentar as escolas, ser discutidas por professores e alunos, organizações comunitárias. Por que as nossas escolas secundárias e universidades - brasileiras, portuguesas, africanas, timorenses - não fazem mais intercâmbio nesse sentido? Se a questão for tratada pelas escolas desde sempre, como um tópico da Língua Portuguesa a ser ensinado às crianças, as diferenças serão melhor percebidas por um e outro público, o que tornará mais fácil a comunicação. É preciso que não nos agarremos a grafias e conceitos como se fossem &lt;i&gt;nossos&lt;/i&gt;; mais do que nunca, é importante aprender a flexibilizar e a aceitar acréscimos, incorporações e mudanças, partindo do princípio de que existem milhares de pessoas, em países e culturas distintas, que falam pelo menos um pouco como nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo dizer que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, tal como está sendo proposto, é bastante generoso. Dei-me ao trabalho de lê-lo inteiro, e as mudanças que se pretende são mínimas e muito possíveis. Até o final da década de 1970, por exemplo, aqui no Brasil escrevíamos &lt;i&gt;notòriamente&lt;/i&gt; com um acento grave. Quando esse acento foi abolido, foi difícil reaprender a escrever palavras que já estavam arraigadas, mas todo mundo se adaptou sem maiores prejuízos - e com ganhos para a beleza da língua escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mais do que na hora de informarmos a nossa população sobre o que pretende o Acordo, em vez de rechaçá-lo em nome de normas às quais estamos exageradamente aferrados. Uma gramática comum traria não só benefícios a quem aprende, mas facilitaria sobremaneira o trâmite comercial e o intercâmbio cultural entre os países.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto essas coisas não acontecem, seguimos todos rindo, brincando e festejando a alegria imensa que é ter nascido em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, em tempo: no segundo teste, acertei todas as questões menos uma... e ao terceiro, que ainda não entreguei, dedico-me como nunca! Não serei uma das duzentas pessoas selecionadas para a etapa final da competição, mas já me sinto em treinamento para o certame do ano que vem!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-301804799807094424?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/301804799807094424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=301804799807094424' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/301804799807094424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/301804799807094424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/02/uma-lngua-muitas-surpresas.html' title='Sustos e alegrias em português'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R8dHTpay3WI/AAAAAAAAAMk/k2-ImpQSOOg/s72-c/linguaportuguesa-generator.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6439194730830225591</id><published>2008-02-16T16:38:00.006-02:00</published><updated>2008-02-26T10:34:07.146-03:00</updated><title type='text'>E com vocês...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/YcqauC49Xmc&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/YcqauC49Xmc&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.jimcroce.com/"&gt;Jim Croce&lt;/a&gt;, I got a name (1973)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em meados de 2006, quando começou a minha paixão instantânea pela música de Jorge Palma - que por via de conseqüência levou a uma intensa e permanente vivência das coisas portuguesas - dediquei-me a ouvir, sem parar, tudo o que me caía nas mãos da sua obra musical e poética. Ouvia para aprender, conhecer, explorar... e quanto mais ouvia, mais gostava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos fui compreendendo as suas referências, as doses calculadas (ou não) de lirismo e fado, folk'n'rock, jazz, blues, samba até. E suas canções começaram a tomar conta do meu espaço íntimo musical. Acho que sempre acontece isso quando a gente descobre um talento tão grande assim: a afinação do espírito só obedece àquela música por um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nesse meu percorrer e estudar as composições do Jorge, um dia ouvi uma canção chamada "A estrada do sucesso", em que ele fala das glórias e desditas de quem entrega sua alma à arte de cantar. É um pouco o que Milton Nascimento exprime em sua antológica "Nos bailes da vida": &lt;span style="font-style: italic;"&gt;todo artista tem que ir aonde o povo está...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ao ouvir essa canção, senti um estalo no peito. E um estalo antigo mesmo. Naquela faixa especificamente, a voz do Jorge Palma se assemelhava muito à de um cantor folk americano que sempre apreciei: Jim Croce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conheço! - surpreendeu-se o próprio Jorge uma noite, quando conversávamos em Lisboa, no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jim Croce foi um sujeito singular: sincero, forte, cantava as coisas da sua tradição, as coisas de uma vida tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;road movie&lt;/span&gt;. Era um típico jovem da geração 70, que amava guitarras e era apaixonado pelo interior de seu país, com seus tipos curiosos e aquela violência visceral que é tão bem esmiuçada por Ang Lee no filme &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Brokeback Mountain"&lt;/span&gt; (já lendário por todos os motivos, inclusive a recente e trágica morte do talentoso Heath Ledger, um dos protagonistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 1943, Croce fez bicos - perdão, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;biscates&lt;/span&gt; - em praticamente todas as profissões antes de entregar-se à música; casou-se em 1966, teve um filho em 1971 e morreu tragicamente em 1973, na queda de um avião, após um show. Viveu apenas 30 anos, mas sua música deixou marcas definitivas em quem quer que a tenha ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim a conhecê-lo postumamente, em 1975, quando fazia intercâmbio nos EUA. Lembro que comprei um disco cuja capa era a comovente fotografia do filho anda pequeno, brincando com o chapéu de cowboy do pai. Mesmo não sendo uma admiradora tão ardorosa assim do folk'n'rock, a sua música me tocou. Até hoje tenho o vinil, por sinal em perfeito estado e passível de ser reproduzido em meu toca-discos (sim, você ouviu direito) Sony, uma herança que mandei reconstituir peça por peça e que hoje é um tesouro razoavelmente cobiçado. E não admira, pois apesar do cd e das revoluções tecnológicas por que a música tem passado, a qualidade do som do vinil é realmente insuperável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a voz de Jim Croce estava na alma - e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bateu&lt;/span&gt; na memória no exato instante em que ouvi "A estrada do sucesso". Não digo que as vozes sejam sempre parecidas, ou que a música do Jorge tenha alguma relação com a do Jim; no entanto, nessa canção especificamente,  o timbre e a entonação do Jorge me trouxeram à mente alguns momentos da lendária &lt;span style="font-style: italic;"&gt;I got a name&lt;/span&gt;, que apresento acima, num vídeo que acabo de encontrar, quase por acaso, nessa fonte espetacular de atmosferas e recordações que é o YouTube.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com vocês, portanto, o Jim Croce que ficou no meu coração, com a versão original dessa canção que foi um dos seus maiores sucessos. O Jim que faz lembrar o Jorge que faz lembrar (às vezes) o Jim... e assim sucessivamente.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6439194730830225591?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6439194730830225591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6439194730830225591' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6439194730830225591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6439194730830225591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/02/e-com-vocs.html' title='E com vocês...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6572590087359520445</id><published>2008-02-09T22:17:00.000-02:00</published><updated>2008-02-10T17:37:03.820-02:00</updated><title type='text'>A matriz portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R65WFpay3LI/AAAAAAAAALQ/Ozr_GiVIkwU/s1600-h/armada-de-cabral.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R65WFpay3LI/AAAAAAAAALQ/Ozr_GiVIkwU/s320/armada-de-cabral.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5165160477658111154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Armada de Pedro Álvares Cabral - Acervo da Exposição &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Na véspera do último dia, antes tarde do que nunca, debrucei-me esta tarde sobre a LUSA. Não, não se trata da Portuguesa de Desportos, nem de uma conhecida agência internacional de notícias.  Falo da  exposição  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;LUSA - A  Matriz  Portuguesa&lt;/span&gt;,  que o Centro Cultural Banco do Brasil do Rio abriga desde 12 de outubro, e que eu, bem ao nosso jeitinho, quase perdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais do que vital vê-la, conhecer os meandros da formação da identidade portuguesa, nossa avozinha, para usar uma expressão do saudoso cronista Davi Nasser. Mas saí de lá com uma interrogação enorme boiando dentro de mim. A exposição, na qual embarcamos na Pré-História e saímos, refrescados, a ponto de pegar um barco às margens da Finisterra, vai muito além dos objetos arqueológicos, das ossadas, da multiplicidade de informações que atestam as presenças romana, islâmica, cristã e judaica, ou os avanços náuticos que levaram aos Descobrimentos. O seu principal ingrediente e fio condutor chama-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;miscigenação&lt;/span&gt;. E aí é que eu diria que a LUSA nos fala ao útero - e não no ouvido, indecisa e fugidia, mas com a maior energia, em alto e bom som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interrogação que trouxe comigo tem raízes numa desconfiança que, com a LUSA, só se acirrou: de uma possível relação entre a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;adaptabilidade&lt;/span&gt; do brasileiro, traduzida pelo jeitinho, e um certo traço muito parecido que observo na maioria dos portugueses que conheço. Ainda outro dia conversava sobre isso com um amigo português, e - surpresa! - descobri que, em Portugal, o jeitinho atende pelo impronunciável nome de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;"desenrascanço".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se há uma coisa que me irrita é ouvir uma criatura brasileira, mestiça-nascida-e-criada como todo mundo, falar mal do brasileiro. Reparem só como é engraçado: a pessoa nem se apercebe, mas parece que está falando de uma gente que não é a sua, parece não se incluir no contexto. É como se todo mundo tivesse um comportamento diferente do dela, "eu não", como se certas coisas fossem privilégio ou infortúnio dos outros, essa massa indistinta na qual, estranhamente, teimam em não se incluir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brasileiro sempre deixa tudo para a última hora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brasileiro joga papel no chão, mija nas paredes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Brasileiro desfigura as cidades, destrói tudo. Europeu não faz isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então aquele inevitável:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso aqui é Terceiro Mundo mesmo! - com ar de nojo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E pior ainda:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente é assim porque foi colonizado por português! Se fossem os ingleses, isso aqui seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou, pois, respirar fundo e fingir que eu mesma não me ouvi repetir esse amontoado de lugares-comuns consagrados pela falta do que dizer.  Vou começar logo pela última: sim, tudo teria sido diferente se não fossem os portugueses. De cara, a primeira diferença é que a gente não seria esse Brasil enorme, unificado e continental. Se não fosse D. João VI - aquele mesmo que é visto como um porco presunçoso, com coxas de frango por todos os bolsos - seríamos esquartejados e repartidos entre França, Holanda, Espanha e sabe Deus quem mais. As comemorações dos 200 anos da chegada da corte portuguesa têm sido um momento excelente para revermos a história e nos reposicionarmos: português é burro nada, é esperto pra caramba. D. João VI conseguiu dar a volta em ninguém menos que Napoleão Bonaparte, gente! O que a princípio pareceria uma covardia de quase-monarca - vale lembrar que ele ainda era príncipe regente na época - foi uma estratégia de invejável competência. Ao vir para cá, o futuro rei incorporou o espírito do imenso Portugal que tinha à sua frente e tratou de trabalhar para que as pecinhas se encaixassem e nenhum esforço fosse perdido. Remodelou o país - na verdade o Rio, como um protótipo do país - e lançou as bases para a unificação e a inevitável independência. Tá certo que a incipiente e heróica indústria nacional foi sufocada em nome dos compromissos com as ditas nações amigas, mas o fato é que chegamos a algum lugar. E se fossem outros os colonizadores? Será que teríamos o mesmo destino?  Duvido muito, dadas as características políticas do mundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de antão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A LUSA mostrou bem como os portugueses souberam se misturar aos outros povos. Portugal era o Finisterra - ou seja, o fim do mundo mesmo, tal como era conhecido até aquela época. D'além mar ninguém passava, e portanto o além-mar não era mais do que uma conjectura poética. Foram os nossos hábeis ancestrais que resolveram enfrentá-lo para ver o que havia do outro lado. E com isso os "outros" também aprenderam a chegar. Mas isso foi depois, porque no início eram os lusitanos, depois vieram os romanos. A primeira convivência deu certo, os portugueses ali se misturando, aprendendo e tudo o mais. Depois vieram os iberos, os islâmicos, os judeus. A sociedade evoluiu a partir da troca de conhecimentos e da miscigenação racial também. Laços de sangue e história começaram a se formar. Em suma, o povo adaptou-se, sucessivas vezes, às transformações que foram acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém ainda tem dúvidas sobre a origem do nosso &lt;span style="font-style: italic;"&gt;jeitinho&lt;/span&gt;? Não como pejorativo, pois seria um desrespeito, mas como manual de sobrevivência em tempos difusos? Não se enganem, brasileiros auto-excludentes: europeu também suja, também destrói, também erra. Da mesma forma, sabe acertar, ser competente, trabalhar e construir. Não existe raça sem valor, mas gente sem valores, e isso em todo lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento dos Descobrimentos é uma das delícias dessa magnífica exposição: de forma econômica e sem qualquer mania de grandeza, damo-nos conta da importância vital das Grandes Navegações para que o mundo adquirisse a configuração que tem hoje. Esse passo enorme não foi uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;joint-venture&lt;/span&gt;, um consórcio, uma fusão de multinacionais não, gente: foram eles mesmos, os portugueses que a nossa veia crítica encarcerou em piadas associadas à pouca inteligência. (Não estou dizendo que nunca ri, piada de português é irresistível, não há como negar.) A capacidade náutica, os mapas, os instrumentos e a tecnologia que eles desenvolveram foram muito além de uma revolução. Na verdade, foi a partida para a criação de um mundo que, separado, não existia: unido pelos caminhos do mar, passou a ter alma, nome, endereço e vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a nossa herança portuguesa é feita do bom e do ruim, isso é o que menos importa. Todo mundo é feito do bom e do ruim. O que vale mesmo é o que fica, e no baú desses tesouros tem a temperança para enfrentar dificuldades, a flexibilidade para aceitar o que é distinto e diverso pelo seu valor intrínseco, a percepção de que navegar sobre a inércia é preciso... Tanta, tanta coisa que nós, com a nossa alegria calorenta e espalhafatosa, tratamos de temperar e até devolver, sabendo alegrar os invernosos espíritos de muitos lusitanos que para cá vieram e nunca mais quiseram saber de outra vida. E de outros que vêm e vão, mas carregam um tantão de Brasil na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A LUSA vai embora amanhã, mas na verdade não vai. Em cinco meses de presença entre nós, deixou as pistas para procurarmos dentro da gente as pegadas desse destino bonito e digno do maior orgulho. Somos um grande Portosil, eles um pequeno Brasigal, e estamos aí para discutir os temperos, adoramos padaria, eles adoram uma praia e uma mulata, e viva nós todos do jeito que somos, belos e contraditórios, feitos com sangue de toda cor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6572590087359520445?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6572590087359520445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6572590087359520445' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6572590087359520445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6572590087359520445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/02/matriz-portuguesa.html' title='A matriz portuguesa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R65WFpay3LI/AAAAAAAAALQ/Ozr_GiVIkwU/s72-c/armada-de-cabral.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4020947607910651812</id><published>2008-02-08T20:39:00.000-02:00</published><updated>2008-02-08T20:52:52.560-02:00</updated><title type='text'>Umas vezes estou redondo, outras quadrado, outras cheio de picos, outras liquefeito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6zb267WylI/AAAAAAAAALA/rlsk43hc26Q/s1600-h/arlequim1915-picasso.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6zb267WylI/AAAAAAAAALA/rlsk43hc26Q/s320/arlequim1915-picasso.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5164744609264749138" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Pablo Picaso, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family: trebuchet ms;"&gt;Arlequim&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt; (circa 1915) - Coleção do MoMa/NY&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Como homenagem, uma crónica do António Lobo Antunes, um dos maiores autores portugueses, nessa sua fase cálida de vigorosa transparência, quase cristais de palavras, uma comovente proximidade da alma de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 1pt; line-height: 12pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O HOMEM QUE SE SENTIA LOSANGO&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 1pt; line-height: 12pt; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;António Lobo Antunes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-top: 1pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Umas vezes estou redondo, outras quadrado, outras cheio de picos, outras liquefeito, outras não estou sequer: deslizo por aí armado em nuvem&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Hoje pensava almoçar com os meus camaradas da guerra. Entrei no restaurante e não encontrei nenhum deles. Apenas o empregado que me barrara a saída umas noites antes porque me ia embora esquecido de pagar a conta. Desta vez sorriu-me. Se calhar continua convencido que eu não queria pagar. Bom, como os meus camaradas não estavam fui a uma pastelariazinha ao lado e pedi um miniprato de almôndegas, um copo de vinho branco, uma mousse de chocolate e um jornal qualquer. Não tirei os olhos do jornal até ao fim da mousse e não me lembro do que li porque levei o tempo inteiro a pensar na minha vida, isto é as ideias vagueavam sem se deterem entre episódios de antigamente e episódios de agora. E a mesma pergunta, sempre, o que fiz da minha vida, o que vou fazer da minha vida, isto numa pastelariazinha de bairro onde muitas pessoas, sobretudo mulheres, engolem qualquer coisa apressada e barata, de pé, apoiando-se ora num tornozelo ora no outro encostadas ao balcão. Os empregados, em mangas de camisa, cirandam a correr entre as mesas. Gosto de os ouvir gritar para a cozinha &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Sai isto, sai aquilo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;e das senhoras velhas, muito pintadas, que ocupam sempre o mesmo lugar, cheias de anéis nos dedos gordos. Não têm corpo, têm sucessões de pregas. Brincos que cintilam. Colares exagerados. E olhos graduados como réguas a medirem quem entra, de pestanas que parecem antenas. De vez em quando uma delas parte uma perna e encosta ao lado da cadeira canadianas majestosas. Pela abertura do gesso as unhas escarlates medem-nos também. De tempos a tempos folheiam revistas sobre divórcios de actores de telenovelas e outras criaturas correlativas, comentam, têm opiniões. Palavra de honra que faz impressão unhas escarlates a espiarem do gesso, cinco unhas de tamanho decrescente como elefantes alinhados numa prateleira: nas retrosarias não são caros. A seguir ao almoço, ao chegar aqui, o telefone tocava: uma voz feminina à procura do meu primo. Disse-lhe que não o tinha visto. Perguntou como podia encontrá-lo. Respondi que não sabia e sugeri-lhe que abrisse a janela e gritasse o nome dele. Podia ser que a ouvissem, Lisboa não é assim tão grande. Ficou a duvidar de mim, chegou ao ponto de insinuar que eu não falava a sério. Depois reflectiu melhor e concordou em experimentar. Se experimentou, pela minha parte não ouvi nada. Pode dar-se o caso de morar longe e assim sendo é provável que em Sintra ou na Amadora a hajam escutado. Isto se a não levaram para o hospital psiquiátrico ao segundo berro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Quando eu era pequeno, em Benfica, havia mães que chamavam os filhos dessa forma, ao fim da tarde. Aposto que até os bichos no Jardim Zoológico se arrepiavam todos, hienas incluídas. Mas essas são fáceis de arrepiar, andam sempre de pêlo levantado nos documentários da televisão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Antes de começar a pensar no livro, ou seja na morte da bezerra, liguei a um camarada meu: o almoço é para a semana. Interessou-se sobre como é que eu estava, eu que nunca sei como estou e sou incapaz de responder &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Vamos andando &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;sobretudo quando estou sentado &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Como estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;é uma bela questão. Normalmente respondo &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Sei lá &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;porque não gosto de mentir. E sei lá de facto. Umas vezes estou redondo, outras quadrado, outras cheio de picos, outras liquefeito, outras não estou sequer: deslizo por aí armado em nuvem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Como estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;e é impossível responder&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Deslizo por aí armado em nuvem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;de modo que me calo ou resmungo sons desconexos. Não sou de todo mau em sons desconexos, tenho anos de treino. Escrevo isto e sinto as almôndegas a conversarem comigo: despenharam-se-me na barriga feitas pedregulhos, rebolam cá por dentro num fundo de puré, meio dissolvido pelo vinho branco: é o que acontece a quem se mete com minipratos. Devia ter pedido bicos de rouxinol. Ou ter acertado no dia do almoço com os meus camaradas de guerra a lembrar os maus velhos tempos &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Sai uma de bicos de rouxinol para a mesa doze &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;e a cozinheira lá dentro a prepará-los.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Se me interrogarem&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Como estás?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;explico que não estou redondo nem quadrado. Neste momento acho-me mais uma espécie de losango.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Estou losango&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;quem interroga a olhar para mim sem entender:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Losango?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;e eu&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;- Sim, losango, nunca te sentiste losango?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="margin: 4pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt;Nunca se devem ter sentido losangos. Há alturas em que me acontece pensar que as pessoas são esquisitas mas deve ser problema meu. Aposto o que quiserem que é problema meu. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 1pt 0cm 0.0001pt; line-height: 12pt; text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4020947607910651812?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4020947607910651812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4020947607910651812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4020947607910651812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4020947607910651812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/02/umas-vezes-estou-redondo-outras.html' title='Umas vezes estou redondo, outras quadrado, outras cheio de picos, outras liquefeito'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6zb267WylI/AAAAAAAAALA/rlsk43hc26Q/s72-c/arlequim1915-picasso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-3543468083835638892</id><published>2008-02-03T18:56:00.000-02:00</published><updated>2008-02-03T19:34:58.940-02:00</updated><title type='text'>E já que é Carnaval...</title><content type='html'>&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/_Mq0XA1WmKU&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_Mq0XA1WmKU&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Aqui o inesquecível Zé Keti, sambista e compositor, interpreta sua marcha-rancho "Máscara Negra", um dos hinos do Carnaval brasileiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-3543468083835638892?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/3543468083835638892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=3543468083835638892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3543468083835638892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3543468083835638892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/02/e-j-que-carnaval_9761.html' title='E já que é Carnaval...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6286944103031888794</id><published>2008-01-31T23:41:00.000-02:00</published><updated>2008-02-01T10:30:45.402-02:00</updated><title type='text'>Ar-de Novembro (5) - Final</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;ao grande José Luís Peixoto, em nome da beleza&lt;br /&gt;com que nos incendeia os dias&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6KIrK7WykI/AAAAAAAAAK4/q6NddmnLR0Q/s1600-h/copamanhecer.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6KIrK7WykI/AAAAAAAAAK4/q6NddmnLR0Q/s320/copamanhecer.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5161838398169074242" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Copacabana, de manhã - Foto: &lt;/span&gt;&lt;a style="font-family: trebuchet ms;" href="http://www.flickr.com/photos/rabinal/"&gt;David J&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:85%;" &gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;acordarei entre os teus braços.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;o poema do José Luís Peixoto, pensou que era pra ela, a muitos nós de distância do tempo que ficou parado no mar de Iracema, nos lábios de Iracema que enfeitara para o amor, amor não quis, longe dos dias de silêncio e chamas, terna despedida, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style=""&gt;tu voltas, eu vou ter contigo, adoro, terei saudades&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;                        de longe os olhos se viciam&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;  inventam&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.8pt; font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;a tua pele será talvez demasiado bela.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Crescem as mensagens no celular, encolhem as palavras sonoras e quentes, emails rareiam, muda a gramatura do tempo, Brasuca sente. Feito torção antiga, que dói em véspera de chuva. Não vem mais, é o trabalho, então vou eu, não venhas, ando ocupado, conheci um pessoal fantástico por aqui, incerteza aguda &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;mas com cheiro. E de perfume. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brasuca agarra-se ao caule trôpego da saudade, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;espera-me domingo  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;bem cedo, não posso, já tenho coisas combinadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Caiu mal por dentro aquele plural indefinido, raiva e ciúmes já temperados na desconfiança. Portuga fez-se de ofendido, Brasuca amargurou-se na distância, nunca consigo ligar, por que será? A dor de já saber o que não se sabe. Forçou-se a um silêncio digno, muitos muitos dias, a alma gotejava&lt;/span&gt;.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;um dia, quando a chuva secar na memória,&lt;br /&gt;quando o inverno for tão distante,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Novembro já no fim, um diante do outro sob o mormaço, vidas e vidas se encontram na praia, ao sabor da caminhada, Portuga ensolarado, alegria e dois dedos de conversa, não ligou, ah mas tive de viajar, voltei, pois é, olha, sábado saio mais cedo, nos vemos, sim comemos qualquer coisa por aí, eu ligo, tá bem&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A maciez do sábado amanhecendo, ela esticada num sorriso de quase-festa, melhor não pensar muito senão dá azar. Horas calmíssimas a correr conforme o relógio, claro que vai ligar, combinou, olhos nos olhos, foi por que quis mesmo. Tempo suficiente para tudo, por dentro e por fora, alma lavada com amaciante e passada em temperatura baixa, especial para sedas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;quando o frio responder com a voz arrastada de um velho,&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;oito e meia, nove horas, nove e meia, dez, reticências... Mensagem de texto às dez e meia, para o caso de algum imprevisto. Estranhou porque ele sempre respondia, dessa vez não, olho comprido no telefone - e ora, paciência!, é engolir no sono essa noite fervida e requentada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da&lt;br /&gt;nossa janela.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;cada osso do corpo incomodava, talvez fosse assim se um trator passasse por cima da gente, se pudesse não ter ouvido aquela voz feminina amanhecendo do outro lado da linha, &lt;i style=""&gt;diz-me em que lado da cama dormes que vou deitar do outro&lt;/i&gt;, também quem mandou esquecer que lá não tinha horário de verão, &lt;/span&gt;um momento por favor, um oceano até Portuga despertar das profundezas e morrer em nervosos monossílabos, &lt;i style=""&gt;não posso dormir com quem não tenho intimidade&lt;/i&gt;, poucas palavras humilhadas e depois os emails a esfaquearem as lembranças, Portuga explodido em fúria com todas as suas faces contundentes, Brasuca jurou que não ia ler as palavras não medidas devastando implacavelmente &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;as papoulas da sua ternura, e depois o vácuo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;será culpa minha,&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Só no dia seguinte é que achou os emails desmaiados na sua caixa. Um Portuga aflito, novidade para ela. Não consigo ligar, chama até cair, não estás em casa, não estás na net, espero até meia-noite depois vou-me embora, não sei que fazer... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;Foi demais para um novembro inteiro a equilibrar-se na incerteza. Brasuca desatinou, destravaram-se as águas do fundo, maremotos e cataclismos se revezaram nas veias durante horas, derrubaram as cercas do dia seguinte e invadiram dezembro com toda força.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;porque eu acordarei nos teus braços&lt;br /&gt;e não direi nem uma palavra,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;        &lt;/div&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Não, não foi bem assim, pensou Brasuca entre uns bons bocejos, quando se deparou de novo com o poema do José Luís Peixoto – justo esse! – a bailar no meio do livro que acabara de abrir, presente do Portuga por correio aéreo. Acho que, pensando bem, eu mudava um pouco isso... me perdoa, Zé, ousou rindo, a intimidade do tratamento garantida em nome do amor às palavras. Pensou e revolveu-se um pouco mais na cama, o dia recém-amanhecido &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;preguiçoso que só, espiando entre as cortinas entreabertas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: justify; font-weight: bold;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;nem o príncipio de uma palavra,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;      &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Portuga encontrou o postal logo que abriu a caixa de correspondência e regalou-se com a bem-humorada visão de uns bons pares de &lt;i style=""&gt;derrières &lt;/i&gt;bem brasileiros rebrilhando ao sol, sob a escassa moldura dos biquínis coloridos,&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;objeto de cobiça de mais de um cronista laureado – e de pobres mortais fadados, como ele, a cultivar invernos europeus com os olhos pendurados na memória de alguma praia tropical. &lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Adorei o livro, obrigada,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt; sorria Brasuca, e o sorriso dela ocupava mais espaço que a sugestiva fotografia da frente. Portuga até estranhou, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;mas o fato é que era assim.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-top: 4pt; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;para não estragar&lt;br /&gt;a perfeição da felicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="margin-top: 4pt; text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;(José Luís Peixoto, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Um dia&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:9;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="font-family: trebuchet ms; text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: right; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6286944103031888794?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6286944103031888794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6286944103031888794' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6286944103031888794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6286944103031888794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/01/ar-de-novembro-5-final.html' title='Ar-de Novembro (5) - Final'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R6KIrK7WykI/AAAAAAAAAK4/q6NddmnLR0Q/s72-c/copamanhecer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-7108555622133161667</id><published>2008-01-28T09:59:00.000-02:00</published><updated>2008-01-28T11:24:44.845-02:00</updated><title type='text'>Ar-de Novembro (4)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R53Euq7WygI/AAAAAAAAAKY/uddc4zrUP4I/s1600-h/Tatajuba.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R53Euq7WygI/AAAAAAAAAKY/uddc4zrUP4I/s320/Tatajuba.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5160497054112729602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Tatajuba, Ceará&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; - &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/marioptasik/"&gt;Mário Ptasik&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div  style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;Aquele desconforto pesava-lhe, enquanto percorria cabisbaixo os poucos passos até seu quarto, no mesmo andar. Tinha mais era vontade de desfazer o tempo veloz e sôfrego que o impelira a saltar de tamanha altura sem rede de proteção, mergulhar com tal fúria no desejo e no pré-amar. Não podia ter sido, ardiam-lhe as têmporas em alerta. E agora tem amanhã e os outros dias, &lt;i style=""&gt;não sei que fazer&lt;/i&gt;,&lt;i style=""&gt; penso nisso depois&lt;/i&gt;, repetia por dentro, na segurança relativa dos próprios lençóis, onde buscava a anestesia do sono.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:trebuchet ms;"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estática diante da madrugada que se anunciava sobre o mar, Brasuca desentendia o tempo. A mala semi-desfeita, algumas roupas no armário, objetos a familiarizar-se com o banheiro. E aquele abismo enorme aberto na cama, nos sonhos, o calor ansiado que não esquentou lugar pelo corpo. Talvez fosse melhor gastar a insônia guardando tudo de volta, desaparecer logo de manhãzinha como se tivesse sido só um sonho mau, na verdade não estivera ali, nem o ouvira dizer que lhe era impossível dormir ao lado de alguém com quem não tinha intimidade, e isso exausto depois dos fogos de artifício, de olhá-la demorado, desenhar-lhe o cabelo...&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="trebuchet ms"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Claro que pensou que era brincadeira, mais uma gracinha amorosa com ar sério, mas não, não era. E quase por instinto quis logo cobrir o corpo, proteger a sinceridade subitamente desguarnecida do vento da indiferença. &lt;/span&gt;&lt;i face="trebuchet ms"&gt;Engraçado, &lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;sorriu amarelo, os olhos afundados, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;eu vim aqui com o coração, não com o corpo.&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Houve até um ensaio de protesto, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;eu também estou com o coração&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, curativo de emergência que os olhos já não confirmavam.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Incapaz de desgrudar do telefone, Brasuca até conseguia manter uma certa calma. Tinha um discurso interno para tentar ignorar tantos metros de ausência, o sem-tempo-sem-vontade que parecia condensar em gelo seco a sua espera quase ateniense. Detestava ter que admitir, mas&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Portuga, aparentemente, tinha mais que fazer. Às vezes se irritava, fazia menção de jogar a toalha, droga de gajo esquisito, avisa que vai chegar mas não dá o ar da&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;graça, ah, é assim?, pois eu também não vou ter tempo, mas acabava por catá-la e pendurá-la de novo; bebia um pouco d’água e enxugava o tempo para ver se passava mais depressa.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;Tens colo pra eu poder dormir? &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Havia que atravessar a impaciência dos dias, das horas, da conversa boa envolta em mil dedos de cuidado, &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;sim, tenho o colo guardado&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, artes de pedreiro a levantar paredes de escusas, espreguiçado na alegria quase ultrajante de sol claro e céu azul, a emoldurarem os verdes mares cheios de sal e promessas. &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;E por que terá o colo guardado&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;, o tom sempre exemplar da conversa inteligente, um gosto de &lt;/span&gt;&lt;i style="font-family: trebuchet ms;"&gt;quem-sabe-isso-passa&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; a escorrer de cada palavra, muitos sorrisos de medo ou reticência, as roupas novas do quase-enxoval desfalecidas nas gavetas e cabides.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" &gt;Em novembro o verão se espalha sorridente depois da chuva, a beleza e a maresia são contagiosas. Portuga, fiel à estratégia do lagarto, gasta as manhãs a admirar as saias (saias?) de quem vive pelas praias, como tão bem disse um dia o Chico Buarque, com afeto e açúcar. Brasuca, mergulhada na azáfama dos dias, deixa escapar só um suspiro de longe em longe, sublinhado por um arremedo de sorriso, já que não liga mesmo, fazer o quê, né?&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O curioso é que, mesmo assim desencontrados, sabiam achar graça um no outro. Não haviam desaprendido o riso, a suavidade, uma certa delicadeza que não era necessário disfarçar, malgrado o susto riscado na pele. Nos braços da pródiga natureza que os alimentara e frustrara com tanta rapidez, conversavam sem tempo, palmilhavam a praia e o vento bom das noites, alegravam-se na mútua presença. Mas a noite alta invariavelmente os separava, ele culpadíssimo, ela desapontada de dar dó.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  class="MsoNormal" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Acabou falando por insistência, mensagem de texto era bem mais confortável. Não desgostou de rever-lhe a voz, mas preferiu deixar no ar o possível, no feriado ia dormir, sexta não dava tempo, ela afogava-se, sábado e domingo já tinha compromisso, ela mordia-se de raiva, o pessoal do meu trabalho, e pra frente a gente vê.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(Continua)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-7108555622133161667?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/7108555622133161667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=7108555622133161667' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7108555622133161667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7108555622133161667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/01/ar-de-novembro-4.html' title='Ar-de Novembro (4)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R53Euq7WygI/AAAAAAAAAKY/uddc4zrUP4I/s72-c/Tatajuba.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1075761412634007267</id><published>2008-01-23T14:41:00.000-02:00</published><updated>2008-01-23T14:59:59.617-02:00</updated><title type='text'>23 de janeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:trebuchet ms;" &gt;Atenção, caros leitores: &lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:trebuchet ms;" &gt;Interrompemos hoje, excepcionalmente,&lt;br /&gt;a publicação do folhetim "Ar-de Novembro", &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;em virtude da comemoração do aniversário de um amigo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Aguardem, para brevíssimo, o Capítulo 4!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5dveK7WyfI/AAAAAAAAAKQ/fdVO4EIlojs/s1600-h/bolo6.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5dveK7WyfI/AAAAAAAAAKQ/fdVO4EIlojs/s320/bolo6.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5158714462296263154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                Deixo-te aqui um bolo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                de massa fofa e caseira,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                recheio de nozes&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                com baba de moça&lt;sup&gt;1&lt;/sup&gt;, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                cobertura daquelas de açúcar com limão,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                gosto igual&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                ao tempo de criança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                Um bolo sem idades,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                tempo ou validade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                Que traz consigo apenas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                as surpresas da festa,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                alegria nos olhos, os parabéns&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                a ressoar na memória,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                palmas visíveis através da chama&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                de velas apagadas com desejos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                               Um bolo-infância,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                               juventude, eternidade,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                todo gula e prazer&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                e delícia e cerejas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                a adoçar-te, sem medida,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                              &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;                                                o tempo-hoje.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p face="trebuchet ms" style="text-align: left;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;sup&gt;&lt;span style=""&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/sup&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; Sinônimo perfeito de ovos moles :))&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: left; font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1075761412634007267?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1075761412634007267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1075761412634007267' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1075761412634007267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1075761412634007267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/01/23-de-janeiro.html' title='23 de janeiro'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5dveK7WyfI/AAAAAAAAAKQ/fdVO4EIlojs/s72-c/bolo6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-709760228924459132</id><published>2008-01-19T09:20:00.000-02:00</published><updated>2008-01-20T08:29:50.286-02:00</updated><title type='text'>Ar-de Novembro (3)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5HfQVRSwGI/AAAAAAAAAKI/yGbvLSD7Dt0/s1600-h/drummond-e-a-vaca.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5HfQVRSwGI/AAAAAAAAAKI/yGbvLSD7Dt0/s320/drummond-e-a-vaca.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5157148519996506210" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:78%;" &gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/eliezersanchez/"&gt;Eliezer Sanchez&lt;/a&gt; - www.flickr.com&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:78%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;Por vários dias, o sol negou fogo. Manhãs cinzentas e preguiçosas sobre o mar, chuva, chuva. Portuga aborrecia-se às vezes, ao abrir a janela e dar com aquele insosso no ar, aquela indecisão meteorológica. Preferia mesmo o calor agudo que fazia afluírem à praia os mais diversos e inesperados objetos de desejo, as roupas de banho fugidias, as bênçãos da natureza mais fulgurantemente manifestadas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não revelou onde se hospedava, bancou o distraído. Fez muita questão de não saber o número do próprio telefone, independência absoluta para procurar quem melhor lhe apetecesse. Descontadas as longas horas de trabalho, o seu tempo apequenava-se para o ofício de farejar as alegrias que lhe poderiam sorrir...&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não demorou muito e já um mar de boa poesia – escolhida a dedo – derramava-se pontualmente na  sua caixa de entrada, em quantidades muito bem dosadas. Brasuca, uma aficionada, aventurou-se no diálogo: dá-me um português que te dou um brasileiro, todos os grandes poetas a postos para fazer saltar palavras mágicas que se desmanchavam em beijos de bom dia, boa tarde, boa noite. Portuga foi lagarteando, lagarteando pelas estrofes alheias até deixar ao sol obras mais, digamos, convidativas, que sua habilidade de veterano ministrava com a paciência de um homeopata. E Brasuca tinha muito espaço para recebê-las, enrolava-se nelas, abria-se àquele vento bom de viver, sem pressentir nuvens.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Até Portuga acostumou-se, de certo modo, ao lirismo que ele próprio suscitou. Tecnologia à parte, as correspondências lembravam aquelas missivas que se trocavam por navio, meses e meses para chegar, em papéis amarelecidos ou perfumados. Brasuca acordava feliz e enlanguescida como uma ninfa saída dum bosque shakespeariano, a admirar-se em espelhos d’água e desembaraçar os cabelos ao som de gorjeios. &lt;i style=""&gt;Qual é o lado da cama em que dormes?&lt;/i&gt;, encantou-a ao perguntar. Do esquerdo... &lt;i style=""&gt;Então vou deitar-me do outro lado.&lt;/i&gt; Uma noite, cansado, encontrou pachorra para perguntar, &lt;i style=""&gt;tens colo para eu poder dormir? &lt;/i&gt;Trêmula, rendida, a desavisada confessou-lhe que sim, sim, tinha o colo há muito guardado...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Guardado? Que coisa mais estranha...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Assim que tiver minha sala, ligo-te.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt; Esperança ou sentença?, pensou, enquanto a alma emudecia. E a gente pensa que distância é uma questão de oceano. Sentiu uns espetões, tentou se ajeitar no corpo para enganar um medinho besta que lhe punha a língua, boba, boba. Ora, afinal acabou de chegar, tem tempo, diluía-se em desculpas para tentar fazer dormir o boi de dentro, que não pregava olho, desconfiado não sei de quê. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Portuga seguia a rotina do calçadão, sem camisa, arriscando a desacostumada brancura por qualquer corzinha com assinatura tropical. Bermuda comprida, chinelos, o cabelo desalinhado aloirando-se a cada dia, um olhar pequeno e desentendido que não perdia um detalhe sequer. Não fosse o insólito hábito de coçar as partes quase por reflexo - o que decerto encabulava, ainda que ele não o sentisse - dir-se-ia até que era um rapaz agradável.&lt;/span&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;Não vens dar-me as boas vindas à tua terra?&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; Entre poemas, contou que ia a trabalho, era para logo. Mas tão longe dela, esse país é muito grande... &lt;i&gt;Não sei se te disse, mas já tenho saudades de ti.&lt;/i&gt; Achou aquilo lindo, quase tão lindo quanto o telefonema surpresa, &lt;i&gt;só para ouvir a tua voz&lt;/i&gt;, alguns dias depois. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;" class="MsoNormal" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ainda assim, Brasuca hesitava. Pensou na distância, nas despesas, na concorrência desleal da carne mais fresca, que sempre sobra em todo lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p style="font-family: trebuchet ms;font-family:trebuchet ms;"  class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;(Continua)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-709760228924459132?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/709760228924459132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=709760228924459132' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/709760228924459132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/709760228924459132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/01/ar-de-novembro-3.html' title='Ar-de Novembro (3)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R5HfQVRSwGI/AAAAAAAAAKI/yGbvLSD7Dt0/s72-c/drummond-e-a-vaca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1581044850423036275</id><published>2008-01-11T09:52:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T10:16:14.745-02:00</updated><title type='text'>Ar-de Novembro (2)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R4dY4lRSwEI/AAAAAAAAAJ4/uKIwCLj5L-0/s1600-h/ligeiro-toque.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R4dY4lRSwEI/AAAAAAAAAJ4/uKIwCLj5L-0/s320/ligeiro-toque.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5154186027649384514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=88517"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;blockquote&gt;Foto: &lt;a href="http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=88517"&gt;José Duarte&lt;/a&gt; - www.olhares.com&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ficou feliz com a notícia. Coisas do destino, do Universo, do coração, não sabia direito; mas o fato é que o sujeito cruzaria o Atlântico de novo, e muito breve, para cair praticamente do lado de casa. Depois de tantas pequenezas e desajustes de rota, enfim iam encontrar-se. A um custo enorme conseguia vestir com alguma racionalidade a criança que lhe escapava, afoita e feliz, e fazia tudo lhe sorrir por dentro.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Então respondeu, pensou o Portuga, entre distraído e satisfeito, habituado que estava às manhas da net. Aqui, conhece-se alguém novo todo dia. As palavras eram cordiais, mas tinha um entusiasmo embrulhado nelas. A curiosidade mordeu de leve, mas a vida espreguiçou-se com ar de &lt;i style=""&gt;depois vejo isso&lt;/i&gt;.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;O segundo email, dois dias depois, pegou-o de madrugada, bem jantado, aquele soninho gostoso se avizinhando. &lt;i style=""&gt;Quando tiver um tempinho, conta-me como foi o show...&lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Empertigou-se na cadeira e, então, esmerou-se num relato digno de um caderno de viagens do Almeida Garrett, as minúcias coloridas com uma paixão adivinhada, um brilho no olhar, uma elegância que fazia as palavras cintilarem na página. Quase um Cyrano cibernético, a mal-disfarçar com as mais inocentes impressões uma compulsão quase incontrolável por seduzir. Cuidou de cada curva do texto com a paciência de um jardineiro a refinar topiarias, ciente do efeito que haveria de provocar.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Fascinada, Brasuca acompanhava o cheiro da noite outonal, as estrelas, os tempos e contratempos, as tribos que ele descrevia com olhos para cada detalhe, as roupas, o jeito de andar, os sentados com arrogância e os tímidos de toda sorte, a se achegarem ao palco com seus piercings, tatuagens, pulseiras e cabelos mais que criativos. E depois a voz, o piano, as canções que faziam cada um delirar à sua maneira. &lt;i style=""&gt;Se pudesses ver os meus olhos, saberia como eles brilhavam com a paixão que tenho por essas músicas... &lt;/i&gt;Viu, sim, viu os olhos dele no cristal líquido da tela, vasos comunicantes que a contagiavam com uma insuspeita familiaridade.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;i style=""&gt;Uma coisa, fumas? &lt;/i&gt;e segredou-lhe a vontade forte que teve de acender um cigarro, &lt;i style=""&gt;nunca, desde que parei de fumar, isso me bateu tão forte como ontem.&lt;/i&gt; Suspiro fundo que até doeu, tadinho, deve ter sido tão difícil resistir...&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;  &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;e posso, além do abraço, deixar também um beijo? &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt; &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;claro que riu, divertida, com os estudados ares de audácia do gajo. e claro que o sorriso se alargava por dentro, afinal o estrago estava feito, ou quase... &lt;i style=""&gt;Será que esse cara tá me dando idéia? Será? Não, quê isso... não.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;No dia marcado de chegar, mandou mensagem no celular, toda esperançosa, achando que a cidade, de certo modo, estava diferente. Nem acreditava que logo iam rir de tantas coisas juntos, tinha certeza, agora que estavam pertinho... o difícil mesmo era encaixotar aquela vontade de sair correndo e passear-lhe a saudade em torno, nunca se dera mesmo bem com essa coisa de ter que se controlar, de fazer que não liga...&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Tóin-nhóin-nhóin-nhóin-nhói... &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Arrepio.)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;Tóin-nhóin-nhóin-nhóin-nhói... &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Já respondeu!)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Tóin-nhóin-nhóin-nhóin-nhói... &lt;/i&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;(Ai, meu Deus!)&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;(Continua)&lt;/p&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1581044850423036275?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1581044850423036275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1581044850423036275' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1581044850423036275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1581044850423036275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2008/01/ar-de-novembro-2.html' title='Ar-de Novembro (2)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R4dY4lRSwEI/AAAAAAAAAJ4/uKIwCLj5L-0/s72-c/ligeiro-toque.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8322921883505638153</id><published>2007-12-25T16:57:00.000-02:00</published><updated>2007-12-26T17:31:54.230-02:00</updated><title type='text'>Ar-de novembro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;div  style="text-align: left;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Uma fábula sobre as coisas do amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R3FUbVRSwDI/AAAAAAAAAJw/ncWADAWDaUw/s1600-h/por-do-sol-klebson.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R3FUbVRSwDI/AAAAAAAAAJw/ncWADAWDaUw/s320/por-do-sol-klebson.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147988677604065330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;a href="http://www.flickr.com/people/klebsoncarneiro/"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Foto: Klebson Carneiro&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Sol, sol. &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Ahhh, calor... ah coisa boa, delícia esse vento &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;que finge que esfria mas na verdade abafa a pele. Difícil &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;até pensar, se pudesse dormia um pouco mais depois do banho, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;até que não suei muito pelo tanto que caminhei... &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt; água, água, chuveiro frio, escorre o sal do corpo, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;o sal da memória da praia. Gostava talvez de viver assim tão &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;perto do mar... chega a ser indecente, intimidade demais com a areia, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;o vôlei, os cães, cadeiras e toda a gente, &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;principalmente as meninas de traseiros ao léu, despreocupadas, deliciosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Portuga espreguiça a vontade em pleno sol de meio-dia, olhos baços metidos no mar, para além da arrebentação onde só vê o alto-contraste do sol contra a água, brilhos muitos que pulam, diminutos canoeiros a remar no fio do horizonte, o malemolento chuá-chuá das ondas que vêm, que vão. No ritmo do dia segue para o chuveiro, olhos fechados de prazer enquanto a água faz o seu trabalho: acordar cada centímetro de músculo e pele aferventados pelo sol da caminhada, pêlos eriçados, os reflexos a abandoná-lo pela melhor oferta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;A muito custo, veste-se. Calça e camisa do uniforme, sapato e meia. Hora de trabalhar, embora nessa cidade isso às vezes me pareça impossível...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Nunca gostei mesmo de sala de  bate-papo. Cruz credo, isso não. É a &lt;i&gt;décadence de la décadence&lt;/i&gt;!... Foi só um email, mas tão simpático, altos elogios... nem sei porque respondi, na hora pensei, que bom, alguém me leu e gostou, que atenção... sim, confesso que gostei. E depois, tantos mínimos detalhes, um certo jeito para contar coisas, revelar-se de mansinho... acreditei!... Brasuca era romântica de fundos suspiros, dessas que não se usam mais. Conseguia ver brotos de flores surgirem entre os &lt;i&gt;bytes&lt;/i&gt;. Nem no espelho percebia a meia-idade a avançar, inexorável, com manhas de gato-de-botas, entre os quilos extras e a vontade de dançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;- Mas foi só um email!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Sim, o Portuga mandou o email, inebriado pelas palavras e pela antevisão de um corpo que as viesse acompanhar... ah, o vício pelas mulheres de todo e qualquer mar...&lt;/span&gt;    &lt;p style="font-family: trebuchet ms;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;[Continua]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8322921883505638153?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8322921883505638153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8322921883505638153' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8322921883505638153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8322921883505638153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/12/ar-de-novembro.html' title='Ar-de novembro'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R3FUbVRSwDI/AAAAAAAAAJw/ncWADAWDaUw/s72-c/por-do-sol-klebson.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1709202970495976328</id><published>2007-12-18T11:49:00.001-02:00</published><updated>2007-12-18T13:18:20.237-02:00</updated><title type='text'>Jeitos e maneiras de ver o amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R2fap1RSwCI/AAAAAAAAAJg/VXVOhdDt1FY/s1600-h/alvim-estatua.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R2fap1RSwCI/AAAAAAAAAJg/VXVOhdDt1FY/s320/alvim-estatua.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5145321511503183906" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;font-size:78%;" &gt;Fernando Alvim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Outro dia a minha amiga Silvia, uma portuguesa que viveu dois anos no Brasil e voltou recentemente à terrinha, resolveu escrever no &lt;a href="http://guardados-e-achados.blogspot.com/"&gt;blog&lt;/a&gt; que partilhamos uma crónica sobre um assunto que dá panos pra manga: as diferenças na forma como os brasileiros e portugueses vêem - e vivem - o amor.&lt;br /&gt;Gostei do tema. Pensei no comentário que ia fazer, num possível artigo que poderia talvez escrever... mas não saiu nada. O tempo passou e a história ficou meio hibernada até melhor ocasião.&lt;br /&gt;Pois eis que de repente, no último domingo, deparo-me com dois artigos deliciosos de um português, mais precisamente o jornalista e comediante &lt;a href="http://www.esperobemquenao.blogspot.com/"&gt;Fernando Alvim&lt;/a&gt;, que ajudam a apimentar essas filosofias amorosas transatlânticas.&lt;br /&gt;E tomo a liberdade de reproduzi-los aqui.&lt;br /&gt;Acho importante lê-los na ordem; um leva ao outro de uma forma suave e, ao mesmo tempo, contundente. Mais interessante ainda é o fato de terem sido escritos por um homem, e português. Primeiro porque o homem e a mulher não poderiam ser mais diferentes, mesmo dentro de uma mesma cultura, no que respeita ao amor. E segundo porque os homens portugueses têm uma (justificada?) fama de serem machistas, fechados, mal resolvidos. Alto lá, gente, não que eu esteja aqui a generalizar, falo apenas da fama. E as queixas vêm tanto das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tugas&lt;/span&gt; quanto das &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brasucas &lt;/span&gt;(por favor, com "s"). No Orkut, site de relacionamento de maioria brasileira, conheci uma comunidade chamada "Eu amo um homem português", que por incrível que pareça tem mais de 700 membros, na maioria brasileiras que gostam, gostaram ou querem gostar dalgum gajo de mavioso sotaque. (As exceções masculinas que encontrei foram um rapaz gay procurando namorado e um português nada gay querendo namorar uma brasileira). E lá as queixas são mesmo muitas!&lt;br /&gt;Mas vá lá, diferenças à parte, os artigos do Fernando Alvim chamam a atenção justamente por terem um ponto de vista quase feminino, por trasmitirem um sentir diferenciado e, na minha opinião, mais justo para com as dores-de-cotovelo que todos nós - mulheres e homens, brasileiros ou portugueses - já tivemos, temos ou podemos vir a ter na vida.&lt;br /&gt;Que venha, pois, o Fernando Alvim! E por inspiração deste, podem aguardar novidades nas próximas visitas a esse Portugal.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Texto I - Como esquecer alguém em cinco minutos ou talvez mais um bocadinho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:arial;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fernando Alvim - 7/10/2007&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Antes de tudo, há que reconhecer que este poderia ser um belo nome para um daqueles livros que as pessoas oferecem umas às outras apenas e só pelo título e que usualmente se encontram em qualquer bomba de gasolina, no corredor do fundo, lado esquerdo, junto aos jornais. Não interessa o autor, nem se alguma vez se leu alguma coisa, nem se os críticos do mil folhas falaram bem, o que importa mesmo, é a mensagem que o título oferece a quem o recebe. E se depois lá dentro, nas páginas que se refugiam na capa, o conteúdo não for grande coisa, isso de nada importa. Entrega-se o livrinho como se estivéssemos a entregar uma senha de papel com uma mensagem, a fazer olhinhos, para a miúda que está na carteira ao lado: “Vai onde te leva o coração!”, “Fazes-me Falta!” “Não há coincidências” e claro o inevitável “Amo-te”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Houvesse um medicamento, que depois de tomado nos fizesse esquecer a pessoa que amamos e as farmácias ficariam inundadas de gente à sua procura. Existisse uma operação que nos removesse a parte da memória que nos faz lembrar esse alguém e ficariam enormes as listas de espera para essa cirurgia. Mas não existe. Não há. Não se vende, nem se opera.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas pode-se esquecer? Pode. Como assim? Ora, usando uma técnica vulgarmente usada pelos bombeiros para extinguir os incêndios. O lendário truque do “Fogo contra Fogo” que basicamente consiste em lançar outro fogo em direcção ao que vem a arder. Assim, queima-se uma área que ainda não esteja ardida, para que quando o fogo lá chegar nada mais tenha para arder. E é limpinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O que há a fazer é queimar o que ainda houver de bom e fazer com que as coisas que estejam associadas à pessoa que queiramos esquecer não nos pareçam assim tão agradáveis. E quando ela – leia-se o incêndio – aparecer, já só resta terra queimada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E assim, aproveitando esta bonita analogia dos incêndios, é justo revelar que aqui o grande problema é o vento, o vento que pode reacender as chamas. E esse vento, pode ser uma chamada dela – que ninguém atenda o telefone – uma súbita vontade de lhe ligarmos nós, às 4 da manhã com uma voz notoriamente embriagada – apague-se já o número – ouçam, o vento pode ser uma foto dela ainda no quarto – que se guarde isso numa gaveta escura – uma carta que imbecilmente relemos – perigo, perigo! – Aceitar um convite para jantar a dois sob o pretexto de irmos falar sobre o ambiente no mundo – isso é muito arriscado – ir a casa dela rever a primeira temporada dos Sopranos em dvd – que fique claro, ao aceitarem este convite, isto já nem será vento, mas possivelmente, um tornado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;E assim, voltando à perniciosa técnica do fogo contra fogo, o mais importante, é queimarmos tudo à volta sem usarmos um único fósforo. É dizermos “isto é muito bonito e tal, mas eu tenho que sair daqui antes que se faça tarde” e assim, ao não permitirmos recaídas que sabemos que só irão adiar o inevitável, extinguiremos o pouco que vai existindo até que tudo fique reduzido a cinzas, tão frias e inertes, que nenhum vento será capaz de as reanimar. &lt;/span&gt;&lt;o:p style="font-family: arial;"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;      &lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0); font-style: italic; font-weight: bold;font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p style="font-family: arial;"&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0); font-style: italic; font-weight: bold;font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Texto II - Esta coisa de gostar de alguém...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;o:p&gt; Fernando Alvim - 12/12/2007&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Esta coisa de gostar de alguém não é para todos e, por vezes – em mais casos do que se possa imaginar – existem pessoas que pura e simplesmente não conseguem gostar de ninguém. Esperem lá, não é que não queiram – querem! – mas quando gostam – e podem gostar muito – há sempre qualquer coisa que os impede. Ou porque a estrada está cortada para obras de pavimentação. Ou porque sofremos de diabetes e não podemos abusar dos açucares. Ou porque sim e não falamos mais nisto. Há muita gente que não pode comer crustáceos, verdade? E porquê? Não faço ideia, mas o médico diz que não podemos porque nascemos assim e nós, resignados, ao aproximar-se o empregado de mesa com meio quilo de gambas que faz favor, vamos dizendo: “Nem pensar, leve isso daqui que me irrita a pele”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, por vezes, o simples facto de gostarmos de alguém pode provocar-nos uma alergia semelhante. E nós, sabendo-o, mandamos para trás quando estávamos mortinhos por ir &lt;st1:personname productid="em frente. N￣o" st="on"&gt;em  frente. Não&lt;/st1:personname&gt; vamos.. E muitas das vezes, sabendo deste nosso problema, escolhemos para nós aquilo que sabemos que, invariavelmente, iremos recusar. Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. E deu. Do mesmo modo que no final de 10 anos de relacionamento, ou cinco, ou três, há o hábito generalizado de dizermos que aquela pessoa com quem nós nos casámos já não é a mesma pessoa, quando por mais que nos custe, é igualzinha. O que mudou – e o professor Júlio Machado Vaz que se cuide – foram as expectativas que nós criamos em relação a ela. Impressionados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, se me permitem, vou arregaçar as mangas. O que é díficil – dizem – é saber quando gostam de nós. E, quando afirmam isto, bebo logo dois dry martinis para a tosse. Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.&lt;/span&gt;     &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1709202970495976328?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1709202970495976328/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1709202970495976328' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1709202970495976328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1709202970495976328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/12/jeitos-e-maneiras-de-ver-o-amor.html' title='Jeitos e maneiras de ver o amor'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/R2fap1RSwCI/AAAAAAAAAJg/VXVOhdDt1FY/s72-c/alvim-estatua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-572457297795955801</id><published>2007-12-16T10:39:00.000-02:00</published><updated>2007-12-16T11:04:04.712-02:00</updated><title type='text'>Este a gente não esquece</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sou uma amante da dança. E não é de hoje.&lt;br /&gt;Em Portugal não tive a chance de ver a bailarina Ana Lacerda em sua - segundo soube - brilhante interpretação de Inês de Castro no ballet "Pedro e Inês"; amarguei uma imensa dor-de-cotovelo porque o atraso de minha única viagem de ônibus (ou autocarro) subtraiu-me esse gosto.&lt;br /&gt;Mas esta semana alguém muito especial me mandou isto. Emocionou-me às raias do desatino, quase. É engraçado como, até no meio da imensa quantidade de informação que nos sufoca hoje em dia, podemos distinguir as pessoas sensíveis. E sensível deveria ser um dos sobrenomes da Cristina, minha grande amiga, que foi quem se lembrou de dividir comigo essa emoção incontida. E compartilho com vocês, porque é transcendente e decerto fala a todas as pessoas que amam a beleza, esteja ela onde estiver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="355" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/LnLVRQCjh8c&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/LnLVRQCjh8c&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" height="355" width="425"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-572457297795955801?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/572457297795955801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=572457297795955801' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/572457297795955801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/572457297795955801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/12/este-gente-no-esquece.html' title='Este a gente não esquece'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6640114247188835419</id><published>2007-11-24T17:06:00.000-02:00</published><updated>2007-11-24T17:11:21.010-02:00</updated><title type='text'>Momento único</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="355"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/NBvsiX6mY-I&amp;amp;rel=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/NBvsiX6mY-I&amp;amp;rel=1" type="application/x-shockwave-flash" wmode="transparent" width="425" height="355"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Mais do que palavras, embora também com elas, a música desse homem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;reescreve uma parte importante da história moderna &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;de Portugal.&lt;br /&gt;Jorge Palma é o marco do redescobrimento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;da beleza e poesia de um povo sob uma ótica contemporânea.&lt;br /&gt;E a Estrela do Mar, para mim, é o auge do auge do auge dessa beleza!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6640114247188835419?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6640114247188835419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6640114247188835419' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6640114247188835419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6640114247188835419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/11/momento-nico.html' title='Momento único'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6424665421206334079</id><published>2007-10-21T18:21:00.000-02:00</published><updated>2007-10-21T19:17:09.338-02:00</updated><title type='text'>Uma cidade às vezes muito portuguesa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxvBDt8TcgI/AAAAAAAAAJA/9LGEkWwneIg/s1600-h/flordecoimbra.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxvBDt8TcgI/AAAAAAAAAJA/9LGEkWwneIg/s320/flordecoimbra.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123901270680367618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Adega Flor de Coimbra - Lapa, Rio de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Foto: &lt;a href="p://www.flickr.com/photos/53189493@N00/"&gt;Fernando&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Só mesmo um maestro tão ocupado - e carinhoso - quanto o meu amigo Marcelo Jardim poderia marcar uma reunião às oito da noite, depois de um longo ensaio e antes de enfrentar 140 km de volta pra casa, dirigindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui de metrô até a Cinelândia e caminhei pelo Passeio Público até a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aliás, esses sítios parecem parte de um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;revival&lt;/span&gt; orquestrado por algum deus saudosista: em poucos dias subi duas vezes ao Edifício Municipal, bem pertinho dali, onde fica a sede do tradicional bloco carnavalesco Cordão da Bola Preta, um dos ícones da história do Rio, e onde trabalhei por vários anos, até meados da década de 90. Um rápido mergulho na própria história, distante há pelo menos uns 15 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao maestro e à reunião, cheguei à Escola perto da hora de acabar o ensaio e praticamente não esperei. - Vamos comer alguma coisa e a gente conversa? Sugeriu o Marcelo, e fez-me descobrir uma parte da alma portuguesa do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que ninguém duvide dela.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Adega Flor de Coimbra é um enclave lusitano charmosíssimo, quase parede e meia com a Sala Cecília Meirelles, o mais importante palco para a música erudita do Rio. O bairro é a bucólica Lapa, que ainda guarda muito do seu encanto. Ao fundo uma pracinha, crianças jogando bola, nem parece a mesma cidade que ganha os jornais quase sempre por razões tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei um susto com a profusão de bandeiras verde-encarnado e verde-amarelo desfraldadas, xales, garrafas de vinho, fiambres... Vitrines com canecas, mais garrafas e uma profusão de objetos que recordam a terrinha. Na parede, posters de Portugal, lógico. E o cardápio... bem, acho que nem preciso me estender sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo e eu trabalhamos juntos num lindo projeto de lusofonias que pretende resgatar os 30 anos desperdiçados e apresentar Jorge Palma ao Brasil com tudo o que ele (e o público) têm direito, no próximo ano. Enquanto conversávamos, convidamos alguns bolinhos de bacalhau que logo desapareceram nas águas de um chope honesto (brasileiro adora chope, mas essa alma é outra). Mais tarde chegou o Rafael, outro músico que seguiria com ele, e resolvemos pedir uma sopa típica da casa, perfeita para o tempo incerto e uma garoa enjoada que se insinuava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Flor de Coimbra é um encanto; quietinha e sossegada, comida boa, a dose certa de silêncio... Um bom exemplo da influência portuguesa na culinária carioca. Os muitos restaurantes de origem lusitana, para todos os bolsos, deixaram marcas nos nossos hábitos alimentares. Talvez o mais famoso seja o Adegão Português, que fica em São Cristóvão e é de fato um delírio. Mas há outros tão tradicionais quanto ele, como a Marisqueira e o Alfaia, em Copacabana, e a Adega do Valentim, em Botafogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui pra casa pensando que, de fato, as coisas portuguesas me perseguem carinhosamente. E eu não faço a menor menção de fugir...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6424665421206334079?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6424665421206334079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6424665421206334079' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6424665421206334079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6424665421206334079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/10/uma-cidade-s-vezes-muito-portuguesa.html' title='Uma cidade às vezes muito portuguesa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxvBDt8TcgI/AAAAAAAAAJA/9LGEkWwneIg/s72-c/flordecoimbra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5124631166999347696</id><published>2007-10-17T22:28:00.001-02:00</published><updated>2007-10-17T23:12:09.938-02:00</updated><title type='text'>Um par de galos e alguma saudade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rxayat8TcfI/AAAAAAAAAI4/wTM6U-OyV1c/s1600-h/galodebarcelos.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rxayat8TcfI/AAAAAAAAAI4/wTM6U-OyV1c/s320/galodebarcelos.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5122477798259388914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/fococerteiro/"&gt;Foco Certeiro&lt;/a&gt; - Flickr&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Minha amiga Flávia e sua irmã Vera estiveram recentemente em Madri e Lisboa, uma semana em cada cidade. Foi uma decisão repentina, mas acertada; encontraram amigos na Espanha e foram espiar Lisboa, Sintra, Cascais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ver as fotos senti um cheiro inconfundível de Portugal na alma. Foi como caminhar de novo pelo Rossio (que eu tinha como certo ser grafado "Rocio", como nos livros de Machado de Assis - aliás, a Praça Tiradentes, no Rio de Janeiro, chamava-se "Largo do Rocio" no século passado) e pela Av. Liberdade... Ou pelas redondezas do Castelo de São Jorge, como fiz em maio ao lado do Tiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Sintra estive só à noite, e Cascais não vi. Pudera: eu tinha tantas histórias humanas a viver, como teria tempo para "turistear" apenas? Não que não goste, muito aliás pelo contrário; prometi a mim mesma encompridar o máximo que puder a próxima viagem à terrinha, para poder ver tanta coisa que só ficou mesmo nas informações do Guia Michelin...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, a Flávia trouxe-me uma lembrancinha, como os brasileiros costumam dizer ao entregar um presente: dois lindos paninhos estampados com o galo de Barcelos, as bordas enfeitadas com entremeio. - Servem como jogos americanos - disse-me ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei orgulhosa. Terei agora o prazer de pousar meu prato sobre um autêntico jogo português, lusitaníssimo aliás, adquirido numa casa muito tradicional; a Loja dos Descobrimentos, que fica ao pé da Casa dos Bicos, na &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Rua dos Bacalhoeiros&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora digam-me se este não é um lindo nome para uma rua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no Rio de Janeiro temos a Rua da Ajuda, que também adoro, mas que por muitos anos chamou-se Rua Melvin Jones. Numa sadia volta às origens, recebeu de volta o nome original. E há também o Beco dos Barbeiros, o Largo do Boticário... heranças positivas e seculares que, felizmente, sobreviveram para guardar, no centro histórico da nossa cidade, um pouco do passado encanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os galináceos pintados no meu lindo jogo português são os únicos galos de Barcelos que possuo. Tá, pode ser que sejam "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;manjados"&lt;/span&gt;, como diríamos em boa gíria brasileira. Mas fazem parte da tradição e da história. Gostei muito deles e espero que me acompanhem ao longo de muitas bacalhoadas à lagareira, daqui por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decerto ainda vou comprar um galinho. No futuro, quando estiver em Lisboa e achar aberta a Casa Portuguesa e encontrar, em meio àquele mundo que estava em obras, quem sabe um com a asa quebrada - que tenha sido muito usado, manuseado à vontade e passado de avó para neta, e dessa para bisneta, e assim por diante, por anos e anos e anos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As fotos e os galos também me levaram de volta. Aliás, esse ir e voltar da minha alma às terras e corações lusitanos é tão freqüente que às vezes até me esqueço que as três horinhas que nos separam são só o fuso horário, e não o tempo de vôo... Pois se já &lt;span style="font-style: italic;"&gt;vôo&lt;/span&gt; para lá sempre que quero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5124631166999347696?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5124631166999347696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5124631166999347696' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5124631166999347696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5124631166999347696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/10/um-par-de-galos-e-alguma-saudade.html' title='Um par de galos e alguma saudade'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rxayat8TcfI/AAAAAAAAAI4/wTM6U-OyV1c/s72-c/galodebarcelos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5792649833217081308</id><published>2007-10-13T22:50:00.000-03:00</published><updated>2007-10-16T20:06:09.535-02:00</updated><title type='text'>Ternuras e telemóveis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxJfft8TceI/AAAAAAAAAIw/ITppABo4dHQ/s1600-h/pelourinho-de-coruche.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxJfft8TceI/AAAAAAAAAIw/ITppABo4dHQ/s320/pelourinho-de-coruche.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5121260724786786786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:78%;"  &gt;Pelourinho de Coruche - Foto: &lt;a href="http://www.flickr.com/vitor107/"&gt;Portuguese Eyes - Flickr&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ainda agora eu estava aqui em casa, trabalhando em minha mais recente tradução, quando o celular tocou. Levei um susto: era a minha amiga Maria João, a portuguesa mais brasileira que conheço, que está em viagem pela terrinha. Antes de pronunciar qualquer palavra, deixou aberto o som ambiente - e uma voz inconfundível inundou a linha telefônica, a jorrar a lindissima &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Maçã de Junho&lt;/span&gt;. Minha amiga estava num concerto do Jorge Palma, na cidade de &lt;a href="http://www.ribatejo.com/ecos/coruche/"&gt;Coruche&lt;/a&gt;, e quis dar-me aquele momento de presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz, emocionada, pus-me a pensar no grande bem que pode fazer a tecnologia, quando bem usada. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;As pessoas falam em escravidão tecnológica, metem o malho nos celulares e computadores, mas se esquecem de uma coisa elementar: quem os usa é o homem. Só a gente é capaz de acertar ou errar, ser carinhoso, gentil ou grosseiro. Nunca os aparelhos. Hoje a minha amiga fez um uso amoroso do equipamento, e o que recebi foi, na verdade, o seu afeto traduzido em música.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Logo que cheguei a Portugal, comprei um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telemóvel &lt;/span&gt;- o nome que os portugueses dão ao celular. Tenho de admitir que faz o maior sentido: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;celular &lt;/span&gt;quer dizer apenas que "funciona com célula", mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;telemóvel&lt;/span&gt; define logo a função do instrumento. Os baratíssimos cartões para orelhão e telefone fixo, com seus milhões de números para digitar, são excelentes, mas infelizmente não servem para receber chamadas. Comprei um desbloqueado, para depois usar por aqui sem problemas, só trocando o chip.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O simpático aparelhinho foi-me muito útil em todas as minhas andanças desencontradas. Juntou pessoas, consolidou amizades e fez-me sentir um pouco parte de tudo o que vi e vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode haver ternura num email. Essa versão moderna da carta tem apenas um inconveniente e muitas vantagens: não se pode escrever à mão - mas em compensação não é preciso esperar dias e dias pelos correios. E quando a resposta chega (às vezes em minutos) a gente fica feliz do mesmo jeito que ficava antigamente, quando o carteiro nos depositava nas mãos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;aquele&lt;/span&gt; envelope que tanto aguardávamos.  O que importa, afinal, é o conteúdo, é "ouvir" palavras de alguém que se quer bem, é poder dizê-las na mesma.  E sentir-se perto quando se está longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de me sentir perto de um Portugal feito de pessoas lindas, humanas, com seus defeitos e qualidades. Gente como a gente, enfim... gente que sabe gostar e ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gostada&lt;/span&gt;. Que bom que a tecnologia ajuda - e às vezes, entre uma palavra e um carinho, é possível esquecer um pouco o Atlântico, as horas e horas de viagem, e simplesmente deixar o coração saborear o momento. Como agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5792649833217081308?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5792649833217081308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5792649833217081308' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5792649833217081308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5792649833217081308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/10/ternuras-e-telemveis.html' title='Ternuras e telemóveis'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RxJfft8TceI/AAAAAAAAAIw/ITppABo4dHQ/s72-c/pelourinho-de-coruche.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5125564651211832418</id><published>2007-10-08T19:30:00.000-03:00</published><updated>2007-10-08T22:47:26.153-03:00</updated><title type='text'>Esferovite, ou " não dá pra ligar o nome à pessoa"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RwrSZt8TccI/AAAAAAAAAIg/BbRzlwuKbqQ/s1600-h/isopoires.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RwrSZt8TccI/AAAAAAAAAIg/BbRzlwuKbqQ/s320/isopoires.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5119135265731080642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A língua portuguesa é uma só. É a sexta mais falada em todo o mundo, tão poderosa que até reúne os oito países falantes numa comunidade internacional. E nós, os nativos, ficamos muito felizes com isso. Podemos até acreditar que é só chegar em Timor Leste, por exemplo, e estaremos automaticamente em casa.&lt;br /&gt;É nesse momento - no êxtase hipnótico da autoconfiança - que começamos a correr perigo.&lt;br /&gt;Por mais que a língua seja a mesma, temos de nos lembrar de um detalhe que faz toda a diferença: as culturas lusófonas são bem diversas. Nada mais natural, pois o &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;que determina a essência de uma cultura&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; são os elementos que a construíram. Essa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;irmandade&lt;/span&gt; baseada na língua-mãe é uma coisa real, sim, mas também precisa de um cultivo, de um entendimento, de um desprendimento básico: sair um pouco daquela cultura que está instalada dentro de nós e abrir espaço para que a cultura do outro nos alcance, nos sensibilize e nos aproxime dele.&lt;br /&gt;Não gosto nada, por exemplo, quando alguém escreve ou diz: "Isso aqui está escrito em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brasileiro&lt;/span&gt;." Brasileiro, pra mim, é um cidadão do Brasil, do gênero masculino. O nosso idioma é português, pronto, tanto aqui quanto em Luanda, Maputo, Dili ou na cidade do Porto. O que muda é a cor local, que enriquece o idioma sim, sem  no entanto transformá-lo em outro.&lt;br /&gt;As minhas experiências com a cultura portuguesa através das armadilhas da língua têm sido memoráveis. Hoje acabei me lembrando de uma bem interessante, e aparentemente banal, mas que dá bem a dimensão da importância do viés cultural para explicar a diversidade.&lt;br /&gt;Quando estava em Lisboa resolvi visitar uma exposição de arte moderna nos salões da Assembléia da cidade, uma linda edificação conhecida como Palácio da Saúde, por ter sido um sanatório no passado. As peças eram da coleção Berardo, um acervo importante. E algumas, por sinal, bem expressivas. Como em quase todos os museus que visitei em Portugal, uma jovem guia muito qualificada, estudante de artes plásticas, esclarecia tudo e situava o pequeno grupo de visitantes naquele contexto. Cada detalhe envolvido na montagem da exposição - a localização das peças, a divisão dos espaços e o próprio caminhar entre eles - era vital para causar no visitante uma determinada impressão, vislumbrada pelos curadores.&lt;br /&gt;Nos jardins deparei-me com uma peça de Henry Moore, com cuja obra tomei contato há uns dois anos e meio e que se tornou uma das minhas paixões. Mas havia outros trabalhos interessantíssimos, que representavam conceitos ligados ao movimento, aos sentimentos, ao próprio homem e sua presença no planeta. A guia explicava cada detalhe com muita propriedade. Chegamos então a uma espécie de árvore esquemática, "plantada" no espaço aberto. E ela comentou: - O material que o artista usou é o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esferovite&lt;/span&gt;, em função da leveza que ele queria representar.&lt;br /&gt;Assim que acabou de dizer isso, a menina - que já tinha trocado algumas palavras comigo, e portanto sabia que eu era brasileira - apressou-se em explicar, solícita: - Esferovite é o que vocês chamam de Isopor! Eu sei porque tenho amigas brasileiras! - sorriu.&lt;br /&gt;Fui tomada, então, por essa palavra. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Es-fe-ro-vi-te&lt;/span&gt;. Nem o melhor esforço de imaginação poderia aproximá-la, no meu universo, da matéria à qual dá nome. Esferovite me lembra esferográfica, uma simples caneta Bic (a Bic foi a primeira marca de canetas esferográficas a aparecer no Brasil e existe até hoje). Não há analogia possível com o isopor, com aquelas bolinhas inconvenientes com cheiro (e gosto) de nada que fazem a maior sujeira quando não estão recheando almofadas, ou com aquelas placas grossas que, no tempo do colégio, a gente comprava para fazer cartazes para a Feira de Ciências. Ou que recortávamos, com fio quente, e transformávamos em personagens gigantes: Mickey, Pato Donald, a brasileiríssima Mônica e sua turma... ou em letras para escrever FELIZ ANIVERSÁRIO.&lt;br /&gt;Quando o Brasil venceu a Copa do Mundo de 70, o meu pai - que era um hábil e talentoso desenhista - pintou três enormes taças Jules Rimet em folhas de isopor, recortou-as a quente e colou hastes de madeira atrás. A festa nas ruas era  grande - e lá fomos nós, como a grande maioria dos brasileiros, comemorar. A avenida principal da minha pequena cidade transformou-se num imenso carnaval, alegria para todos os lados. Meu pai ia à frente do pelotão da família; levava um painel enorme que pintara em lona de vinil, com uma gigantesca formiga - alusão às "formiguinhas do Zagalo", alcunha pela qual eram conhecidos os jogadores da nossa seleção - carregando ao ombro um raminho com várias folhas. Cada uma levava o nome de um país derrotado pelo invicto Brasil, em sua mais histórica campanha em Copas do Mundo.&lt;br /&gt;Atrás vínhamos nós, eu e minhas duas irmãs, cada qual com sua imensa Jules Rimet. O povo olhava aquilo e se admirava, afinal eram desenhos perfeitos. A gente quase não dava conta de carregá-las, embora o isopor/esferovite seja bem leve; eram mesmo muito grandes! No calor da festa, acabaram sendo tomadas pela multidão inebriada, mas ninguém ligou. Tudo em nome da vitória: a terceira Copa conquistada, a taça em casa definitivamente, a alma lavada.&lt;br /&gt;(Ainda éramos todas pequenas demais para imaginar o que acontecia, naquele exato momento, nos porões da ditadura militar. E jovens demais para compreender a extensão da manipulação que usava o futebol, paixão nacional, para encobrir tantos crimes que só muito mais tarde viriam a público.)&lt;br /&gt;Anos e anos depois, no terceiro aniversário da minha filha, pintei 80 rostos de palhaço em bolas médias de isopor, colei-lhes cabelos de lã vermelha, fiz o corpo com papel crepom (como será que se diz isso em Portugal?) e a estrutura com canudinhos de refrigerante (&lt;span&gt;ou  seja, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;palhinhas&lt;/span&gt;, meus caros portugueses), para a felicidade dos convidados mirins. Isopor faz parte da vida, afinal! Usa-se no dia a dia. É uma presença que pode até ser esférica, como as cabeças dos palhacinhos da festa da menina, mas não &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esferovítica&lt;/span&gt;, pelo menos para nós brasileiros.&lt;br /&gt;Ao relembrar tudo isso, percebo que aquela exposição deixou-me algumas boas lembranças para além da arte. Por exemplo: saber que isopor também pode ser esferovite - e sem perder a substância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5125564651211832418?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5125564651211832418/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5125564651211832418' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5125564651211832418'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5125564651211832418'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/10/esferovite-ou-no-d-pra-ligar-o-nome.html' title='Esferovite, ou &quot; não dá pra ligar o nome à pessoa&quot;'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RwrSZt8TccI/AAAAAAAAAIg/BbRzlwuKbqQ/s72-c/isopoires.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5514479852199777280</id><published>2007-09-27T09:33:00.001-03:00</published><updated>2007-09-29T01:28:26.535-03:00</updated><title type='text'>Não me tirem o "c" de facto!...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rvuug2I-_0I/AAAAAAAAAIY/B0GQDGMsXZo/s1600-h/Manuel-Alegre.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rvuug2I-_0I/AAAAAAAAAIY/B0GQDGMsXZo/s320/Manuel-Alegre.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5114873681121574722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Manuel Alegre&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No penúltimo dia da Bienal do Livro no Rio de Janeiro, aventurei-me numa viagem interminável no transporte disponibilizado pelo Metrô, até o Riocentro, na Barra da Tijuca. O que parecia fácil e civilizado - tomar o ônibus Siqueira Campos-Barra, depois fazer uma conexão no Terminal Alvorada até o Pavilhão de Exposições do Riocentro, com direito a pagar meia entrada para curtir a Bienal - foi uma verdadeira odisséia, cansativa e longuíssima. E que me fez chegar um pouco atrasada ao evento que me levou até lá: assistir, na Esquina do Leitor, ao bate-papo com Lygia Fagundes Telles e Manuel Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O português Manuel Alegre, 70 anos de incrível vitalidade e simpatia, sempre foi objeto de uma grande curiosidade da minha parte. Poeta consagrado, escritor, personalidade respeitada por meio mundo, consegue ainda ser um político socialista coerente, vibrante e cheio de sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois as agruras da viagem pagaram-se, e muito bem. A conversa entre os dois monstros sagrados da literatura não poderia ter sido mais agradável, profunda e inspiradora. A Lygia - ela que me desculpe a intimidade, mas isso é conquista da familiaridade que brota automaticamente das páginas do livro,  entre o leitor e o seu autor - é sempre magnífica, próxima, rica em maravilhas para partilhar com todo mundo. Não é à-toa que em segundos se forma uma multidão em torno dela, e às vezes é preciso que a fiel secretária a ampare para preservá-la do excesso de amor que costuma suscitar. E o Manuel, esse é um boa-praça dos mais qualificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Esquina do Leitor é um espaço interessante, amplo e cheio de bancos corridos. Um pequeno palco eleva os autores só o suficiente para serem vistos por todo mundo. Eles também sentam em bancos de jardim, contra um fundo plotado que reproduz fachadas do melhor colonial brasileiro.  A sala, criada com divisórias, não é de todo imune ao burburinho que emana da área dos stands da feira, ou da praça de alimentação ali tão perto; mas lá dentro, sei lá, cria-se um pacto de devoção e silêncio, de atenção redobrada, que faz de todos cúmplices da proposta de ouvir o que os escritores têm a dizer para além das páginas dos livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou-se um pouco do óbvio: por que os escritores portugueses não são mais lidos no Brasil, e vice-versa? Lygia não entende. "Nós sempre nos amamos de paixão, os portugueses e os brasileiros. Como é que o público não tem em mãos os livros dos grandes poetas portugueses aqui, meu Deus?" Manuel - que pela primeira vez lança um livro seu no país, o romance "Cão como nós"- concordou com veemência e reputou "As Meninas", de Lygia, como "a obra que mudou o panorama da literatura em língua portuguesa, revolucionou a maneira de contar uma história".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois falaram sobre os seus personagens e a forma como eles ganham vida própria além do papel. Lygia tem histórias ótimas de quando é interpelada por um leitor, que questiona o rumo de um personagem. "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Não senhora, acho que ele não morreu. Acho que está escondido em algum lugar. Não acredito que a senhora fez isso&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;." Mas há também aqueles que morrem e voltam, pedem para retornar à vida. "Vira e mexe um deles chega perto de mim e me pede: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Lygia, você me matou! Deixa-me viver de novo!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;", diz. "Eu respondo que não, e explico: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Olha, você morreu, não fui eu que te matei. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas os personagens insistem!", diverte-se. Ao Manuel também acontece de personagens retornarem e cobrarem dele o destino que lhes atribuiu. "Às vezes escuto, às vezes faço que não ouvi" - comenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As histórias da cadela da família, personagem central de "Cão como nós", não poderiam faltar.  "Leiam, leiam esse livro", entusiasma-se Lygia. "É uma beleza. Não se consegue largar!". Manuel recorda que o animal costumava refestelar-se em busca de carinho, manhosamente,  diante de qualquer visita que chegasse, enquanto à família repelia. "Ele fazia de propósito!" Uma amiga, ao ver o cão tão solícito, chegou a comentar: "&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Mas este cão está cheio de carências afetivas!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;". "Dava-nos muita raiva", sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sobre a questão da publicação dos autores portugueses no Brasil, Manuel Alegre levantou a questão da ortografia. "Sou favorável ao acordo ortográfico que unifica o nosso idioma", garantiu. "Mas há exceções: palavras como &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;facto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;fato&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. Para mim, um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;fato&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; sem o "c" será sempre terno, roupa. E um &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;facto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, com "c", uma notícia, um acontecimento. Portanto, podem reformar tudo, mas por favor, não me tirem o "c" do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;facto&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lygia observou que as pequenas diferenças são importantes para dar a cor local. "O português é um idioma falado em oito países! É o sexto idioma mais falado no mundo! E como é rico! Não podemos querer apagar as diferenças normais de expressão de cada lugar, mas o que importa é que o português continua sendo uma das línguas mais belas, ricas e interessantes. É por isso que não vejo mal em assimilarmos, na literatura, a diversidade que traz em si o retrato de cada cultura; nem por isso a nossa língua deixa de ser a mesma."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Alegre falou de seu amor pelos poetas brasileiros, por Drummond e Bandeira em especial. Em sua época, era comum ler todo mundo. "Para nós eram poetas da língua portuguesa e pronto. Não importava se eram portugueses ou brasileiros." Lygia também falou da importância de Miguel Torga, Fernando Pessoa e seus heterônimos, além de muitos outros. Manuel Alegre lembrou Mário Cesariny e Alexandre O'Neill, outros grandes da poesia portuguesa. E ambos concordam que é preciso lê-los e tê-los no coração sem distinção de nacionalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como político, Manuel não descansa, não abre mão da combatividade e dos seus ideais. Seu artigo "&lt;a href="http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1300444"&gt;Contra o medo, a liberdade&lt;/a&gt;", publicado em julho passado no jornal português Público, no qual escreve regularmente, causou enorme repercussão, sacudiu a estagnação das pessoas e provocou uma nova reflexão sobre o papel da sociedade em cultivar o exercício da liberdade verdadeira de agir e pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final... mas que final? Conversas desse tipo nunca terminam de verdade. Palavras rápidas e apertos de mão trocados, os dois - cada um deixando um séquito para trás - embarcam nos práticos carrinhos que a produção reserva para as estrelas da festa literária. E nós ficamos com as palavras, o exemplo e as atitudes que nos oferecem a circular pelas artérias, combustível para enfrentar os dias com maior calor e poesia.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5514479852199777280?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5514479852199777280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5514479852199777280' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5514479852199777280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5514479852199777280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/09/no-me-tirem-o-c-de-facto.html' title='Não me tirem o &quot;c&quot; de facto!...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rvuug2I-_0I/AAAAAAAAAIY/B0GQDGMsXZo/s72-c/Manuel-Alegre.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8153721185957396854</id><published>2007-09-22T08:04:00.000-03:00</published><updated>2007-09-22T11:10:10.065-03:00</updated><title type='text'>Reverência</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RvUdxWI-_zI/AAAAAAAAAIQ/a4Ordj1QgRY/s1600-h/jorgepalma-lusa.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RvUdxWI-_zI/AAAAAAAAAIQ/a4Ordj1QgRY/s320/jorgepalma-lusa.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5113025685543124786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Foto: Manuel &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/manuelino"&gt;Lino&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É inevitável, sim, voltar ao Jorge Palma neste blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não apenas pela felicidade da sua música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem porque todo mundo está careca de saber o quanto eu gosto dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mesmo pelo imenso ser humano que é, para além da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É porque Jorge Palma tem momentos tão inigualáveis, tão fundos, que é impossível não registrar. Se você pensa que já viu tudo, certamente engana-se (e disso os palmaníacos entendem bem). Mesmo com todas as surpresas pequenas e grandes, há situações que superam toda e qualquer possibilidade, vão além da mais fértil imaginação e deixam a gente numa felicidade só, com um orgulho danado, e na maior alegria por poder, de alguma forma, ser parte daquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que se deu comigo no dia 20 de setembro - quinta-feira passada, há menos de 72 horas, e portanto quase quente ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela eficiente rede &lt;/span&gt;&lt;a href="http://bloguepalmaniaco.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;palmaníaca&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, um passarinho me contou que o Jorge Palma faria um concerto no Metrô de Lisboa (ai, eles dizem 'Metro'), mais precisamente na Estação do Cais do Sodré, uma das maiores (senão a maior) da cidade, bem no olho da hora do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;rush&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, no dia 20. A boa lembrança veio do próprio Metrô de Lisboa, nas comemorações da Semana Européia da Mobilidade (ah, que coisa mais civilizada, celebrar os transportes públicos!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que soube, sorri muito por dentro. O Jorge - talvez a pessoa pública mais despida de qualquer vaidade que já conheci na vida - sempre teve coragem de viver. Para ele, nunca foi problema enfrentar tudo com um sorriso e uma guitarra na mão. A sua história pessoal registra que, nas peregrinações pela romântica Europa dos anos 70, cantou muito na rua para sobreviver mesmo. E o metrô foi um de seus palcos mais constantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho linda essa sua capacidade de existir apenas pelo que é, com suas verdades e uma enorme, verdadeira humildade. E posso imaginá-lo, sim, a oferecer sua imensa arte aos quatro ventos, ao ouvido e ao coração de quem soubesse recebê-la. Com a grandeza de sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em entrevistas recentes, contou que em Paris tinha crédito no pequeno hotel em que morava. Acordava, tomava um café da manhã reforçado, ia cantar em busca do destino (e do pão). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;"O importante é que nos sentíamos vivos"&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, resumiu (posso até adivinhar o sorriso). Disse também que, em Portugal, foi levado diversas vezes pra cadeia (ou &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;esquadra&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;, como dizem lá. Qualquer brasileiro pensaria  logo num navio militar; afinal, esquadra, aqui... deixa pra lá) mas nunca foi mesmo preso. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;"Quando tinha uma pequena multidão em torno de mim, iam embora ou eram vaiados." &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tempos brumosos. (A minha alma, muitíssimo solidária, faz coro e dá o maior apoio às importantíssimas vaias entoadas pelos primeiros fãs de carteirinha a defenderem o Jorge.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa ser grande para encarar os altos e baixos da vida errante. Lembro-me que um dia, há muitos anos, no Rio de Janeiro, resolvi que ia vender sanduíche natural na praia. Pra quem não sabe, sanduíche natural foi uma moda riponga que pegou muito aqui nos anos 80; pão de forma com recheio de ricota com cenoura, ervas, às vezes frango desfiado... tudo muito política e ecologicamente correto. E a praia de Ipanema era mesmo um grande mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, levei os sanduíches, mas na hora de apregoá-los, como faziam os vendedores, tive uma imensa dificuldade. A voz quase que não saía! Comecei a andar, a andar, a andar - e o grito vinha tímido, cortado, quase como um pecado difícil de confessar. Aos poucos, porém, fui ganhando confiança. E no fim já me divertia. O melhor momento do dia foi a (única) venda que fiz. Enfim, o sucesso! Mas nunca mais repeti a façanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por essas e por outras que amo a generosidade que o Jorge Palma tem para com a vida e o que ela lhe deu. Vê-se nos olhos que é uma relação limpa, nada a lamentar ou reivindicar. É mesmo seguir em frente, enquanto houver estrada para andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no Metrô do Cais do Sodré, foi uma emoção vê-lo homenageado e reverenciado por uma multidão apaixonada, num palco imenso e com tudo o que um grande artista tem direito, exatamente no lugar onde começou. Mesmo de longe, e pelo vídeo da matéria jornalística postada no site do canal televisivo SIC, pude sentir o calor e estar quase dentro, quase perto, para orgulhar-me muito do amigo e vibrar ao vê-lo receber esse reconhecimento mais que especial, mil vezes merecido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8153721185957396854?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8153721185957396854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8153721185957396854' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8153721185957396854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8153721185957396854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/09/reverncia.html' title='Reverência'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RvUdxWI-_zI/AAAAAAAAAIQ/a4Ordj1QgRY/s72-c/jorgepalma-lusa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-986695102010060390</id><published>2007-09-13T12:16:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T18:59:20.684-03:00</updated><title type='text'>Laços pela vida (enquanto houver ventos e mar)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rulx1BrfOMI/AAAAAAAAAHA/29MZLllNPO0/s1600-h/twoplaces.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rulx1BrfOMI/AAAAAAAAAHA/29MZLllNPO0/s320/twoplaces.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5109740408026380482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lisboa e Saquarema&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na viagem de carro por estradas próximas, tortuosas, procurava não pensar muito no encontro que teria, daí a umas duas horas. Tentava dormir para ganhar forças, mas não consegui direito; um cochilo aqui, outro acolá, entre os fatos recentes e as muitas expectativas. Sabia que começava a entrar na metade brasileira de uma história de outros, depositada com cuidados extremos no meu colo. E que teria de tratá-la com cuidados ainda maiores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E tudo começou em Portugal, há mais de cinqüenta e menos de sessenta anos, algo por aí. Um homem positivamente encantador, artístico, alegre e cheio de possibilidades - pelo que me consta - casou-se um dia, teve um filho. E separou-se da mulher pouco depois. Mas o filho, ao longo da vida, teve pai para conversar, admirar, divertir-se, discordar, dar-lhe voltas e abraços. Pois esse homem de muitas possibilidades tinha a esperança sempre aquecida, dentre as muitas chamas que carregava dentro de si. E amou de novo. Casou-se com uma jovenzinha cheia de viço e alegria de viver, muitos anos mais nova, que não hesitou em enfrentar a família para viver o grande amor que escolheu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho primeiro, então rapazote e sempre vivendo com a mãe, coube com a maior naturalidade na nova família do pai. Talentoso, traquinas, imprevisível e fascinante por natureza, tornou-se uma espécie de xodó da madrasta, mais próxima dele em anos que do próprio marido, e também da família desta. Algum tempo depois acabou por ganhar uma irmã e, anos mais tarde, mais um irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;A estrada serpenteia noturnamente, e eu espero, aquietando o coração. É perturbador tocar quase de perto em memórias adormecidas no coração alheio, mas sinto que as pessoas que me esperam estão felizes com isso. O vento da noite esfria, sinto por dentro um frio ainda maior, que me desaloja um pouco de mim mesma, mas mesmo assim confio no melhor que há de vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A vida poderia transcorrer sempre assim, o irmão mais velho adolescendo e adultejando entre as duas famílias, de um lado a mãe, do outro o pai, sua nova mulher, os irmãos e tudo bem.  Mas ele possuía um coração inquieto, e isso, em que pese ser às vezes grandioso, é muito muito perigoso. Brilhou, transgrediu, modificou o tempo à sua volta. Deixou pegadas fortes, marcas profundas.  E seguiu sua vida guardando dentro algumas saudades boas. O pai, de quem tinha herdado a inquietude básica de viver, também fez novas escolhas: de armas, bagagens e coração cheio, mudou-se com a  família para o Brasil, para a beira do mar da Região dos Lagos, onde decidiu abrir uma pousada e viver na amplitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina tinha dez anos, algumas raízes, saudades de muita coisa, sobretudo do irmão mais velho, já homem, com seu piano ardente, poesia em riste e paixão absoluta por viver a vida. Trouxe-o para cá em seus guardados de criança que lembra e resiste, e a seu modo cresceu com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Estou quase na Linha Vermelha, os restos da Baixada para trás. O trânsito está bom, pistas vazias, vento a favor. Ao subir o viaduto em frente ao Hospital do Fundão, toca o celular. Sim, estou chegando, respondo. Falta muito pouco, menos que quase nada. E logo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O pai, dentro da sua imensidão, acabou por separar-se de novo. E casar mais uma vez. E os três filhos viraram mesmo cinco. Não tão longe, ainda pela orla do mar, vivem os outros dois: um rapaz, hoje com 25 anos, e uma jovem de 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longo da vida os irmãos se encontraram muitas vezes. O primeiro, que ficou em Portugal, chegou a emigrar para outro país europeu nos tempos difíceis sob a ameaça da guerra do ultramar, mas voltou e continuou a fazer diferença, na música e na poesia. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Casou algumas vezes, teve seus filhos também, soube seguir os próprios sonhos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Os outros, abrasileirados e brasileiros, firmaram pé por aqui. A menina cresceu, casou e mudou-se para o sul, teve duas filhas que tambem cresceram. Os outros três ficaram aqui mesmo no Estado do Rio. Mas os laços permaneceram, lindamente bordados na seda da lembrança e da saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;E agora estou eu em meio a essas relíquias familiares, penso, enquanto o automóvel entra na Avenida Atlântica. Tudo por conta da amizade bonita e recente com o irmão mais velho, que confiou-me a saga e garantiu que eu devia conhecer a sua irmã. Tenho, sim, prazer em aprofundar-me e reconstituir as partes separadas pelo mar, mas unidas na alma. Com cuidado, com jeito, pé-ante-pé, aproximo-me devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para a menina e sua filha, sua mãe, o padrasto. Os pequenos passos que faltam para o primeiro abraço parecem léguas, milhas enormes a percorrer. Mas o vento ajuda, o cais recém-construído ao pé da areia de Copacabana também. E logo estamos juntos a percorrer de volta os passos da aventura, a rir de mil e uma histórias memoráveis, a evocar o personagem do irmão querido, do tio inquietante e encantador, desse elo indescritível que de repente nos une numa celebração em que fala a voz do sangue, mas fala também o poder transformador, mágico, da amizade e do entendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite alta embala os meus sonhos pela estrada, caminho de volta necessário, ainda que longo. São mais de quatro da manhã quando faço menção de deitar-me após a jornada rumo ao fundo de tanta coisa. O corpo falha, mas o coração, mais que acarinhado, grita muito de alegria.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-986695102010060390?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/986695102010060390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=986695102010060390' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/986695102010060390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/986695102010060390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/09/laos-pela-vida-enquanto-houver-ventos-e.html' title='Laços pela vida (enquanto houver ventos e mar)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rulx1BrfOMI/AAAAAAAAAHA/29MZLllNPO0/s72-c/twoplaces.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-3969666065932884457</id><published>2007-09-02T12:09:00.000-03:00</published><updated>2007-09-13T11:24:39.167-03:00</updated><title type='text'>Isabel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtrYTxhvDfI/AAAAAAAAAG4/AENRkugzfkk/s1600-h/isabel-caldeira.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtrYTxhvDfI/AAAAAAAAAG4/AENRkugzfkk/s200/isabel-caldeira.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5105630961801825778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Isabel eu conheci também na net. É uma moça muito versada em informática, sabe enquadrar, equalizar, embelezar uma página no ciberespaço. E mais: tem paciência em ajudar aos que, como eu, mal executam as quatro operações quando o assunto é tecnologia da informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabel tem muito bom gosto. Seus &lt;a href="http://serpentine99.blogspot.com/"&gt;blogs&lt;/a&gt; - ela tem vários! - assim o demonstram. Falam de cinema, poesia, música, gente... Todos são muito agradáveis de ler e bonitos. É adepta do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bookcrossing&lt;/span&gt;, uma coisa que acho genial: livros que cruzam de fato o caminho de pessoas que, mesmo sem esperar por eles, têm uma bela chance de aproveitá-los, oferecida pelo destino e pelo desvelo de quem se preocupa em semear, desinteressadamente, a magia da leitura por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na música, partilhamos o gosto pelo Jorge Palma. Isabel adorou o clip da música "Encosta-te a mim", carro-chefe do cd &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vôo Nocturno&lt;/span&gt;, lançado por ele no início de julho.  Sei também que aprecia o Sérgio Godinho, pois quando estava em Portugal chegou a convidar-me para assisti-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não vi nem a Isabel e nem o Sérgio Godinho... Minha viagem sinuosa e entrecortada acabou por não permitir. Fiquei triste, claro, porque já a tinha mesmo no coração. Mas olha que isso não abalou em nada a nossa cumplicidade básica, muito bem consolidada por algumas conversas telefônicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a Isabel continua além do tempo. Falamos quase todos os dias, e com as facilidades da tecnologia temos a ilusão de que já estivemos juntas. Ou que estamos sempre juntas. Ou que... enfim, dá tudo no mesmo (como se diz no Brasil) ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;na mesma&lt;/span&gt; (como é mais costume dizer-se em Portugal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Isabel é mãe de dois belos rapazes, eu de uma linda jovem (vá, assumo a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;corujice&lt;/span&gt;). Então temos assunto no âmbito da adolescência, da cultura, da música, dos anseios comuns de gente da nossa geração. Somos leitoras uma da outra, assíduas nos blogs e nas notícias de país a país. E sempre trocamos muito!  Quando viajou de férias para Cascais, a net ficou meio vazia... afinal, encontrávamo-nos muito amiúde.  Ora, mas passar uns dias no mar não é uma bênção? Afinal, na vida temos de enxergar, e viver, além de um teclado. E, num ambiente natural, outras maravilhas se revelam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Isabel curtiu Cascais, voltou, e está aí a escrever. E a ler-me sempre, claro, assim espero!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-3969666065932884457?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/3969666065932884457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=3969666065932884457' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3969666065932884457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3969666065932884457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/09/isabel.html' title='Isabel'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtrYTxhvDfI/AAAAAAAAAG4/AENRkugzfkk/s72-c/isabel-caldeira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1045293043748553304</id><published>2007-08-28T00:12:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T19:28:57.682-03:00</updated><title type='text'>Sabores da língua</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOS0hhvDbI/AAAAAAAAAGY/F0LJ5AP9RZ8/s1600-h/diospiro.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOS0hhvDbI/AAAAAAAAAGY/F0LJ5AP9RZ8/s400/diospiro.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103584233791622578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;Diospiros&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;                                         &lt;br /&gt;Há frutos que é preciso&lt;br /&gt;acariciar&lt;br /&gt;com os dedos com&lt;br /&gt;a língua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e só depois&lt;br /&gt;muito depois&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se deixam morder&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Jorge de Sousa Braga&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;                                             &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;Quem vê essa inocente fruta vermelha, de suave consistência e sabor ora doce, ora travado, que se aprende a comer maciamente - com as mãos, lambendo a frágil casca para não perder um só pingo de doçura, ou com cerimônias, de colher, tentando ao máximo não impregnar os dedos do seu caldo que, como todo doce, gruda - não imagina que possa suscitar polêmicas. Nem que possa ter dois nomes absolutamente distintos num mesmo idioma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi com o genial Mário Prata, escritor brasileiro que viveu e trabalhou dois anos em Portugal, que na terrinha a prezada fruta atende pelo inimaginável nome de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dióspiro&lt;/span&gt;. Ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;diospiro&lt;/span&gt;, sem pronunciar o acento. Mário, que escreveu o impagável &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Schifaizfavoire&lt;/span&gt;, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;suposto 'dicionário de português-português' e manual de sobrevivência para brasileiros em terras lusitanas, disse que jamais conseguiu pedir um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;diospiro&lt;/span&gt; em Portugal. Considerava esse nome um desrespeito à própria fruta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, pra mim e pra qualquer brasileiro, esse lindo e vermelho exemplar de delicia é nada menos que o proverbial &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caqui&lt;/span&gt;. '"Mas como caqui?", diria o Manel, espantado. "Caqui, claro!", responderia o carioca com ar de tédio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vossa Senhoria há de convir: os nomes não poderiam ser mais díspares, mais distantes, mais opostos. É quase como chamar salada de frutas de macarronada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até saber da existência dos diospiros (até mesmo na poesia, como se pode constatar acima), eu nunca questionei a verdade de um caqui. Vá lá, podia até ser uma fruta dita exótica, dessas que só há por aqui, como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;açaí &lt;/span&gt;ou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cupuaçu &lt;/span&gt;(ambas deliciosas também). Mas não. Caqui é caqui e pronto, simples assim, pensaria eu, se sequer chegasse a pensar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que surgiu o diospiro para bagunçar o coreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vê-se logo que é um diospiro", diria um português que nunca tivesse suspeitado da existência dos caquis. "Tem cor de diospiro, gosto de diospiro, jeito de diospiro... Não há dúvidas!".  Para mim, isso soaria como a maior bobagem jamais dita. "Pois se tem cor de caqui, jeito de caqui, gosto de caqui..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos de língua, não gosto de deixar nada sem uma boa explicação. E pus-me portanto a investigar, para atinar com a razão dessa disparidade toda. Pesquisa daqui, pesquisa dali, acabei por descobrir que lusos e brasileiros têm razão à sua maneira: os dois nomes populares da fruta têm origem no seu nome científico, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diospyros kaki&lt;/span&gt;. A gente escolheu o caqui, enquanto os patrícios ficaram com o diospiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns portugueses mais puristas poderiam dizer que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caqui&lt;/span&gt; é aquela vaga cor da qual se faziam os uniformes dos patrulheiros da Legião Estrangeira. E o brasileiro, rápido, objetaria: "Não, não, a cor é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cáqui&lt;/span&gt;, não caqui!". Ah, como esse acento agudo faz diferença para nós! O cáqui, tom derivado do marrom, é uma cor; já o caqui, que não tem acento mas é pronunciado com ênfase na última sílaba, é uma fruta quase sempre vermelha, suculenta e deliciosa (que, por sinal, no último verão fez a nossa alegria; há anos não me lembrava de um verão que produzisse caquis tão admiráveis!). Bem, eu disse "quase sempre vermelha" porque existe - ainda segundo minhas pesquisas! - o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;caqui chocolate&lt;/span&gt;, também conhecido como caqui duro, de consistência mais firme e textura terrosa, que ainda não tive oportunidade de provar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, depois de tantos detalhes advindos dessa minha incursão no universo dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Diospyros kaki&lt;/span&gt;, dei por encerrada a polêmica. Não sem uma certa reserva, porém. Afinal, diospiro não me parece sequer uma palavra elegante... Caqui, pelo menos, é um vocábulo pequeno, aconchegante, que lembra o quintal da vó da gente, a infância... Ou será que é a fruta que lembra isso tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sei lá... pra falar a verdade, acho que o melhor a fazer, diante de um caqui (ou diospiro), é seguir os cânones do poeta e comê-lo, sim, com o vagar necessário ou a pressa contundente... e aproveitar o sabor, seja lá que nome tenha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;                                             &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1045293043748553304?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1045293043748553304/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1045293043748553304' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1045293043748553304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1045293043748553304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/08/sabores-da-lngua.html' title='Sabores da língua'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOS0hhvDbI/AAAAAAAAAGY/F0LJ5AP9RZ8/s72-c/diospiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4446484946660402835</id><published>2007-08-18T08:26:00.000-03:00</published><updated>2007-08-28T00:12:08.313-03:00</updated><title type='text'>Cristina, ao vento...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOSIRhvDaI/AAAAAAAAAGQ/Vi3OJ0nA6Qg/s1600-h/SombrArredia1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOSIRhvDaI/AAAAAAAAAGQ/Vi3OJ0nA6Qg/s400/SombrArredia1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5103583473582411170" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;Foto de Cristina Santos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É possível que ela fique um pouco brava comigo, e nisso entra o meu lado aventureiro: vale a pena correr esse risco porque de duas coisas eu tenho certeza. Primeiro, a zanga não vai durar. E segundo, é muito importante que mais e mais gente a conheça. (Portanto, amiga, já pedindo perdão e sentindo-me perdoada, eis você aqui na galeria dos meus mais queridos personagens).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A novela é uma velha mania dos brasileiros... Começou no rádio, entre vozes ultra-dramáticas e sonoplastia em geral assustadora, lá pela década de 30. Na tv, com os anos, acabou sendo elevada às raias de arte e da superprodução. E a maior novela de todos os tempos -  que ficou nove meses em cartaz e mobilizou o país inteiro, com direito a um mega-show de encerramento no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro - chamava-se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O direito de nascer&lt;/span&gt;.  Dentre as marcas que deixou na nossa cultura, essa novela imortalizou o nome de sua heroína, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Isabel Cristina&lt;/span&gt;, a ponto de a atriz que viveu a personagem adotá-lo como seu daí em diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois a Cristina é, sim, metade Isabel, apesar de às vezes torcer o nariz para o lindo nome. E chegou até mim guiada por sua natural solidariedade; caiu-lhe em mãos uma pergunta qualquer que fiz pela net e ela me trouxe uma resposta. Daí visitamos cada uma o blog da outra e começamos uma amizade além-fronteiras que é, em todos os sentidos, admirável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cris tem tudo o que se pode esperar de uma boa amiga: é atenta, presente, sabe ouvir, dar e receber e nunca, nunca deixa você na mão. É extremamente generosa e sabe exatamente como arrancar um sorriso da gente justo naquelas horas mais pesadas e difíceis. Talentosa na pintura, na palavra e nas artesanias, é capaz de transformar em ouro o menor detalhe despercebido e criar maravilhas o tempo inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos muito em comum, e uma das coisas que nos aproxima é a nossa capacidade de ser fãs. Gosto e assumo esse meu lado, sim. Na verdade, acho que o fenômeno "fã", em suas várias dimensões, merecia um estudo sociológico, com a catalogação dos comportamentos tanto pelo viés psicológico como por seu impacto na cultura e na sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã de muita gente, de anônimos, parentes e famosos. De escritores, cientistas, vizinhos, amigos, artistas. É claro que há momentos que favorecem um ou outro, e as formas de sentir são customizadas, mas sempre há os super-especiais. E a Cris apresentou-me o eleito da sua admiração, o Pedro Abrunhosa. E devo agradecer por isso também, além de tudo o mais que a sua amizade me traz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem compraria religiosamente para mim - e guardaria até eu chegar - a imensa coleção de cds de música portuguesa lançada pelo jornal &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Público&lt;/span&gt;? Só ela mesmo. Em Coimbra acompanhou-me, num vento de fazer dó, até a arena dos shows da Queima das Fitas, bem no meio da tarde. E sempre com um sorriso. E mesmo com o pouco tempo que tivemos para conversar e estar juntas, em meio às loucuras da minha viagem, parecia mesmo que nos conhecíamos da vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cristina vive em Figueira da Foz, cidade de lindo nome que não consegui visitar (ainda!). Gosto desses nomes assim que só Portugal tem, nomes que querem dizer exatamente o que os lugares são. Imagino a seguinte história: na foz do rio (Mondego) deve ter havido uma linda figueira, à sombra da qual alguém descansou, saciou sua sede... e resolveu ficar. E assim passou a chamar o "seu" lugar, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu vivo ao pé da figueira da foz&lt;/span&gt;. E pronto! Por que diabos as pessoas insistem em dar às cidades nomes de pessoas, como aqui, onde um lugar chamado Igrejinha virou Getulândia, em homenagem ao presidente Getúlio Vargas, e uma cidade mineira acabou batizada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ewbanck da Câmara&lt;/span&gt;? (Aliás, que me perdoe o homenageado, mas se tivesse nascido em Portugal jamais teria esse nome graças à fantástica lei onomástica do país, felizmente observada com o máximo rigor. Nomes estrangeiros? Nomes absurdos? Jamais!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Cris é uma pessoa linda, artística e sensível. Graças a ela tenho navegado nas águas de vários poetas que não conhecia e passei a admirar; e tenho ouvido muitas músicas também. Fiquei feliz por ter cruzado ao seu lado a madrugada fria de Coimbra, recheada pelos sons do Jorge (Palma) e do Pedro (Abrunhosa).  Decerto haverá outras, quando o futuro quiser. Mas para já (o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por enquanto&lt;/span&gt; dos portugueses) ficamos com a alegria dos encontros na net, dos livros e discos que trocamos e o imenso presente da amizade bem cultivada. Ave, Cris!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4446484946660402835?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4446484946660402835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4446484946660402835' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4446484946660402835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4446484946660402835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/08/cristina-ao-vento.html' title='Cristina, ao vento...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RtOSIRhvDaI/AAAAAAAAAGQ/Vi3OJ0nA6Qg/s72-c/SombrArredia1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-70100278364619358</id><published>2007-08-12T10:03:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T11:39:37.264-03:00</updated><title type='text'>Santa Maria da Feira, Estarreja, Algés</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr8aVFlGxUI/AAAAAAAAAFo/WpSBFhVVNJA/s1600-h/casa-ruinas1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr8aVFlGxUI/AAAAAAAAAFo/WpSBFhVVNJA/s400/casa-ruinas1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097822252784076098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Encanta-me o Portugal pequeno, simples, comum, do povo. Onde vivem as pessoas de verdade, onde amigos se encontram todas as manhãs na hora do café, por exemplo, como acontece em Algés, na Avenida da República, mais precisamente no bar do Sr. António, ao pé do prédio onde vive a Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Integrei-me rápido, e até me acostumei, ao ritual: todos os dias tomávamos café nesse bar,  que fica mesmo na loja do prédio, numa esquina que se despenca numa ladeira de inclinação improvável, mas que mesmo assim fica repleta de carros estacionados, numa afronta explícita à Lei da Gravidade. Todos os dias  chega a Vera, cumprimenta o Sr. António e este responde:&lt;br /&gt;- Bom dia, Verinha! A &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bica&lt;/span&gt; de sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Para os desavisados, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bica&lt;/span&gt; em Portugal é o nosso cafezinho).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera responde que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sim, Sr. António, e um copo d'água também&lt;/span&gt;. Já rodeiam o balcão algumas senhoras, todas muito carinhosas com ela, e uma vizinha mais próxima, que vive no próprio prédio, além da Matilde e da Mariana, duas meninas muito pequenas que logo serão levadas à creche. Ao verem a Vera, esticam logo os dedinhos - e aí começa outro ritual: a Vera retira dois de seus anéis enormes e coloridos, de acrílico, e deposita um no dedo de cada uma. As meninas sorriem e contemplam os anéis extasiadas, dobram os dedos, viram e mexem... depois devolvem. É assim desde quase sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida chegam outros &lt;span style="font-style: italic;"&gt;habituées&lt;/span&gt;, como o pai da Matilde, que segundo a Vera era ainda moleque quando ela se mudou para lá. Todos conversam sobre as coisas normais da vida, o dia de ontem, o que vão fazer hoje, os filhos e netos e etc. E são solidários; segundo a Vera, o Sr. António uma vez estava no bar e o cachorro de um senhor idoso que lá ia todos os dias apareceu à porta, emitindo sons que aparentemente pediam socorro. Logo pressentiu perigo e nem hesitou: fechou o bar tranqüilamente e acompanhou o bicho até a casa do dono, que de fato passara mal e precisou ir para o hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida em Algés é assim, tranqüila e ao mesmo tempo movimentada; a cidade, que até poderia ser confundida com um bairro de Lisboa, de tão perto que é, está longe de ser um dormitório como tantas outras. Respira por si mesma, há gente por toda parte e tem de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Santa Maria da Feira, próximo ao Porto, foi uma surpresa. É pequena, acolhedora e tem um enormíssimo castelo. E castelos, para nós que não os temos aqui, são uma fascinação que remonta aos contos de fada. Afinal, nenhum adulto cresce completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fui parar no dia 5 de maio, para o primeiro compromisso da minha agenda jorgepalmiana. Na tardinha quase fria passeei com o Tiago e a Soraia à volta do castelo que também tem uma igreja, entrei na igreja justo na hora do início da missa e, como convém, esperei que o celebrante e seu cortejo chegassem ao altar antes de me retirar, sem esquecer de deixar ali as orações de quem chega, ritual que cumpro à risca em toda parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da escada da igreja avistei a casa da foto, um pequeno edifício em ruínas que ganhou vida por conta de uma idéia brilhante: portas e janelas foram decoradas com fotos da festa da padroeira. Bela maneira de fazer presente a memória enquanto não se consegue restaurar a construção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomamos cerveja num bar logo em frente, de inspiração meio anos sessenta, servido e freqüentado por rapazes bem bonitos. Andamos pela praça e seguimos a pé, investigando os arredores. Depois fomos até o teatro onde aconteceria o concerto, mas como era cedo resolvemos fazer um lanche antes. Ao retornarmos já escurecia e o tempo esfriava. A primeira gentileza da produção foi nos convidar para esperar no hall, ainda fechado ao público àquela hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Estarreja cheguei no dia 12, depois de Coimbra e após um tour carinhosamente planejado por Tiago e Soraia até Torreira, passando por São Jacinto. Na Torreira, quase anoitecendo, tive a sorte de presenciar a retirada das redes do mar por um grupo de pescadores a entoar seus cantos de trabalho. E de ver os barcos a colorir o cinzento da água que escurecia com a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi mais que uma breve passagem, Estarreja: uma volta pelo centro, um lanche e depois o excelente teatro, para um concerto de primeira.  Quando planejei a viagem até pensei em pernoitar por lá mesmo, já que não sabia que teria a atenção e a companhia de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;palmaníacos&lt;/span&gt; tão especiais como o Tiago e a Soraia (e em Estarreja também da Cristina, amiga deles e minha vizinha de assento durante o concerto). Mas, graças à assessoria deles, as noites do norte foram mesmo vividas no Porto, para meu grande prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada do dia 13, quando cheguei ao Residencial Escondidinho, colado ao Coliseu do Porto (o já querido Grande Hotel de Paris não tinha vaga naquele dia), desabei nos braços do sono: desde o amanhecer em Coimbra, na véspera, já estava há quase 24 horas no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo valeu a pena... (preciso continuar?)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-70100278364619358?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/70100278364619358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=70100278364619358' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/70100278364619358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/70100278364619358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/08/santa-maria-da-feira-estarreja-algs.html' title='Santa Maria da Feira, Estarreja, Algés'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rr8aVFlGxUI/AAAAAAAAAFo/WpSBFhVVNJA/s72-c/casa-ruinas1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8121918035254949479</id><published>2007-08-04T10:43:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T09:59:40.035-03:00</updated><title type='text'>De Coimbra, só um pouco</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RrSOo1lGxSI/AAAAAAAAAFY/gbAv3jn9Tws/s1600-h/Coimbra.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RrSOo1lGxSI/AAAAAAAAAFY/gbAv3jn9Tws/s400/Coimbra.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5094853910691497250" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Criança ainda, lembro que Roberto Carlos gravou a canção "Coimbra". E que eu não sabia o que era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;choupal&lt;/span&gt;, mas também não perguntava a ninguém. Cantava, simplesmente. Repetia. E aquilo me agradava. Das aulas de Geografia e de História, sabia que tinha sido capital de Portugal e que era um importante centro universitário. De resto, pouco ou nada mais.&lt;br /&gt;Coimbra não estava no roteiro original da viagem, mas acabou sendo a escolhida do destino: foi diante do seu majestoso cenário que me encontrei pela primeira vez com Jorge Palma, num dos concertos da Queima das Fitas, no dia 11 de maio.&lt;br /&gt;Não sei falar muito bem sobre a tradição da Queima das Fitas, praticada religiosamente por nove entre dez das universidades mais antigas de Portugal. Sei apenas que é uma festa das mais esperadas pelos alunos, que dura vários dias e é organizada com o maior entusiasmo. Há um ritual de abertura onde as fitas dos uniformes são mesmo queimadas; comemoram-se tanto a formatura dos que concluem o curso como a chegada dos calouros. Na despedida há um enorme desfile com carros alegóricos pelas ruas da cidade, que por acaso vislumbrei rapidamente no Porto, para além da meia-noite, numa das minhas chegadas noturnas e intempestivas. Mas o fato é que nas Queimas há shows todas as noites, e num concerto não previsto, mas mágico para mim, Jorge e eu nos apresentamos. A noite fria, a visão da Universidade iluminada e do imenso rio, os milhares de estudantes em seu traje oficial de Queima - as moças de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tailleur&lt;/span&gt; preto, camisa branca, gravata borboleta e cartola, os rapazes de calça preta, camisa branca e a tradicional capa preta que os remete quase à Idade Média - e aquele clima um tanto familiar de megaconcerto deram o tom do momento. Assim como a simpatia da Paula, assistente da produção do Jorge, do grande guitarrista Flak, seu companheiro de todas as jornadas, dos integrantes da banda, dos filhos do cantor e do marido da Paula, que nos levava de um lado a outro, sempre tão gentil e atencioso.&lt;br /&gt;Cheguei a Coimbra muito atrasada... e nervosa. Tinha sido mais um longo dia marcado pela perda de um comboio (ai, minha sina) e amenizado pelo carinho da Vera que, a caminho de Ponte de Lima, prontificou-se a levar-me de carona (ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boléia&lt;/span&gt;, como se diz em Portugal...). A Cristina, grande grande amiga que me entende como ninguém nos assuntos musicais, já me esperava na cidade desde cedo, vinda da sua Figueira da Foz. Fomos buscá-la numa biblioteca pública e, de lá, voamos para o Residencial Botânico. Isso equivale a dizer que os meus sentidos, normalmente tão ligados no ambiente e suas delicadezas, embotaram-se pela pressa e pela angústia das horas. Tinha marcado com a Paula na área da Queima e precisava chegar... Mas é claro que tudo se resolveu, ainda que com alguma perda na paisagem. Mesmo assim ainda lembro de uma bela praça com arcos, onde fizemos duas vezes o retorno para chegar à rua do hotel, e da margem do rio, que tive o prazer de percorrer a pé na madrugada após o espetáculo.&lt;br /&gt;Acabei por jantar com a Paula e toda a produção no Hotel Meliá. Foi um prazer sentir o carinho e a simpatia daquelas pessoas. Incrível como o espírito da personalidade do artista se reflete na sua equipe: em todos os três concertos do Jorge Palma a que assisti, jamais topei sequer com um daqueles personagens histéricos e arrogantes, de radinho na mão, a esguichar impaciência em torno de si, como tantos que já encontrei por aqui em cenários semelhantes. Todos, sem exceção, são educadíssimos, gentis e prestativos. Ao colocar o crachá que me ofereceram, senti-me quase como se estivesse trabalhando e até prontifiquei-me a ajudar no que fosse possível, pois a última coisa que desejaria era causar-lhes qualquer transtorno.&lt;br /&gt;Enquanto circulava livremente pelos espaços do show - palco, camarins, platéia - observava a cidade-cenário à minha volta, sob as luzes da noite. O céu azul-profundo era muito nítido, lindo, livre de estrelas, a emoldurar uma lua que se desmanchava sobre as águas do Mondego. A friagem cortante, sempre que podia, perturbava a paz do meu sobretudo negro e quentinho. Mas a paisagem era única, os estudantes estavam alegres e minha amiga Cristina feliz da vida, na primeiríssima fila do gargarejo, embevecida com a apresentação do Pedro Abrunhosa, de quem é grande fã. Aliás, nos camarins, perto da hora de entrar, Abrunhosa e seus inseparáveis óculos escuros cumprimentaram-me com um aceno, antes de abraçar com carinho o Jorge.&lt;br /&gt;Nas primeiras fímbrias da manhã deixamos a área e cruzamos a ponte a pé. Muito bela, a quase-aurora sobre o rio. Apesar do frio encarei uma caminhada a pé até a estação dos comboios, na esperança de trocar minha passagem e ter direito a umas horinhas de sono, mas não consegui e tive mesmo de partir para o Porto às nove da manhã, pois no dia seguinte assistiria ao meu último concerto do Jorge, na cidade de Estarreja.&lt;br /&gt;Mas ficou o gostinho de Coimbra na paisagem intocada e na friagem instalada entre a pele e os agasalhos. Ao sair, tive a certeza de que haveria de voltar para aproveitá-la sob cada uma das luzes que a podem revelar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8121918035254949479?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8121918035254949479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8121918035254949479' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8121918035254949479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8121918035254949479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/08/de-coimbra-s-um-pouco.html' title='De Coimbra, só um pouco'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RrSOo1lGxSI/AAAAAAAAAFY/gbAv3jn9Tws/s72-c/Coimbra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6199790988812859616</id><published>2007-07-30T18:58:00.000-03:00</published><updated>2007-07-30T20:48:47.168-03:00</updated><title type='text'>Gente, espelho da vida, doce mistério!...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rq5mpFlGxRI/AAAAAAAAAFQ/wfIbI-_pVGo/s1600-h/fotos-amigos.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rq5mpFlGxRI/AAAAAAAAAFQ/wfIbI-_pVGo/s400/fotos-amigos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093121084661089554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tenho falado aqui dos meus personagens, mas acho que o título que escolhi hoje - que só poderia mesmo ter saído da cabeça de alguém brilhante como o Caetano Veloso - tem muito mais a ver com as grandes figuras que encontrei por Portugal.&lt;br /&gt;O primeiro solo humano que pisei em terras lusas foi o povoado pelos amigos da Vera. E logo senti firmeza, como se diz aqui no Brasil. Já falei de alguns, mas o meu coração não me deixa  esquecer de ninguém. O que cada um me trouxe não tem preço, e é único em si. Foram muitas noites a rir, a brincar, a festejar a vida numa confraria aberta (talvez eu tivesse, sem saber, alguma senha especial) e carinhosa, muito carinhosa o tempo inteiro.&lt;br /&gt;Da esquerda para a direita, em instantâneos tomados ao sabor do momento, temos João Paulo, Sandra, Carla e Nuno. Todos fundamentais, hospitaleiros, inteligentes e alegres. Sim, porque para agüentar a doce "zoação" do pessoal há que ter, sempre, um imenso bom humor (aliás, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;imenso&lt;/span&gt; é palavra indispensável e das mais usadas no falar corrente dos dias portugueses).&lt;br /&gt;O João Paulo, por exemplo, foi flagrado acima no nosso almoço de despedida, no Tromba-Rija. Nem precisa falar que todo mundo riu ao vê-lo cercado de copos (na maioria dos outros), mas ele não deu a mínima. A Sandra, casada com o Faria, também é muito brincalhona apesar desse jeitinho um tanto etéreo, que faz lembrar uma pintura de Botticelli. A Carla, coitada, é sempre o maior alvo das brincadeiras. A &lt;span style="font-style:italic;"&gt;arquitonta&lt;/span&gt;, como a Vera a chama carinhosamente, é - segundo a opinião geral - a mais notívaga do grupo inteiro. Na verdade acho que os outros ficam é com uma ponta de inveja da sua disposição permanente para divertir-se. E além de tudo a danada cozinha bem, tem muito bom gosto, mora num estúdio que é simplesmente a sua cara e é super-acolhedora quando o assunto é amizade, antiga ou nova. &lt;br /&gt;O Nuno, também muito festeiro e excelente cozinheiro, é o melhor amigo da Carla. E o coração é tão grande quanto a sua alegria de viver: cobriu-me de carinho, gentileza, amizade... e bacalhau, pois jamais vou esquecer aquele que me preparou, no imemorial e charmosíssimo sobrado onde mora, um verdadeiro cenário. Ah, e além de tudo é apaixonado pelo Brasil! E pela Barbra Streisand, como eu! Nossa farra juntos teve direito a dueto em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Guilty&lt;/span&gt; e tudo, no melhor estilo Barbra/Barry Gibb!&lt;br /&gt;Há muito mais gente portuguesa dentro de mim. Não deixei amigos, trouxe-os na alma. E falo sempre com quase todo mundo. Aos poucos eles me chegam de um jeito mais forte, transformados em palavras nesse meu diário... que é de viagem mas também é de música, ritmo, cheiro, lembrança, saudade - e sobretudo de gente. Por que &lt;span style="font-style:italic;"&gt;gente é pra brilhar&lt;/span&gt;, como disse um dia Caetano numa linda canção, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Gente&lt;/span&gt;, que faço muita questão de manter à flor da lembrança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6199790988812859616?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6199790988812859616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6199790988812859616' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6199790988812859616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6199790988812859616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/07/gente-espelho-da-vida-doce-mistrio.html' title='Gente, espelho da vida, doce mistério!...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rq5mpFlGxRI/AAAAAAAAAFQ/wfIbI-_pVGo/s72-c/fotos-amigos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-7931050275015598683</id><published>2007-07-28T07:31:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T23:37:20.921-03:00</updated><title type='text'>Pedacinhos da cidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rqsc21lGxPI/AAAAAAAAAFA/RrWawmv_OMU/s1600-h/DSC00782.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rqsc21lGxPI/AAAAAAAAAFA/RrWawmv_OMU/s400/DSC00782.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5092195532093703410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;São coisas pequenas, aparentemente comuns, como esse painel antigo em vidro pintado, de uma loja tradicional, como a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paris em Lisboa&lt;/span&gt;, que me encantam pelas ruas da cidade. Em Lisboa eu andava sempre a esmo, à cata de nada, e no entanto a toda hora topava com esse tipo de riqueza. Que vem do respeito, da preservação, do cuidado em criar uma convivência saudável entre o antigo e o novo. Minha amiga Vera disse-me uma coisa que ficou na cabeça; talvez o que ela mais goste na Europa é o fato de ser um continente velho. Entendo-a bem. Você pisa diferente numa calçada antiga, diante de uma fachada antiga e bem conservada. Entra diferente numa loja centenária, onde o balconista trabalha desde rapazote e ainda está lá, os cabelos brancos e o falar pausado, guardando a memória com orgulho. &lt;br /&gt;Fiquei um bom tempo diante da &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Paris em Lisboa&lt;/span&gt; para fazer a foto do painel. E este foi o melhor resultado que consegui; não houve como escapar do poste, e felizmente a senhora aqui retratada compôs com o cenário, porque muitas outras pessoas antes atravessaram-me à frente, estragando a poesia dos dizeres dourados pintados com cuidado sobre o vidro. &lt;br /&gt;Desde a primeira vez que fui aos Armazéns do Chiado com o Faria, descendo a rua a partir da Brasileira, o estabelecimento que mais me fascinou foi uma ourivesaria cujo nome não me recordo. Por dentro, tudo é ouro e azul. As prateleiras e vitrines em decapê dourado, as paredes em azul com afrescos lindíssimos ao topo. Ficava sempre à porta, prendendo a respiração com medo de que fosse um sonho e se desfizesse no ar ao menor movimento. Nas vitrines, jóias, relógios e outros objetos muito requintados, mas esses nunca me impressionaram mesmo. A magnificência da loja é o que contava, e confesso que até pensei em comprar algo que alcançasse o meu bolso, só para entrar e ficar por algum tempo ali, em comunhão com aquela beleza que me fazia desejar ter vivido antes, bem antes, num tempo em que todas as lojas fossem assim, imemoriais cada uma a seu jeito.&lt;br /&gt;A Casa Varela, que vende artigos para pintura na Rua da Rosa, é outro lugar inigualável. Poucas vitrines, muito despojadas, e alguns itens em prateleiras soltas à frente do interminável balcão em madeira e vidro, as rugas e entalhes ocasionais no tampo a contar praticamente todas as histórias dos artistas que por ali passaram. Ao fundo, gaveteiros obedientes a guardar pincéis, solventes, anilinas. Um biombo bem ao estilo dos que havia no ateliê de fotografia do meu avô separa-nos das prateleiras infinitas onde ficam os tubos de tinta. O Faria garantiu-me que ali encontraria o que há de melhor, e foi buscar para mim o material para aquarelas que pretendia oferecer à minha irmã. Voltou com sete ou oito tubos, garimpados lá dentro. Escolhemos também um papel especial e alguns pincéis de qualidade, sintética e politicamente corretos. Deixei-me ficar um pouco diante das paredes nuas, do tímido escritório que não passava de uma ou duas mesas a um canto do biombo, à direita, e da simpatia do dono.&lt;br /&gt;Ao dobrar a esquina dei com a Pensão Londres, que me pareceu bucólica e agradável, e pensei que poderia ser um ótimo pouso numa próxima vez. Não sei direito por que, lembrou-me o Grande Hotel de Paris, que elegi como minha &lt;span style="font-style:italic;"&gt;casa&lt;/span&gt; na cidade do Porto. Aliás, não deixa de ser curioso o fato de eu ter encontrado, em terras portuguesas, locais tão simpáticos chamados "Londres" e "Paris"...&lt;br /&gt;Quando caminhei ao encontro do Tiago, na direção das Amoreiras, passei por uma rua linda, cheia de antiquários. Mesmo ao pé dela, o Faria disse-me para ficar atenta a uma loja de vidros chamada Marinha Grande - na verdade um depósito da produção daquela localidade, que há séculos faz do vidro arte e sobrevivência. Entrei e vi coisas incríveis: garrafas azuis, verdes, marrons, transparentes enverdecidas... pequenos frascos de botica, iguaizinhos aos que havia na farmácia fechada do meu tio João, que fascinava-me quando menina... e centenas de outros objetos que por cá não se encontram mais. Não levei nada porque foi inevitável pensar na bagagem e na tristeza de ver porventura quebrada qualquer uma daquelas preciosidades. Mas guardei-lhes o cheiro do eterno.&lt;br /&gt;Disseram-me que naquela rua ficava a última morada de Amália Rodrigues em vida. Procurei até, mas não encontrei a placa na porta. De todo modo, acho que sim, aquele recanto em curvas suaves e portas escuras, a ferver com a memória dos tempos, combina muito bem com o que me lembro dela. Esse tipo de delicadeza é o que sempre hei de guardar, e buscar de novo quando puder voltar, dessa Lisboa de mil encantos e de todas as idades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-7931050275015598683?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/7931050275015598683/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=7931050275015598683' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7931050275015598683'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7931050275015598683'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/07/pedacinhos-da-cidade.html' title='Pedacinhos da cidade'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rqsc21lGxPI/AAAAAAAAAFA/RrWawmv_OMU/s72-c/DSC00782.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-690159569053228700</id><published>2007-07-21T22:43:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T23:45:08.566-03:00</updated><title type='text'>Carta ao Capitão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RqKdb1lGxOI/AAAAAAAAAE4/CUTrUt8Qa4w/s1600-h/img04946_M.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RqKdb1lGxOI/AAAAAAAAAE4/CUTrUt8Qa4w/s400/img04946_M.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5089803630446822626" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Estás no mar - ou melhor, estás ao mar, como convém a um capitão que se preza. Chego a ouvir o louro a cacarejar no teu ombro. E das minhas léguas de distância preparo-te esta garrafa bem limpa, transparente e clara, que de certeza há de atravessar  incólume os mares e surpreender-te ao largo das ondas. Vais resgatá-la, e mesmo antes de abrir hás de saber que é endereçada a ti.&lt;br /&gt;Gosto de pensar numa garrafa, num manuscrito, nesses tempos velozes que nos escapam entre os dedos. Imagino-te a decifrar a mensagem sentado no pequeno convés já lavado e seco, as cordas a um canto, o sol desse verão agudo a escorrer-te pelos braços, um calor que encomprida os dias. Não, as noites não gostam mesmo dessa quentura, portanto vivem a fugir... só chegam mesmo quando o vento engrossa e as anuncia.&lt;br /&gt;Vivo numa terra quase toda feita de mar. Quando esfria num canto, no outro é quente. Daria até para veranear o ano inteiro, com muito dinheiro e disposição para viajar por imensas terras e por mares que mudam de cor, ao bel-prazer do tempo e do lugar.&lt;br /&gt;Mas agora estou no inverno, aliás bem fraquinho se comparado ao teu, ainda que entremeado de dias claros em que o sol sorri, e dias enevoados, de cara fechada e poucos amigos. Penso na tua praia e nessa malemolência que cultivas feliz, entre gaivotas, areias, amigos. Como será tua maresia alentejana? Guardará aromas secretos só permitidos aí? E como é navegar ao abrigo dos rochedos, rodeado por essa vista de tirar o fôlego?&lt;br /&gt;Sei lá por que, mas acabo de me lembrar dos &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Versos do Capitão&lt;/span&gt;, pequeno livro de poemas que Pablo Neruda dedicou à sua amada Matilde Urrutia, quando ainda mantinham sua história em véus de segredo. Só muitos anos mais tarde o poeta reconheceria esse &lt;span style="font-style:italic;"&gt;filho&lt;/span&gt; até então apócrifo, e no entanto recheado de mil delicadezas que sem dúvida o trairiam, a um exame mais apurado. Os &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Versos&lt;/span&gt; tratavam de coisas do amor, todas envoltas em marulhos e vagas e ventos de mar. E o capitão era Neruda, como ele próprio se imaginava, a ansiar por um porto seguro entre seus muitos combates.&lt;br /&gt;Talvez aí, na tua praia, te sintas um pouco assim, repousado nos braços das tardes sossegadas, a acalentar o coração antes de enfrentar as grandes águas. Um bom capitão sabe o que precisa para cruzar em segurança o imenso e o profundo. Talvez deponhas as certezas na areia e encontres o horizonte com olhos densos de mar, desse mar que levas dentro porque te faz falta.&lt;br /&gt;Vejo que guardas com cuidado a garrafa e sorrio cá do meu inverno, sabendo que estás feliz e que o calor desse tempo há de durar dentro de ti.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-690159569053228700?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/690159569053228700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=690159569053228700' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/690159569053228700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/690159569053228700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/07/carta-ao-capito.html' title='Carta ao Capitão'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RqKdb1lGxOI/AAAAAAAAAE4/CUTrUt8Qa4w/s72-c/img04946_M.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8171588544286588052</id><published>2007-07-15T08:42:00.000-03:00</published><updated>2007-07-15T09:28:16.224-03:00</updated><title type='text'>Tiago Videira (Meus personagens, 5)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoSbwLDd-I/AAAAAAAAAEo/3_1I1zmYo4g/s1600-h/TiagoV.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoSbwLDd-I/AAAAAAAAAEo/3_1I1zmYo4g/s400/TiagoV.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5087398997065431010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Feito de talentos.&lt;br /&gt;É o mínimo que posso dizer sobre o Tiago Videira. Tantas possibilidades artísticas parecem não caber nos seus parcos 27 anos (que parecem 18), mas ele, não sei como, administra-as todas muito bem. É musicólogo, compositor de rara erudição e originalidade, poeta premiado, autor publicado, blogueiro muito perseverante... e sobretudo um interessado, ponto, pelas coisas do mundo em geral.&lt;br /&gt;Conheci Tiago em viagens pela net em busca de Jorge Palma, há cerca de um ano. Em algum lugar li que ele tinha feito um trabalho sobre o músico, uma monografia de final de curso em parceria com uma colega... e mandei-lhe um email. Nada de resposta. Um dia resolvi adicioná-lo no msn. Desconfiado a princípio, não acreditou que eu tivesse enviado o primeiro email, mas eu expliquei minhas razões de fã e ele acabou compreendendo. Daí para cá fizemos grande amizade, trocamos figurinhas e venho me espantando a cada dia com a sabedoria, a inteligência e o conhecimento que dele jorram.&lt;br /&gt;Em Portugal, Tiago foi o anfitrião perfeito para as vidas poéticas e paralelas da cidade de Lisboa: com ele observei muito do que há por trás das aparências, conheci inusitados sabores, assisti a recitais, contei as pedras da calçada do Bairro, fui ao Chapitô e ao Anima-te o Garfo - e ainda ganhei de presente o Pinhão e Casal de Loivos!&lt;br /&gt;Tiago é um perspicaz crítico de música, com bagagem de fazer inveja. É seguro de suas opiniões, e como é estudioso descobre também mil segredos, desvenda referências, esmiúça as possibilidades de uma obra com consciência e respeito, sem ares de arrogância. É também um cidadão atento às grandes causas, que chama seus leitores no blog à consciência e à participação, quando realmente acredita em algo.&lt;br /&gt;Os fusos horários do Tiago é que são muito particulares; fica acordado à noite, que é quando se inspira, escreve, cria, e em geral dorme até as três, quatro da tarde. Mais um mistério que me intriga: como é que esse encantador génio consegue fazer sua enorme criatividade caber nas poucas horas do dia que lhe restam após o sono... Mas que ele é mágico, ah isso é! &lt;br /&gt;Como companhia é simplesmente um encanto, tem o maior interesse pelo outro, e entre nós os assuntos nunca se acabam. Chegamos a um ponto em que, se interrompemos a conversa aparentemente sem razão, é porque um sabe que o outro está ocupado com alguma outra coisa e depois volta normalmente, retomando tudo de onde parou. É como se não houvesse intervalo.&lt;br /&gt;"Jorge Palma, um artista marginal", o trabalho de fim de curso que nos aproximou, é uma análise extremamente qualificada da obra de Jorge Palma até 2004, tanto do ponto de vista musical quanto poético. Merece, sem dúvida, ser publicado e divulgado, pois está na categoria de documento histórico sobre a música popular portuguesa.&lt;br /&gt;Tiago ofereceu-me uma Lisboa única e particular, na sua interpretação autoral, que me transformou numa espécie de iniciada. Sua amizade, e tudo aquilo que me ensina todos os dias, são dádivas que cultivo com o maior cuidado e responsabilidade, para que floresçam com todo o sol a que têm direito e iluminem os canteiros cativos na alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8171588544286588052?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8171588544286588052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8171588544286588052' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8171588544286588052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8171588544286588052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/07/tiago-videira-meus-personagens-5.html' title='Tiago Videira (Meus personagens, 5)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpoSbwLDd-I/AAAAAAAAAEo/3_1I1zmYo4g/s72-c/TiagoV.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6165005239549656496</id><published>2007-07-13T14:01:00.000-03:00</published><updated>2007-07-13T23:57:38.335-03:00</updated><title type='text'>Belém, Jerónimos, CCB</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpezEQLDd6I/AAAAAAAAAEE/fBZs86Upz5A/s1600-h/DSC00663.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpezEQLDd6I/AAAAAAAAAEE/fBZs86Upz5A/s400/DSC00663.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086731189780445090" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma constante nessa minha viagem foi o retorno aos lugares. Era engraçado como eu sempre voltava, não a todos, mas a alguns sítios em especial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mosteiro dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém são bons exemplos. No dia em que cheguei, a Vera deixou-me naquela área, para visitar o Mosteiro e adjacências. Ventava, o tempo nublou-se depois da bela manhã de sol que me recebeu; fazia um friozinho gostoso. Na larga avenida desabrida fiquei parada, perplexa com o tamanho do edifício que um dia dividiu-se para abrigar também o Museu de Arqueologia. Caminhei despreocupada e longamente pela calçada inteira, sorvendo aquilo tudo. Não sei por que, a parte do claustro estava fechada naquele dia; então só vi mesmo o Mosteiro em si, em sua austeridade silenciosa, majestade na penumbra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto das igrejas. Sento-me sempre por largo tempo e reflito, faço minhas orações (sim, o meu lado místico é pronunciado!), fico a misturar-me à serenidade secular que emana das paredes, dos ornamentos, do rosto dos santos... Nem sempre a sensação é de paz, pois há lugares em que não conseguimos nos furtar a pensar em Inquisição, torturas, malfeitos... Mas dessa vez não foi assim. Fiquei ali tentando acreditar que estava de fato em Portugal. E funcionou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornei sobre os próprios passos até o Centro Cultural de Belém. Que arquitetura! Adorei explorar os múltiplos espaços vazados, as poderosas correntes de ar, uma perturbadora escultura modernosa feita de milhares de garrafas de vinho verde (na verdade são dois castiçais gigantes, de autoria de Joana Vasconcelos, colocados nas entradas norte e sul, batizados de "Néctar"), a amurada para o lado do Tejo, os jardins suspensos entre esplanadas, cheios de namorados em torno de si mesmos... Dei uma passadinha no cyber-café de uma das livrarias, a menor delas, e resolvi almoçar no segundo piso. Caí na besteira de pedir uma água com sabor de cola... e digo que foi a única nota dissonante, digamos assim, entre os paladares da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da amurada do jardim fiquei a mirar o Padrão dos Descobrimentos, mas não conseguia atinar o jeito de se chegar lá. Retornei a pé até a famosa Pastelaria de mil oitocentos e tal, para provar o não menos famoso pastel de Belém feito mesmo em Belém. Provei e gostei, mas, como já disse, prefiro as doceiras que emigraram para cá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei outras duas vezes, e na terceira aprendi o caminho até o Padrão dos Descobrimentos: cruza-se uma longa e larga passagem subterrânea, bem ao final do jardim defronte ao Mosteiro. Como brasileira escaldada, adivinhei mil perigos na travessia; desci as escadas na maior cautela e, ao chegar embaixo, avistei duas pessoas na outra saída. A adrenalina falou mais alto e voltei correndo. Resolvi esperar por companhia. Ao descer de novo, em seguida a um pequeno grupo, descobri que o terror era injustificado; nada havia além de duas senhoras ambulantes a vender bijuterias. Que tristes são os traumas que nos infligem as cidades violentas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era tarde, muito além dos horários normais dos museus, portanto fiquei mesmo ao redor. E adorei. Pude observar as duas faces do Infante D. Henrique e todos os outros ali retratados, a posição estratégica do marco, achei uma lindeza o Tejo entardecendo, as pessoas sentadas em volta a observar a água, a perder-se no que de imenso há nela, a adivinhar o outro lado... e não pude deixar de rir comigo mesma ao lembrar de uma piada boba que simboliza a rivalidade entre a cidade do Rio de Janeiro e Niterói, a antiga capital do estado, que fica do outro lado da Baía de Guanabara. "A melhor coisa de Niterói é a vista do Rio", dizem os cariocas... Será que quem está do outro lado do Tejo também pensa o mesmo quando vê Lisboa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei dali até a Torre de Belém e sua ponte levadiça. Adoro histórias de pontes levadiças e crocodilos perigosíssimos a defender os castelos, mas não pude sonhar muito porque a água já não está; então atravessei, aferrei-me às correntes da entrada e fiquei a tirar fotos absurdas de mim mesma, com a objetiva da câmera virada, tentando pegar parte da torre, como se tivesse sido feita prisioneira nalgum recôndito cubículo, espécie de Rapunzel sem tranças... viagens muito próprias de quem não consegue resistir ao fascínio dos séculos de pedra ali representados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Torre estiquei um pouco até o monumento aos soldados mortos no ultramar, que é de uma beleza singela e geométrica, estóica contra o sol da tarde, e refletida num melancólico espelho d'água, com a pira a arder no centro. Percorri as paredes repletas de nomes. E pensei na insanidade que bem poderia dispensar monumentos, ainda que belos. Não seria muito melhor vê-los todos escritos no livro da vida, a comemorar conquistas, na lista dos integrantes de uma orquestra, um coro, o corpo médico de um grande hospiral, nos créditos de um filme ou série de tv? No convite da formatura? Ou como parte de uma coletiva de pintura? Em lombadas grossas, nas prateleiras de uma livraria? Muito mais que uma parede solitária, o que garante mesmo que essas vidas desperdiçadas não serão esquecidas é a lembrança triste que suas famílias passarão de geração em geração, réquiem feito do amor interrompido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessei uma passarela muito alta sobre a via férrea e retornei à praça em frente aos Jerónimos. De lá, tomei o ônibus (ih, desculpa, o autocarro) até Santos, meu porto seguro, para esperar as surpresas da noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6165005239549656496?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6165005239549656496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6165005239549656496' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6165005239549656496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6165005239549656496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/07/belm-jernimos-ccb.html' title='Belém, Jerónimos, CCB'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RpezEQLDd6I/AAAAAAAAAEE/fBZs86Upz5A/s72-c/DSC00663.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4781403424964441485</id><published>2007-06-29T12:05:00.000-03:00</published><updated>2007-06-30T21:48:37.088-03:00</updated><title type='text'>Fado na alma</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RoUmfN0YMaI/AAAAAAAAADs/tO0wMB3eA9M/s1600-h/Mariza_338.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RoUmfN0YMaI/AAAAAAAAADs/tO0wMB3eA9M/s400/Mariza_338.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081510072284623266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Faço hoje um parêntese nos relatos de viagem - viagem propriamente dita, em que se sai de um lugar e vai-se dar a outro. Há outras viagens, e ontem fiz uma dessas; a viagem ao contrário, em que se está num lugar e recebe-se na alma um outro. Regressei de Portugal  há mais ou menos uns 40 dias, e no entanto ontem recebi-o de volta. Quase inteiro e com todos os gostos e cheiros. Com um dos lados da alma, o mais sombrio e denso, o mais profundo, triste só quando necessário.&lt;br /&gt;E isso se deu com Mariza.&lt;br /&gt;Não a conhecia - não de fato, só mesmo de fotografias e de umas poucas faixas em áudio. Isso quer dizer que não a conhecia. Sim, porque para conhecer Mariza é preciso vê-la em cena. É perturbador ver aquela força da natureza, esguia, flutuante, muito bem vestida - de preto, como convém a uma autêntica fadista - entrar pelo palco e dominá-lo inteiramente, e de chofre, com um único olhar.&lt;br /&gt;Acompanhada de uma verdadeira orquestra - violinos, cello (pelas mãos do convidado especial Jacques Morelembaum), guitarra portuguesa, guitarra acústica, guitarra baixo e percussão - Mariza deu-se a conhecer, fibra por fibra. E mostrou o furacão que é. &lt;br /&gt;Com Mariza a emoção é bruta e elegante a um tempo; despedaça-se e recompõe-se com artes de grande atriz, sem cair, em momento algum, na pieguice ou no excesso. Aliás, até o excessivo próprio do fado vem com sutileza, com contornos dançarinos, com luz e sombra dignas dos mestres espanhóis. Mariza é luz e sombra, é toda sons puros, cristalinos, fortes, graves, agudos, agrestes, cavos, fundos, por vezes abertos e espraiados como um mar de música. Mariza canta com os olhos, as mãos, o organismo inteiro e, com o corpo, faz eco ao que vem dos músicos, para depois apropriar-se disso e traduzir tudo com sua voz de incrível claridade e poder. &lt;br /&gt;Barco Negro. Silêncio e pouca luz a emoldurá-la, como um farol distante. E as mãos do percussionista na caixa. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;São looouuucaassss...&lt;/span&gt;, escutava-se em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pianissimo&lt;/span&gt; e logo após num &lt;span style="font-style:italic;"&gt;crescend&lt;/span&gt;o, como se a voz viesse duma enorme caverna solitária. Súbito, mais forte, mais perto, mais dentro. E na segunda parte, a coroar o absurdo de beleza, as guitarras entram todas de uma vez, sob o vermelho-vinho insinuado pela primorosa iluminação. &lt;br /&gt;Depois, o alívio, o carinho, o bater de palmas, o partilhar  generoso de lembranças com a colônia portuguesa. Impossível não se emocionar com a emoção de toda aquela gente e suas saudades, que eu como recém-chegada da terrinha posso entender com cada veia do corpo. Mariza, não a estrela, mas o ser humano a falar da sua terra, das raízes e da família, na presença do tio há 30 anos no Brasil ("Já é brasileiro, o meu tio!") e da prima ("... e a minha prima, nasceu aqui! Viram? Não são só vocês que têm família em Portugal; eu também tenho família no Brasil!").&lt;br /&gt;E muitos fados mais, alguns tristes, outros desesperados, outros alegres e brincados. No momento mais íntimo, só a voz, guitarra portuguesa e guitarra acústica, sem microfones. Do jeito que aprendeu quando criança, na taberna dos pais, na Mouraria. E o mar de gente mais silencioso que já vi na vida, como a sacralizar a tradição. &lt;br /&gt;No retorno à cena após os incessantes aplausos e gritos de "Volta, volta!", outro presente: "Fascinação", acompanhada somente ao cello por Jacques Morelembaum. Mariza toda voz e toda terra. Mariza, simplesmente. E todo o povo sem respirar.&lt;br /&gt;Mariza foi minha melhor viagem de volta, em tão pouco tempo, a um Portugal ainda tão presente cá dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4781403424964441485?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4781403424964441485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4781403424964441485' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4781403424964441485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4781403424964441485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/fado-na-alma.html' title='Fado na alma'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RoUmfN0YMaI/AAAAAAAAADs/tO0wMB3eA9M/s72-c/Mariza_338.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-3389592193706034004</id><published>2007-06-22T10:29:00.000-03:00</published><updated>2007-06-22T11:12:36.782-03:00</updated><title type='text'>Soraia e Tiago (Meus personagens, 4)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnvVba6QmeI/AAAAAAAAADc/jJTpD_I7ZYM/s1600-h/tiagosoraiaemgaia.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnvVba6QmeI/AAAAAAAAADc/jJTpD_I7ZYM/s320/tiagosoraiaemgaia.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078887671847229922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O António, dono do antológico restaurante Taipas-i-Feijão, no Porto, já se refere a eles como "Os Palmas". Muito justo e apropriado: a Soraia e o Tiago são o mais encantador casal de palmaniacos que existe na face da terra portuguesa.&lt;br /&gt;O Tiago com seu jeitinho discreto e meigo, a Soraia com seu rosto de Bette Davis (os olhos não, esses são muito mais suaves que os de Jezebel!), são pessoas doces. Combinam bem um com o outro, entendem-se. E gostam do Jorge Palma. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Melhor que isso só dois disso&lt;/span&gt;, pra usar uma expressão bem brasileira...&lt;br /&gt;Conheci Tiago em minhas andanças pelo Blogue Palmaníaco, hoje a mais atual fonte de informação sobre Jorge Palma na internet (as outras, não sei bem por que, deixaram de ser atualizadas...). Um dia mandei-lhe um artigo e ele me retornou, pedindo pra publicar no seu blog (grande honra pra mim!). E daí fizemos amizade.&lt;br /&gt;Na minha viagem o Tiago e a Soraia tiveram um lugar especialíssimo. Foram verdadeiros anjos da guarda, mais que amigos, carinhosos, presentes e têm muito a ver com a minha assumida paixão pela cidade do Porto. Fizeram o possível e o impossível pra eu me sentir em casa, ou melhor, quase da terra mesmo, membro do clã e coisa e tal.&lt;br /&gt;Sem o Tiago eu não teria conhecido Jorge Palma. O seu providencial toque fez o milagre: ligou para um amigo da produção e pronto, tudo se abriu para mim como um grande presente, a melhor viagem na palma de um tapete mágico.&lt;br /&gt;A Soraia é uma moça quietinha, mas cheia de tesouros... e que sabe rir, gosta de histórias e está sempre atenta ao Tiago. Aliás, e ele a ela. Dá gosto vê-los assim, tão feitos um pro outro... (e com a trilha sonora certa, o que é melhor). Juntos capitaneiam o excelente blog "&lt;a href="http://da-me-musica.blogspot.com"&gt;Dá-me música!&lt;/a&gt;", que merece a visita.&lt;br /&gt;De nossos grandes momentos guardo saudades, porque foram muitos. Os quilômetros que fizeram questão de rodar comigo, para eu conhecer tudo o que fosse possível, a presença e a companhia nos concertos de Santa Maria da Feira e de Estarreja, as aventuras no Porto, tentando passar pela multidão da Queima para chegar até o Taipas... O barzinho brasileiro em Gaia, o sanduíche de morcela na madrugada mais faminta de todas...&lt;br /&gt;Soraia e Tiago. Taí uma ótima fonte de inspiração pra uma próxima canção a ser composta pelo Jorge Palma!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-3389592193706034004?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/3389592193706034004/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=3389592193706034004' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3389592193706034004'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3389592193706034004'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/soraia-e-tiago-meus-personagens-4.html' title='Soraia e Tiago (Meus personagens, 4)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnvVba6QmeI/AAAAAAAAADc/jJTpD_I7ZYM/s72-c/tiagosoraiaemgaia.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8149731367867335267</id><published>2007-06-20T12:22:00.000-03:00</published><updated>2007-06-21T15:40:46.561-03:00</updated><title type='text'>Lisboa, aos poucos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnlXhK6QmcI/AAAAAAAAADE/3TKhZFa5S20/s1600-h/largodaassembleiadelisboa.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnlXhK6QmcI/AAAAAAAAADE/3TKhZFa5S20/s400/largodaassembleiadelisboa.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5078186282212956610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Cidade a ponto cruz bordada&lt;br /&gt;Toalha à beira mar estendida..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Lisboa, menina e moça - Ary dos Santos/J.Pessoa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa viagem entrecortada, a gente demora um pouco a entender os lugares. E por isso Lisboa entrou em mim aos poucos, às vezes aos sustos, às vezes aos sussurros, ou mesmo aos solavancos. E quando me dei conta estava lá para sempre.&lt;br /&gt;Cheguei bafejada de sol e calor, o dia ainda acordando, e foi bom. Os cheiros e borbulhos fizeram-me festa, em meio às nítidas cores das ruas por onde caminhei, com o comércio ainda quase todo fechado, bem cedinho. Os rostos, receptivos, e as distâncias, pequenas à primeira vista. Explorei a Praça dos Restauradores, o Rossio, a Praça do Comércio, as ruas adjacentes, três lados do Teatro D. Maria II, a estação que está em reformas, as pedras portuguesas milimetricamente assentadas, ao contrário do que acontece no Rio (meu passado me condena; quebrei ambos os dedinhos do pé, com intervalo de um ano entre um e outro, ao chutar desavisadamente algumas delas, soltinhas da silva, na Cinelândia...). No dia seguinte lá estava eu na estrada a caminho do Porto, o primeiro lugar onde parei, de fato, para respirar e sentir Portugal com mais intensidade.&lt;br /&gt;Só voltei para Lisboa cinco dias depois, e retomei minha exploração a partir do bairro de Santos, onde me apropriei do quartel-general da Vera e do Faria. Ali conheci o célebre teatro A BARRACA e sua criadora, Maria do Céu Guerra - que almoça quase todo dia no mesmo restaurante onde comíamos nós. Dali habituei-me a subir as ruas para um lado e outro, a conhecer cantinhos, confluências, praças, o Museu de Arte Antiga que  acabei não visitando porque estava parcialmente em reformas, o Museu da Assembléia que adorei, e a arquitetura que resplandecia. Não me cansava de tirar fotos de prédios, para preservar em cores os azulejos todos que via pela frente. Sorte minha ter comprado, logo no primeiro dia, uma boa câmera e um cartão de memória gigante; sem eles, este blog ficaria mesmo só nas palavras...&lt;br /&gt;O Chiado e a Fnac eram paradas obrigatórias e constantes, com meus amigos, meus discos e livros e muito mais. A Casa Portuguesa, a primeira jóia que o Faria quis apresentar-me, ficou para a próxima porque também estava em reformas, e a cada dia mudavam a data da reabertura. Disse-me o Faria que lá tem milhares de pequenos detalhes da cultura portuguesa: andorinhas pretas de parede, bonecos do Zé Povinho, galos de Barcelos de todos os tamanhos... enfim, aqueles itens que, com o tempo, abandonam a prateleira do kitsch e passam à do cult. Quis muito percorrer aquele emaranhado de lembranças, de guardados, que se adivinhava nas vitrinas baças pela poeira, mas fazer o quê?&lt;br /&gt;Com o Tiago Videira fui ao Castelo de São Jorge, de ônibus. Sobe-que-sobe-que-sobe-ladeira, a uma certa altura o motorista avisou que não podia ir até o fim porque, no caminho, havia um carro enguiçado. (Senti-me em Salvador.) Subimos corajosamente o que faltava do trajeto, a resfolegar, parando ocasionalmente para reunir forças.&lt;br /&gt;Surpreendi-me ao saber que, na verdade, não há Castelo; o que existem são as muralhas que cercam o que seria a cidadela onde Lisboa começou. Ali dentro, contou-me o Tiago, vivia toda uma comunidade organizada, governantes, vassalos, comércio. Hoje resta a fortificação com suas escadas e torres. Subi e circundei-a pelo estreito caminho disponível. A vista da cidade vale qualquer sacrifício.&lt;br /&gt;No elegante Teatro São Luís, assistimos a um recital da Escola Superior de Música de Lisboa. Um típico produto de primeiro mundo, tal como o entendemos. Fiquei a pensar no que diriam alguns dos emproados regentes de certas orquestras que se dizem profissionais por aqui...&lt;br /&gt;(E nesse recital fui apresentada à palavra "beberete", que substitui de forma deliciosa e genuína o famigerado "coffee-break"...)&lt;br /&gt;Quando acabou fomos caminhar pelo Bairro Alto, ou simplesmente "o bairro", no trato chic e natural da gente da terra. Tarde da noite e nós despreocupados pelas vielas impregnadas de boemia, sem aquela alma de medo que nos vestem à força no Brasil... E eu a pensar em como é bom poder esquecer um pouco a violência...&lt;br /&gt;Outro susto de beleza foi o Chapitô, um charmoso restaurante que funciona numa escola de atores. Há um espaço aberto e agradável com várias mesas (para eles, uma esplanada), que à noite se acende como uma grande festa de São João; das árvores centenárias surgem luminárias mirabolantes, feitas pelos próprios alunos dos cursos de arte. Em frente há uma área fechada que funciona como teatro para as aulas, e à noite vira boate ou abriga eventos fechados. Acima dela, uma plataforma para os artistas circenses dividirem o seu talento com quem ali estiver saboreando a vida.&lt;br /&gt;Olhar para Lisboa lá do alto é um exercício de poesia.&lt;br /&gt;Após mais quatro dias parti de novo para Coimbra, Estarreja e, mais uma vez, o Porto. E com isso interrompi, temporariamente, a leitura de Lisboa, para continuar na volta.&lt;br /&gt;E o resto depois eu conto, mas garanto a todos que jamais vou revelar o final, visto que ele não existe...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8149731367867335267?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8149731367867335267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8149731367867335267' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8149731367867335267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8149731367867335267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/lisboa-aos-poucos.html' title='Lisboa, aos poucos'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnlXhK6QmcI/AAAAAAAAADE/3TKhZFa5S20/s72-c/largodaassembleiadelisboa.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-5090988432502074180</id><published>2007-06-17T02:25:00.002-03:00</published><updated>2007-06-18T13:02:56.689-03:00</updated><title type='text'>O amigo que não vi</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnZ59a6QmaI/AAAAAAAAAC0/RxYg15Lm1Ok/s1600-h/01_opequenoprincipe.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnZ59a6QmaI/AAAAAAAAAC0/RxYg15Lm1Ok/s400/01_opequenoprincipe.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5077379726009473442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esta é a melhor foto que tenho dele, em seu planeta azul guardado no coração, todo engalanado. Gosto dela porque destaca bem o seu olhar menino, pequeno e curioso, a espreitar a vida de lado...  O ar meio tristonho também é o mesmo, quando fica assim parado num quase-sorriso, à espera do minuto seguinte...&lt;br /&gt;Não o vi por pouco ou por muito. É sabido que faz muitas viagens, e que costuma deixar o seu planeta em busca de outros mundos e histórias, mas não por muito tempo. E também cultiva rosas, de várias espécies, com maior ou menor esmero, de acordo com a época certa de plantio e floração. Cuida de manter-lhes o viço e o aroma sempre que pode, mas nem sempre pode, e às vezes uma ou outra pode padecer um pouco por falta de água ou ter a terra revolvida, para refrescar as raízes... &lt;br /&gt;Quando não está sobrevoando algum planeta obscuro ou reluzente, ou quando não está em seu jardim a ocupar-se, em especial, duma ou outra rosa, gosta de esticar-se ao sol, sobre uma toalha de poesia pura. Ou deleitar-se nas águas frescas de um conto que corre  inevitavelmente para o mar. Ou então ouvir a música que se esvai por entre as rochas, no entardecer. E à noite põe-se a sorrir, entretido, para as estrelas com quem troca confidências às vezes.&lt;br /&gt;Gosto de observá-lo com os cabelos revoltos por algum vento solto de mar, e de vê-lo dizer simples bobagens com gosto, ou coisas bonitas com jeito. O amigo que não vi sabe brincar como qualquer criança que se preza, correr, esconder-se, reaparecer, rir, assustar, jogar peteca... O seu passatempo predileto é pular de alturas impensáveis para qualquer ser humano, mas ele parece adorar cada ínfimo instante em que se vê solto no ar, como se usasse asas emprestadas, como se voar fosse a coisa mais fácil do mundo!&lt;br /&gt;O amigo que não vi tem lá seus quartos escuros, e num desses andei aprisionada, após uma cabra-cega que nos colocou de costas um para o outro. Quando a brincadeira acabou eu saí batendo a porta, ele pisando duro... Até que um dia trocamos de bem, viramos a página da mágoa e saímos de novo para o sol, a correr atrás de cabritos e colher azeitonas. E entre os ventos de Lisboa esperava o seu rosto de infância, que não vi mas pressentia em sorrisos ao telefone e em planos pequenos, despreocupados, de tomar um café e desfiar poemas para não perder o hábito...&lt;br /&gt;Não sei bem se foram as viagens, as rosas ou as estrelas, ou mesmo a velha bússola no bolso da capa. O fato é que nos perdemos sem distância farta e por pequeno prazo. Tinha ele um espaço guardado no meu Portugal, combinado entre as dobras das mensagens de texto e em muitos sorrisos de alívio que se me escapavam pelas ruas, nas bucólicas esquinas, por sobre as pontes e nos miradouros que desaguavam no Tejo, nos fins de tarde ou entre as estrelas das noites altas.&lt;br /&gt;Mesmo assim o amigo que não vi está perto talvez, não sei ao certo onde. E a alegria do reencontro permanece além dos olhos, como um pétala guardada entre as páginas do livro de cabeceira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-5090988432502074180?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/5090988432502074180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=5090988432502074180' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5090988432502074180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/5090988432502074180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/o-amigo-que-no-vi_5335.html' title='O amigo que não vi'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RnZ59a6QmaI/AAAAAAAAAC0/RxYg15Lm1Ok/s72-c/01_opequenoprincipe.gif' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-3008314261266011195</id><published>2007-06-12T16:40:00.000-03:00</published><updated>2007-06-13T10:20:20.353-03:00</updated><title type='text'>PALMA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rm75O66QmXI/AAAAAAAAACY/O5Yx7U_HB1I/s1600-h/JPCoimbraviolao2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rm75O66QmXI/AAAAAAAAACY/O5Yx7U_HB1I/s400/JPCoimbraviolao2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5075267864820226418" /&gt;&lt;/a&gt; Falar de ti me é sempre novo. Vou ficar no agora, mesmo que ao fundo ouçam-se acordes da história que a tua música em mim já vinha escrevendo há algum tempo. Neste momento é diferente. Tu és o agora em tons perfeitos, com a sonoridade do tempo já. E as cores também.&lt;br /&gt;Agora me falas outras línguas, ora suaves ora vibrantes, idiomas secretos bem guardados nas notas que seriam as mesmas, mas tu as transfiguras até ficarem intraduzíveis, compreensíveis apenas nos tecidos mais profundos da epiderme da alma.&lt;br /&gt;(Quantas camadas terá? Alguém saberia dizer?) &lt;br /&gt;Vais fundo, sempre mais, e eu resisto; agüento o fluxo das ondas desse mar de lembranças e certezas, claro que só ele me conhece e só ele sabe quem sou... ou melhor, antes era assim, agora &lt;span style="font-style:italic;"&gt;tu&lt;/span&gt; sabes. E como quem tem asas nas mãos, arrancas as notas do chão, do chapéu, do coração, e eu perdida sobre as teclas do piano, uma montanha russa de sons a atirar-me no espaço, entre o rugir de um leão e o choro de um palhaço...&lt;br /&gt;Vejo-te no agora, em tons de verdade. Transpareces por trás dos sons, um homem capaz de muitas proezas, de sorrir franco e contar histórias, de sonhar e aveludar a noite que chega, e de ouvir, ouvir, ouvir, a desdobrar o tempo sem cautela. Com uma vocação imensa para viver com suas almas em guerra, ser mesmo quem é, subir às estrelas que sempre soube ver, com os olhos fundos e doces do coração. No agora-sempre és inteiro e farto como as veias do teu talento. No peito tem lugar para muita gente, e sempre mais. Sinto-me bem abrigada no lado certo da noite estrelada que me ofereces como um poema, salpicada de tuas aventuras e uns sonhos em bom estado, prontos a usar. E agradeço-te só por existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-3008314261266011195?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/3008314261266011195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=3008314261266011195' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3008314261266011195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3008314261266011195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/palma.html' title='PALMA'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rm75O66QmXI/AAAAAAAAACY/O5Yx7U_HB1I/s72-c/JPCoimbraviolao2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1840997608821300528</id><published>2007-06-09T20:13:00.000-03:00</published><updated>2007-06-10T17:28:54.967-03:00</updated><title type='text'>Ana Maria (Meus personagens, 3)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmxe9K6QmWI/AAAAAAAAACQ/rRX-jIlTHZY/s1600-h/anaticabum2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmxe9K6QmWI/AAAAAAAAACQ/rRX-jIlTHZY/s400/anaticabum2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5074535285133449570" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A Ana é a melhor amiga da Vera.&lt;br /&gt;Só esta credencial bastaria para que eu já a olhasse com olhos de querer gostar.&lt;br /&gt;Mas a Ana é um reservatório de surpresas fantásticas. Parece brava às vezes, mas é só pra esconder uma gaiatice amorosa e inteligente, própria da sua personalidade forte, abrangente. &lt;br /&gt;Como a Vera, gosta de cuidar... mas finge que não cuida. Só finge, de rabo-de-olho.&lt;br /&gt;Quando eu estava por lá, a Ana ganhou um gato. Um bebêzinho ainda dengoso, mal desmamado. Ainda não o conhecíamos, mas numa bela sexta-feira estávamos eu e a Vera na estrada, ela a caminho de Ponte de Lima e eu de carona até Coimbra, quando liga a Ana, a perguntar como devia chamar-se o gato.&lt;br /&gt;Disparei, palmaniacamente: - Jeremias, claro! O fora-da-lei!&lt;br /&gt;Parecia que ela nem tinha gostado. Sucederam-se mil outras sugestões, eu e a Vera praticando o nosso melhor &lt;span style="font-style:italic;"&gt;brainstorming&lt;/span&gt; onomástico: Frederico, Jonas, Custódio, Cristóvão e muitos, muitos mais.&lt;br /&gt;Falamos, desligamos, seguimos viagem, eu esbaforidíssima porque estava atrasada (de novo!) pros meus encontros em Coimbra... Quando a Vera estava por me deixar no hotel, liga de novo a Ana.&lt;br /&gt;- Quer saber? Ficou mesmo Jeremias!&lt;br /&gt;Assim a Ana deu-me o imenso prazer de batizar o gajo, quer dizer, o gato... e a partir de então sinto-me comadre, fazer mesmo o quê?...&lt;br /&gt;A Ana explode de vida (e também em tintas e cores), trabalha o dia inteiro, à noite dá aulas de arte, participa de tudo o que lhe cai à mão, é um verdadeiro furacão de energia e vontade. E é de uma meiguice que ela tenta disfarçar, mas não tem jeito, a gente percebe pelo cheiro até.&lt;br /&gt;Com a Ana ri-se muito, a bandeiras despregadas. Tem prazer na brincadeira, na alegria pura dos amigos. E escuta como ninguém. Abriu-me o coração, o sorriso, o abraço. Com sua bênção senti-me acolhida, integrada, aceita. &lt;br /&gt;E não foi difícil entender por que a Vera - assim como toda a torcida portuguesa! - gosta tanto dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1840997608821300528?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1840997608821300528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1840997608821300528' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1840997608821300528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1840997608821300528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/ana-maria-meus-personagens-3.html' title='Ana Maria (Meus personagens, 3)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmxe9K6QmWI/AAAAAAAAACQ/rRX-jIlTHZY/s72-c/anaticabum2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-243914818016421484</id><published>2007-06-06T08:53:00.000-03:00</published><updated>2007-06-06T17:04:56.788-03:00</updated><title type='text'>Aos copos, aos pratos, à vida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmauo66QmUI/AAAAAAAAACA/Qpwe5FHRx0A/s1600-h/DSC00796.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmauo66QmUI/AAAAAAAAACA/Qpwe5FHRx0A/s320/DSC00796.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072934048311056706" /&gt;&lt;/a&gt;Meu estômago não tem a mínima queixa dessa viagem a Portugal. Jamais ficou vazio, em momento algum foi maltratado e nem teve qualquer dorzinha ou pesadelo que fosse.&lt;br /&gt;Falar bem da cozinha portuguesa já é lugar comum. Até aí, nenhuma novidade; eu e o meu estômago já estávamos acostumados aos pratos que a nossa cultura absorvera, no geral e também dentro da família, entusiasta e simpatizante. &lt;br /&gt;Mas, nos meus amplos e parcos 15 dias na terrinha, jamais comi ou bebi mal. E nem gastei muito, ao contrário de todos os prognósticos.&lt;br /&gt;O primeiro jantar, no dia mesmo em que cheguei, reuniu toda a galera da Vera numa simpática taberna chamada Gran D'Elia, que de leve lembrou-me a Adega do Valentim, boa casa portuguesa com certeza do Rio. Lá, além de curtir a alegre companhia das pessoas, tão carinhosas e receptivas, provei um javali com batatas de fazer inveja ao cozinheiro do Asterix. E vinho, e sobremesa, e cafezinho... Um sonho!&lt;br /&gt;No restaurante do senhor Armando, onde almocei várias vezes com a Vera e o Faria, tinha sempre uma novidade para mim, disfarçada de prato executivo - e todas elas deliciosas. Não faltavam o bom café e o pastel de nata (às vezes pudim, para variar um pouco), e as agradáveis fofocas com os dois, quase sempre inspiradas no que mostrava a TV de plasma.&lt;br /&gt;No Chapitô, um restaurante lindo-lindo que visitei, maravilhada, por duas vezes - a vista de Lisboa é de tontear o coração! - provei um polvo à lagareira dos deuses e, na segunda vez, um chili com arroz que merece a minha reverência. Ah, e foi lá que conheci as proverbiais "imperiais" (o nosso chope no feminino), inclusive uma com limão que recordou-me os áureos "démi-panachés" da minha Paris de 30 anos atrás.&lt;br /&gt;Com o Tiago, que me apresentou ao Chapitô, estive também no pitoresco "Anima-te o Garfo", um misterioso &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bas-fond&lt;/span&gt; todo decorado à anos 60 e repleto de objetos e fotos de cinema. Um charme! Tomamos groselhas, gosto de infância que por aqui não se acha mais, e provamos belas tostas em forma de coração (tostas são as parentes mais próximas do nosso misto-quente, e vêm com recheios variados ao gosto do freguês).&lt;br /&gt;Estranhezas do paladar: os pastéis de nata da mais tradicional confeitaria da cidade, ao lado do Mosteiro dos Jerónimos, não me arrancaram suspiros, para perplexidade da Vera, da Ana e da maioria dos amigos. Bons, sem dúvida, mas sem o esperado caminhar nas nuvens rumo ao jardim das delícias. Será que as doceiras portuguesas que emigraram para o Brasil tinham segredos que os confeiteiros de lá desconhecem?&lt;br /&gt;O Pavilhão Chinês é um caso à parte. O bar povoado de coleções - são milhares de objetos de todo tipo, cor e tamanho, selecionados ora por época, ora por estilo, e espalhados por um sem-número de vitrines, espaços e até salas inteiras - é um adorável túnel do tempo que jamais pode ser completamente percebido, nem que a pessoa se disponha a passar lá dias a fio. Disse-me a Vera que a limpeza das coleções é confiada a apenas duas senhoras, que têm dias certos para limpar cada conjunto. Benditas sejam, e que Deus as guarde, porque deve ser um trabalho insano. Para o visitante, porém, é uma festa! Foi no Pavilhão Chinês que a Vera apresentou-me à popular &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ginginha&lt;/span&gt;, a bebida mais tradicional da cidade, feita à base de cerejas e com cerejas boiantes na garrafa, sempre transferidas ao copo. A ginginha é doce, agradável e única. Mas fico imaginando o que pode acontecer se o sujeito se empolga e  toma muitas...&lt;br /&gt;No Porto quis-porque-quis provar as tripas, o que só consegui mesmo num dos supostos últimos dias (já falei que voltar ao Porto era mesmo um círculo vicioso), no restaurante da dona Helena, perdido numa romântica viela quase a desembocar na Ribeira. Isto porque o dia tradicional das tripas é quinta-feira, e era uma segunda... Mas não faltou o melhor vinho verde, tripas deliciosas com feijão branco e arroz e, de sobremesa, um bom pastel de feijão.&lt;br /&gt;(Das &lt;span style="font-style:italic;"&gt;francesinhas&lt;/span&gt; já falei.)&lt;br /&gt;No Pinhão, bacalhau, bacalhau. De lamber os beiços. E também bacalhau com espinafres (as verduras todas sempre no plural) na Brasileira dos Armazéns do Chiado, ao lado do Faria. Isso sem falar nos inesquecíveis jantares oferecidos pelos amigos (antes da Vera, agora um pouco meus também), que levaram a culinária às raias do inimaginável. A Carla ofereceu-nos uma massa ao molho de camarão de fazer chorarem de emoção as pedras portuguesas do jardim em frente. E o Nuno, um bacalhau português de provocar uma migração em massa de seus colegas da Noruega para mares ainda mais gelados, onde jamais pudessem ser encontrados novamente.&lt;br /&gt;Na volta de Estarreja, tardíssimo na madrugada, chovia no Porto uma chuva fina, esfriante. Tiago, Soraia e eu - famintos, claro - procurávamos sem sucesso um lugar para comer e, às tantas, demos com um barzinho de fim-de-noite, velho conhecido dos dois, que servia &lt;span style="font-style:italic;"&gt;sandes&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; (leia-se sanduíches). Nesse lugar provei meu primeiro sanduíche de chouriço, delirante, delicioso, num pão macio como deviam ser as iguarias saídas dos fornos do Olimpo. Provei o de lingüiça também, mas jamais vou esquecer aquele chouriço, que eles chamam de morcela...&lt;br /&gt;No regresso a Lisboa visitei também o Procópio, um bar tão art-nouveau que me apeteceu pedir uma taça de champanhe. O Tiago, esse descobridor de tesouros que estava ao meu lado, não bebe... Mas mesmo assim brindamos, eu com meu champanhe e ele com sua groselha, à felicidade de estarmos juntos e ali, naquele lindo lugar. &lt;br /&gt;A Vera, sempre bem-disposta e pronta para o que der e vier, carregou-me na última noite para os ventos gelados de Sintra. Tudo o que me lembro são largos degraus de pedra portuguesa, lampiões contra a neblina, um cenário saído de Eça de Queiroz. E a Taverna dos Trovadores que.... (o nome era quilométrico), comprida e funda, as mesas apinhadas, todos a ouvir o casal que cantava, ao violão, as mais várias canções. Tomamos boa cerveja, beliscamos uns amendoins... e a Vera decepcionada, porque o lugar, que seria palco de música tradicional e autêntica, tinha mudado o repertório, agora nada parecido com o que ela desejara oferecer-me. Mas Sintra ficou na memória para futuras explorações, quem sabe de dia e a céu aberto (ou não), e de preferência quando a Quinta da Regaleira for reaberta (hoje está em obras).&lt;br /&gt;O último almoço, de rebentar botões, aconteceu no Tromba-Rija de Lisboa, a dois passos do escritório da Vera e do Faria. A alegre reunião de cinco - Ana Maria, João Paulo, Faria, Vera e eu - transcorreu na mais pura e absoluta comilança. O Tromba-Rija é um restaurante fantástico de comida exclusivamente portuguesa, onde o cliente come e bebe tudo o que quiser e agüentar, a preço fixo. É mais do que aquilo que aqui a gente conhece como rodizio, porque as bebidas também estão incluídas e a pessoa é quem decide o que vai comer. Não tem aquele negócio de garçom passando a toda hora na mesa, uma chatice que interrompe as conversas. &lt;br /&gt;E lá provei de tudo, bebi os amigos, comi o ar de Lisboa, deixei-me levar pela tarde macia, grata por tudo o que tive naquela terra que logo iria deixar. Divertimo-nos muito, rimos à solta, como mostra a foto acima, e comemoramos a vida. À mesa, como convém... sobretudo em Portugal, Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-243914818016421484?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/243914818016421484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=243914818016421484' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/243914818016421484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/243914818016421484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/aos-copos-aos-pratos-aos-vinhos.html' title='Aos copos, aos pratos, à vida'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rmauo66QmUI/AAAAAAAAACA/Qpwe5FHRx0A/s72-c/DSC00796.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-3547642734042626062</id><published>2007-06-05T12:23:00.000-03:00</published><updated>2007-06-06T17:08:44.449-03:00</updated><title type='text'>E o que eu Faria se não fosse este senhor? (Meus personagens, 2)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmWBk66QmTI/AAAAAAAAAB4/ME1Mvqsbwj8/s1600-h/twister32faria.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmWBk66QmTI/AAAAAAAAAB4/ME1Mvqsbwj8/s320/twister32faria.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072603026591619378" /&gt;&lt;/a&gt;O título pergunta e eu já respondo: muito menos. De fato o meu Portugal, sem o Faria, teria muito &lt;span style="font-style:italic;"&gt;menos&lt;/span&gt;...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos música porque ninguém foi mais exuberante (e paciente) nos ritos iniciáticos e caminhos secretos da música portuguesa. Menos alegria porque ninguém teria humor mais ácido, causticante e revelador. Menos iluminura porque ninguém teria tamanha dimensão artística do seu mundo... (e olha que os quadros mesmo, esses eu só vi na tela do computador!). Menos Antropologia porque através de nenhum outro rosto eu enxergaria os profundos e atávicos traços mouros enovelados na história. Menos História porque sem imaginá-lo no passado não poderia reconhecer um contemporâneo de Danton, firme e febril, mangas bufantes e rendas a tornear as mãos e a pena (de ganso, longuíssima, para escrever manifestos). Menos poesia porque ninguém desencavaria os livros nas estantes com tamanha paixão. Menos tesouros porque nenhum outro seria tão romântico no caminhar pelas ruas mais recônditas de Lisboa, a inventariar-lhes e desvendar-lhes os segredos. Menos pincéis e tintas porque sem ele não conheceria a Casa Varela. Menos rock'n'roll porque só o Faria seria capaz de fotografar-me à porta do local que um dia abrigou o JOHNNY GUITAR. E menos aventura porque ninguém, salvo o Faria, seria capaz de fechar o escritório às onze da manhã e arrastar-me com urgência para a Fnac do Chiado só para que eu não passasse mais um dia sequer sem conhecer Leonard Cohen.&lt;br /&gt;Do primeiro encontro no café da Dona Tereza, ao lado da Vera, à despedida na esplanada ao pé do Cinema São Jorge, ao findar-se a tarde do meu último dia, estar com o Faria trouxe-me de novo o gosto do que é essencialmente bom, puro e simples na alma. O seu enorme e comovente talento para ser humano é dessas coisas que fazem de fato a vida valer a pena.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-3547642734042626062?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/3547642734042626062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=3547642734042626062' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3547642734042626062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/3547642734042626062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/e-o-que-eu-faria-se-no-fosse-este.html' title='E o que eu Faria se não fosse este senhor? (Meus personagens, 2)'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmWBk66QmTI/AAAAAAAAAB4/ME1Mvqsbwj8/s72-c/twister32faria.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-8582958269856524344</id><published>2007-06-02T14:33:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:56:40.693-03:00</updated><title type='text'>Enfim... o Douro...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmHFLooBniI/AAAAAAAAABw/NhwgJpgbm4s/s1600-h/Loivos-Miradouro.JPG"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmHFLooBniI/AAAAAAAAABw/NhwgJpgbm4s/s320/Loivos-Miradouro.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071551459070418466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu amigo Tiago Videira, que entende de muitas coisas, vivia a insistir comigo para visitar o Douro. Achava um desperdício alguém ir a Portugal e não ver a vista do miradouro da pequena vila de Casal de Loivos, para onde vai desde pequeno, porque lá mora a sua avó. E queria porque queria que eu fizesse um cruzeiro pelo Rio Douro e passasse pelas várias comportas que habilmente mantêm a prosperidade em torno do rio em alta, e suas águas num patamar confiável.&lt;br /&gt;Do cruzeiro logo desisti, tendo em vista o preço e o fato de eu não dispor de um fim de semana inteiro. Mas comprei a idéia de subir o Douro assim que meu persistente amigo enviou-me um filme que fez especialmente para mandar-me, durante o feriado de Páscoa. Comoveram-me desde logo as imagens da sua avó, Dona Alice, e sua irmã, típicas senhoras portuguesas em sua rotina diária... isso e também a curiosidade pela vista e as vinhas do lugar.&lt;br /&gt;Saí para o Pinhão, a primeira cidade depois do porto do Peso da Régua, num ameno fim de tarde. Passei por muitas cidadezinhas enviesadas, simpáticas e simples no caminho, ainda sem calcular o impacto que teria com a primeira visão do Douro.&lt;br /&gt;O vale aparece quase que de pronto, desavisadamente, ao dobrar de uma curva. É como se se abrissem as cortinas do passado (obrigada, querido Ary Barroso!); montanhas viçosas e seus caminhos cuidadosamente desenhados pelas videiras, como gigantescos penteados verdes à moda africana, trancinhas bem torneadas por quilômetros a perder de vista. E as margens a borbulhar de vida pareciam reproduzir as histórias sobre o Nilo que líamos nos livros do ginasial. Uma leve aragem, à impressão de felicidade coletiva, como se pastores estivessem naquela hora aconchegados em suas casas, o jantar a fumegar no lume, orações na hora do Angelus, noites quentes bem-dormidas e e a alegre espera do dia seguinte por fazer. Tudo naquela hora mágica inspirava poesia, confiança. E eu olhava com olhos de beber da nascente do rio e sua vida garrida.&lt;br /&gt;Cheguei ao Residencial Douro, onde fui muito bem recebida pelo Sr. Luís e sua mãe. Jantei um excelente bacalhau, visitei rapidamente a internet num bar vizinho e &lt;br /&gt;deslocado (parecia um ambiente da Geórgia, incrível) e dormi o sono dos justos até acordar o sol.&lt;br /&gt;E que sol, e que calor no Douro! Senti-me em casa, cheiro de verão a pino. Pela hora do almoço consegui um táxi para visitar a avó do Tiago em Casal de Loivos, o ponto mais alto, onde a única escola foi fechada por falta de alunos (as poucas crianças do lugar estudam no Pinhão e têm transporte assegurado pela Prefeitura). Ah, a doce felicidade dos lugares pequenos! O garboso taxista conhecia a Dona Alice. Bem que o Tiago me disse que não precisava de endereço... "Fui criado com ela", orgulhava-se. &lt;br /&gt;(Vale contar que o taxista já estava comprometido com um senhor para uma viagem... e perguntou a ele se, no caminho, podiam deixar-me em Casal de Loivos. O senhor concordou. No trajeto, deliciei-me em vê-lo falar: não entendia uma só palavra!... Aliás, raríssimas palavras...)&lt;br /&gt;Dona Alice ficou contente com a visita da amiga do Tiago. Levei-lhe uma goiabada cremosa, um pouco de Brasil para experimentar. Muito ágil em seus oitenta anos e vestida de lã em meio ao calor absurdo, fez questão de caminhar comigo até o miradouro (que fica exatamente em frente ao cemitério). Preocupei-me ao vê-la tomar todo aquele sol na cabeça. "Ah, já estou acostumada"... E contou-me que, quando jovem, descia todo o morro a pé para lavar as roupas no rio. "A gente trabalhava muito", lembrou-se sorridente. "Gostávamos muito de ir ao rio, parece que as roupas ficavam bem mais cheirosas"...&lt;br /&gt;Na volta mostrou-me a casa inteira e os lugares "onde o Tiago fica quando vem aqui". Foi muito bom partilhar daquela intimidade guardada, ver as coisas do seu dia a dia, ganhar dois panos de prato com crochê feito por ela. E receber o tímido sorriso de sua irmã, pequenina, bem velhinha, lindas as duas. &lt;br /&gt;Fez-me prometer que voltaria para pousar em sua casa. Essa promessa eu hei de cumprir, Dona Alice.&lt;br /&gt;À saída, além das fotos, mais emoção me esperava: segredou-me uma garrafa muito bem embrulhada. "É do Porto, viu?"&lt;br /&gt;Guardei com cuidado e desci para visitar as vinhas numa das quintas. Dessa vez levou-me a Fátima, mulher do taxista que, na altura, já ia levar uns ingleses ao aeroporto. Não imaginei que fossem tão concorridos os poucos táxis do Pinhão...&lt;br /&gt;Explica-se: a simplicidade da vila abriga o Vintage House, um hotel cinco estrelas feito sob medida para os apreciadores de vinhos, sempre cheio de estrangeiros ávidos por sol e calor.&lt;br /&gt;Na Quinta do Panascal, fiz sozinha o roteiro das vinhas, com um cassete ao ouvido, explicando cada detalhe, e o sol por inteiro. Nunca imaginei que fosse bronzear-me em Portugal, em pleno maio... Percorri com interesse a história das espécies produzidas ali e dos vinhos resultantes, vi os lagares e tonéis. Provei os vinhos, comprei um e retornei bem à hora de tomar o trem (perdão, o comboio) de volta para o Porto, para meus amigos e mais uma noitada agradável no Taipas-i-Feijão, ao som de violões derramando brasilidades e do António a declamar, entusiasmado, trechos de "O Coro dos Cornudos".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-8582958269856524344?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/8582958269856524344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=8582958269856524344' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8582958269856524344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/8582958269856524344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/enfim-o-douro.html' title='Enfim... o Douro...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmHFLooBniI/AAAAAAAAABw/NhwgJpgbm4s/s72-c/Loivos-Miradouro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-2944993389014614629</id><published>2007-06-01T10:04:00.000-03:00</published><updated>2007-06-09T20:47:33.187-03:00</updated><title type='text'>Meus personagens - I</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAgiYoBnhI/AAAAAAAAABo/oxkifH7RY2Q/s1600-h/vera2corte.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAgiYoBnhI/AAAAAAAAABo/oxkifH7RY2Q/s200/vera2corte.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5071088955517148690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E as gentes que essa viagem me trouxe? Preciso, preciso falar delas.&lt;br /&gt;Cada personagem é em si um caminho novo, um pote de ouro bem ao alcance de quem souber tocá-lo com os dedos certos. E aí ele vira música, livro, sonho, cinema... Vira o que a alma dele, ao lado da sua, quiser virar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o meu Portugal recente foi realmente pródigo em pessoas maravilhosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;"&gt;Vera&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha vida desde 1978, essa pequena passou os últimos 24 anos em algum lugar da minha alma, muitíssimo bem guardada. Nos tempos da faculdade, na vida adolescente de grana curta e sonhos compridíssimos, vivíamos a costurar castelos. Eu já trabalhava, já era - para usar uma expressão antiga - arrimo de família e já completara 26 anos, quando passei no vestibular pra jornalismo, deixando para trás um passado duvidoso em Administração de Empresas. Vera, três anos mais nova, transgressora e intrépida, era um belo contraponto: muito mais pé-no-chão e descolada do que eu, tricotava logo os meus laivos românticos e os transformava em alguma coisa prática, útil, relevante.&lt;br /&gt;Filha de portugueses, quando decidiu emigrar passou por maus bocados. E nós, eu e outros amigos, a tentar ajudar por carta, a tentar resgatá-la de volta. Como, se nem todos os nossos salários juntos davam para pagar a prestação da passagem? Aos poucos, porém, as coisas foram melhorando e as notícias de além-mar também. E mesmo nesses anos de pouco contato, a história permanecia lá, intocada, fresca como a tinta - azul - das cartas que esparsamente trocávamos.&lt;br /&gt;Em junho passado a miúda descobre-me na internet... e todos os sonhos voltam. Foram muitos emails até eu não resistir e telefonar, ainda que só para ouvir-lhe a gargalhada.&lt;br /&gt;Daí para a viagem foram poucos meses. As facilidades da tecnologia começam a não bastar, e a gente quer mesmo ver, pegar, conversar, conferir, olhar.&lt;br /&gt;Sou de opinião que cada amigo tem um lado da nossa alma.  Sim, e as almas têm tantos lados quantos forem os nossos amigos da vida inteira. Não quero me deter no lado prático, geométrico, da configuração espacial da alma, isso tudo é só pra dizer que a Vera é dona absoluta de um dos lados da minha.&lt;br /&gt;Nessa viagem tivemos momentos de tal inteireza que é como se nunca nos tivéssemos separado. Cada pequena rotina que criamos era tão natural e ao mesmo tempo tão valiosa como se fosse durar para sempre, como se resistisse incólume à ação do tempo.&lt;br /&gt;Porque o tempo, entre amigos desse quilate, pouco representa.&lt;br /&gt;Vera é uma mulher de coragem, segura a vida pelos chifres, empreende suas histórias, toca os amigos no ponto certo. E o tempo lhe aguçou a sabedoria, deu ao seu inconformismo tons muito profundos e também certeiros, produtivos. A sua luz é constante, a orientar sem ferir-nos os olhos.&lt;br /&gt;A Vera de volta é o grande presente da minha viagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-2944993389014614629?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/2944993389014614629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=2944993389014614629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/2944993389014614629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/2944993389014614629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/06/meus-personagens-i.html' title='Meus personagens - I'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RmAgiYoBnhI/AAAAAAAAABo/oxkifH7RY2Q/s72-c/vera2corte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-6915556620732292945</id><published>2007-05-27T13:50:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:51:44.667-03:00</updated><title type='text'>Comboios, camionetas...</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rl8yO4oBncI/AAAAAAAAABA/Z32y8Bweb7k/s1600-h/fatimarotundapastores.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 380px; height: 283px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rl8yO4oBncI/AAAAAAAAABA/Z32y8Bweb7k/s320/fatimarotundapastores.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5070826936742288834" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quem nasce falando português é sem dúvida um privilegiado. Tem nas mãos todos os sons e fonemas, todos os duplos e triplos sentidos... e pode usar o idioma de formas completamente diferentes, dependendo dos usos e costumes de cada lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho do idioma é uma viagem paralela com a qual me delicio não é de hoje, e grande parte das vezes ao lado de um querido amigo português. Comprazemo-nos, aliás, em embirrar com cada mínimo detalhe, para depois nos rirmos muito. Aliás, todas as bobagens que falamos acabam nos levando até dicionários, definições, contextualizações... e, de risada em risada, acabamos por melhorar nossa cultura lusófona, ainda que por efeito colateral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Portugal não se diz  trem, e sim comboio. Até aí tudo bem, ambas as palavras constam do dicionário com o mesmo sentido. Ônibus? Lá tal item não existe. Os que circulam dentro das cidades são os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;autocarros&lt;/span&gt;; já os intermunicipais ou de turismo são &lt;span style="font-style: italic;"&gt;camionetas&lt;/span&gt;.  Imagino um brasileiro desavisado, recém-chegado, a quem mandam pegar a "caminhoneta"; vai ficar parado a vida inteira no ponto de ônibus esperando uma van que nunca chega!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me entendi bem com os comboios. Sim, são confortáveis, ágeis, excelentes. Difíceis são as regras para utilizá-los. É bem verdade que perdi dois por centésimos de segundo, e é possível que me venham dizer que os brasileiros costumam atrasar-se. Mas e a dificuldade para encontrar as plataformas? No bilhete não vem escrito; é preciso ir até Informações para perguntar. E não se iludam, encontrei muitos portugueses em filas pelo mesmo motivo.  A questão, portanto, não se circunscreve a estrangeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu conselho a quem viajar de comboio em Portugal é não comprar o bilhete com antecedência.  Sim, porque se houver qualquer problema, vai ser difícil resolver. O melhor mesmo é chegar à estação no mínimo meia hora antes e comprar no ato.  Comprei pela internet bilhetes de ida e volta Lisboa-Coimbra-Lisboa.  Imprimi-os e havia uma frase dizendo: reembolsáveis/revalidáveis.  Ótimo, pensei; assim posso mudar de horário à-vontade. Ledo, ledíssimo engano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei atrasada para a viagem de ida e fui verificar se podia embarcar no comboio seguinte. A funcionária do guichê encaminhou-me para o responsável na estação. Quando fui explicar, tive de ouvir o agente ler, pelo menos umas oito vezes - acredite quem quiser! - que só podia alterar se chegasse com meia hora de antecedência em relação ao horário de partida. E o senhor parecia ter prazer em repetir, infinitamente, que "valia o que estava escrito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Coimbra, dia já amanhecendo, escaldada que estava, decidi mudar o horário da volta para Lisboa e procurei a estação ferroviária com quatro horas de antecedência. Ao chegar ao guichê, surpresa: o funcionário informou que teria de pagar 4 euros para transferir o bilhete! Calejada de ouvir as regras escritas oito vezes, aleguei que aquilo não estava escrito. E qual foi a resposta? "Nem todas as regras da companhia estão escritas, mas existem..." Durma lá com um barulho desses! Desconsiderei a mudança e, por causa disso, olhei enamorada e longamente para a deliciosa cama que me esperava no Residencial Botánico, como se fosse o mais cobiçado objeto do desejo... mas tive de esquecê-la, se quisesse embarcar no comboio. E assim perdi algumas horas de sono que jamais recuperarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, o que é dormir quando se viaja pelos caminhos de sonho dum imenso Portugal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo, 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima... e eu a tentar sair do Porto, como já parecia rotina. Queria chegar a Lisboa pelas três e meia da tarde, para assitir ao ballet "Pedro e Inês", no Teatro Camões, bem próximo da Estação Oriente, onde desembarcaria.  De comboio logo desisti, pois chegaria mesmo à hora do espetáculo. Então resolvi tentar o ônibus, ou melhor, a camioneta, que saía uma hora antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo estava perfeito até o motorista dizer que teria de entrar em Fátima para pegar mais passageiros. Preocupei-me ligeiramente, mas acreditei na minha sorte; não há de ser nada, pensei.  Outro ledo engano: ficamos três horas parados numa fila de veículos que não chegava a 300 metros.  Meu amigo português, aquele mesmo do idioma, ria-se em mil torpedos para o celular: só uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;brazuca&lt;/span&gt; (imagina, é assim que eles nos chamam, e ainda por cima com "z"! O que não diria o querido Antonio Adolfo, criador do divino grupo musical "Brasuca", nos idos de 68???) usaria uma camioneta nesse dia!... "O Manuel e a Maria iriam de comboio..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentei que havia dezenas de Manuéis e Marias no ônibus, mas o indivíduo não se deu por achado. "Todos imigrantes do Brasil, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;de certeza&lt;/span&gt;..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dessa, joguei a toalha... e pensei, ora, afinal, estou de férias. Não vou me estressar com isso. Mas quando descobri o motivo da longa, longa espera, não acreditei! Não havia uma imensidão de veículos a deixar a cidade; tudo se dera por obra e graça da Guarda Nacional Republicana, que resolveu controlar o trânsito - e não liberava ninguém para a estrada vicinal que logo nos livraria daquilo.  O resultado foram oito horas de viagem, em vez das esperadas três e meia, Pedro e Inês perdidos e algum cansaço. Mas minha sorte não me abandonou de todo, pois nesse longo esperar descobri o Luís, o cavalheiro sentado ao meu lado, que me proporcionou algumas horas de bom papo e gostosas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um passageiro inconformado foi o responsável pelo momento mais engraçado da viagem: na hora que descobrimos a confusão, alguns carros tentaram ultrapassar o nosso ônibus. E ele, indignadíssimo, arremeteu contra o motorista: "O senhor não deixe passar ninguém! Se deixar, eu tomo-lhe o volante!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Portugal, Portugal...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-6915556620732292945?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/6915556620732292945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=6915556620732292945' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6915556620732292945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/6915556620732292945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/05/comboios-caminhonetas.html' title='Comboios, camionetas...'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/Rl8yO4oBncI/AAAAAAAAABA/Z32y8Bweb7k/s72-c/fatimarotundapastores.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-7216585212442402843</id><published>2007-05-26T14:49:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:39:44.001-03:00</updated><title type='text'>Porto, Porto</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RljXjcUEg9I/AAAAAAAAAA4/2Qirz6k1nac/s1600-h/avdosaliados.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 415px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RljXjcUEg9I/AAAAAAAAAA4/2Qirz6k1nac/s320/avdosaliados.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5069038384501261266" border="0"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;font style="font-style: italic;" face="Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif" size="1"&gt;Estava a ver que nunca mais conseguia sair do Porto&lt;br /&gt;Tanta gente porreira a meu lado&lt;br /&gt;Quase me fez esquecer&lt;br /&gt;Que tinha mais que fazer&lt;br /&gt;(Jorge Palma, &lt;font style="font-weight: bold;"&gt;Até eu Voltar&lt;/font&gt;)&lt;/font&gt;&lt;font style="" face="Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font size="3"&gt;&lt;br /&gt;Não tenho culpa se o Jorge Palma tem sempre algo sob medida, como essa canção aí em cima, pra dar cor à trilha sonora recentemente portuguesa da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, sair do Porto - e o fiz por três vezes! - parecia-me sempre impossível. O encontro com a cidade - devo-te essa, Tiago Branco! - foi de amor à primeira vista. De cara apaixonaram-me as vielas escuras, contidas, guardadas. Sim, guardadas como tesouros. O namoro começou mesmo nas escadas do Grande Hotel de Paris, escolhido na internet pela fachada, mas repleto de histórias e charme... Eça de Queiroz hospedou-se lá, Machado de Assis também... O outrora hotel de luxo é hoje um duas estrelas, mas nada tira o prazer de observar suas belas escadas com tapetes vermelhos, os bronzes polidos, de adentrar o salão de café conservado nos mínimos detalhes... Dali, para perder-se de amores, não precisa muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei um nada até a Torre da Igreja dos Clérigos, de onde se avista toda a cidade. Isso, claro, após subir 225 degraus em estreitos corredores. Encarei, aos bufos, parando eventualmente para um rápido recobro. Mas valeu toda a falta de ar: a beleza do antigo e do verde juntos é de estarrecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Porto é especial por muitas razões, mas para mim foi um prazer incomparável observar lojas que conservam-se iguais há mais de cem anos, e pensar que há gente que nunca deixa morrer os hábitos que fazem a alma de um lugar. O Armazém dos Linhos, as Carmelitas... A Brasileira, sim, que lá também tem, o Café Majestic, o Café Guarany (reaberto recentemente no mesmo lugar)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Livraria Lello, esta sim, roubou-me mais fôlego do que a subida aos Clérigos. Foi minha porta do tempo. Diante das paredes cuidadosamente esculpidas em madeira, da escada que se abre, depois fecha-se e volta a abrir-se, recoberta de linóleo vermelho, e o teto em rosáceas, os livros a sorrir, bonachões, assentados sobre séculos, o máximo que consegui fazer foi atirar-me a uma cadeira e deixar-me ficar, a não entender, a pouco acreditar naquela beleza toda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei comigo, além do coração cheio, uma pequena e dorida Florbela Espanca. Na bolsa plástica moderna estampada de passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto do Museu Serralves e suas dicotomias, jardins imperiais e iconoclastas imperiosos, Porto das &lt;/font&gt;&lt;font style="font-style: italic;" size="3"&gt;francesinhas&lt;/font&gt;&lt;font size="3"&gt; enormes, impossíveis para um só ser humano... Provei na Versos na Pedra, uma casa simpática na Ribeira onde os clientes, imagina, escrevem de fato versos em mini-lousas que são penduradas à parede... (e claro que deixei lá o meu!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif" size="3"&gt;Em tempo: francesinhas são vastos sanduíches frios feitos com pão-de-forma e recheios vários, recobertos com queijo e um molho especialíssimo, que so há mesmo no Porto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;font face="Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif" size="3"&gt;O mais engraçado é que as francesinhas infantis, menores, só são vendidas a crianças. Não adianta argumentar: mas meu senhor, isto é muito grande, eu não agüento comer! Só mesmo crianças. Para minha sorte existe a feminina, que é metade da normal e, obviamente, só pode ser vendida a senhoras... Homens de pouco apetite, afastai-vos desse lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porto da Junta Comercial e seu salão árabe, o-mais-contos-de-fadas-que-já-vi-na-vida, dos azulejos da Estação de São Bento, dos jovens universitários metidos em lindos trajes pretos do século 19, das aléias e ladeiras, ladeiras sem fim... Do Taipas-i-Feijão, o restaurante mais sui-generis do mundo, regido pelo intrépido Antonio, poeta e boémio, e sua mulher que compõe maravilhas à mesa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas já chega de tanta paixão. Até o Tiago e a Soraia, os queridos amigos que me deram de presente um pouco da sua cidade, já devem estar fartos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica pra um próximo capítulo, pois com certeza há mais Porto dentro de mim do que sonha a minha vã filosofia nesse momento.&lt;/font&gt;&lt;font style="font-style: italic;" face="Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif" size="2"&gt;&lt;font style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-7216585212442402843?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/7216585212442402843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=7216585212442402843' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7216585212442402843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/7216585212442402843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/05/porto-porto.html' title='Porto, Porto'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RljXjcUEg9I/AAAAAAAAAA4/2Qirz6k1nac/s72-c/avdosaliados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-1952985223739188009</id><published>2007-05-23T12:59:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:29:20.106-03:00</updated><title type='text'>Rumo ao Norte</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRzmcUEg8I/AAAAAAAAAAw/rGmRMjtwrUk/s1600-h/JPEazulcontraluzlinda.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067802584971248578" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="207" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRzmcUEg8I/AAAAAAAAAAw/rGmRMjtwrUk/s320/JPEazulcontraluzlinda.JPG" width="303" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Há que esclarecer: planejei, sim, uma viagem tortuosa. Que me trouxe beleza e inesperadas luzes, mas que foi tortuosa, foi. Mas isso se deve, essencialmente, a algumas motivações.&lt;br /&gt;Desde junho de 2006 que Portugal andava a rondar-me a alma.&lt;br /&gt;Primeiro foi a visita dos amigos da Companhia de Dança de Aveiro, conhecidos desde 2003, que consegui levar à minha cidade de Barra Mansa.&lt;br /&gt;Depois foi a Vera que me "achou" na Internet.&lt;br /&gt;Depois foram as afinidades crescentes com o Paulo Manso, o fabuloso coreógrafo da companhia.&lt;br /&gt;E depois... Jorge Palma.&lt;br /&gt;Ao ouvi-lo pela primeira vez, fez-se estranho silêncio dentro de mim. Algo parecido com o que me lembra esse trecho de Rosa dos Ventos, do nosso Chico Buarque:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E do amor gritou-se o escândalo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Do medo criou-se o trágico&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No rosto pintou-se o pálido&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E não rolou uma lágrima&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nem uma lástima&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra socorrer...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não tinha jeito, e eu sabia. Estava perdida pra sempre. E tornou-se urgente ouvi-lo, fazer a mais tosca tentativa de entender o que se passava. Alguém tão longe a compor e cantar aquelas maravilhas, que não só me cabiam perfeitamente no espírito como também caberiam em qualquer tempo e lugar?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A partir daí, despi qualquer réstia de preconceito e passei a examinar Portugal através da música, a surpreender-me a cada instante com a profusão de talentos e modernidade acontecendo em toda a parte.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas Jorge Palma, este em particular, parece-me o mais contemporâneo de todos, um dos poucos talvez que avançou com segurança para um patamar mais universalista da música, num exercício sofisticado de melodia e poesia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Descobri-lo fez-me pensar que ele bem poderia ter "existido" aqui, em sua carreira de mais de 30 anos - por que não acontecer no Brasil todos esses anos, ao lado dos grandes da nossa MPB?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E é bom que se fale: além da música tradicional, específica (e linda, sim, por que não?) - o fado, o vira e outras manifestações - o que se sabe no Brasil do panorama musical de Portugal? Tudo bem, uma piadinha de português ou outra faz parte da nossa cultura, mas por que não nos abrirmos a conhecer o que de melhor se faz por lá? Ao contrário do que muitos pensam, o ambiente musical é diversificado, colorido, aberto... e cheio de riquezas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas estamos falando de Jorge Palma, essa coisa máxima, imensa, maior. Muito distante da maioria dos outros, muitos deles com um trabalho de qualidade, outros nem por isso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E foi mesmo por ele que resolvi fazer as malas: já não me bastava ouvir, tinha de ver, apreciar as facetas desse artista "da estrada", como ele próprio se define.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E por isso comecei Portugal pelo Norte, visitando as cidades de Santa Maria da Feira, Coimbra e Estarreja quase de passagem, para estar em seus concertos. E, como a primeira e a última ficam coladas ao Porto, descobri de verdade essa jóia da coroa portuguesa. E, de quebra, um pouco vale do Douro, berço dos vinhos do Porto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas isso já é história pra outro capítulo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-1952985223739188009?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/1952985223739188009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=1952985223739188009' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1952985223739188009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/1952985223739188009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/05/rumo-ao-norte.html' title='Rumo ao Norte'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRzmcUEg8I/AAAAAAAAAAw/rGmRMjtwrUk/s72-c/JPEazulcontraluzlinda.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-4952057868269390261</id><published>2007-05-23T09:17:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:22:33.611-03:00</updated><title type='text'>Rituais (e amigos) de Lisboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRhscUEg7I/AAAAAAAAAAo/MvKEpL25DgI/s1600-h/twister13fariajpveranunolindafoto.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5067782896841163698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" height="213" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRhscUEg7I/AAAAAAAAAAo/MvKEpL25DgI/s320/twister13fariajpveranunolindafoto.JPG" width="258" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A cidade espreguiça-se longamente sobre as horas matinais. E não é veloz, mas feminina; estica-se sem pressa, talvez por saber-se dona de um tempo sem tempo. Essa modernidade doentia que costuma transformar as pessoas em seres cibernéticos, ligados no piloto automático, não a parece contaminar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Às oito da matina, quando cheguei ao hotel onde supostamente iria ficar, deixei as malas e logo fui reconhecer o terreno mais próximo. Da linda praça dos Restauradores, ainda não lhe adivinhava o tamanho ou os segredos. Atravessei, com o tempo claro que me recebia bem - sem o esperado frio - e espreitei os correios, para comprar cartões telefônicos. Pessoas gentis e bonitas reconheceram-me a brasileirice automaticamente e dispuseram-se a ensinar como utilizá-los. - Este aqui fala para o Brasil, este para Portugal. Mas não os meta no telefone! Leia as instruções e marque os números.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aliás, como usam o verbo meter! Metem gasolina, metem-se nas cabines, metem cartões nos telefones públicos... &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Utilizar os tais cartões é uma operação complexa, que é preciso aprender com toda reverência e atenção. Há um primeiro número de 9 algarismos que deve ser digitado; logo abaixo há outro, coberto por uma superfície que se assemelha às nossas raspadinhas. Raspa-se este segundo número e, após digitar o primeiro e ouvir a telefonista dizer - Marque o número do seu cartão! - digita-se o segundo. Depois disso ela volta, informa o seu saldo e lhe diz para marcar o número de destino. Aí então você fala com quem quer mesmo falar. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A grande vantagem é mesmo o preço: um cartão de 5 euros dura uma eternidade em telefonemas para casa. E o cartão normal, para dentro do país, também dura muito.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois dessa ciência toda e de ter reencontrado a Vera, parti para conhecer o seu mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A mocinha serelepe e determinada que fora minha companheira das aventuras e desventuras da faculdade de Jornalismo ali estava, com o mesmo coração gargalhante e o mesmo espírito de conquistar o mundo. Agora tem o seu próprio negócio, um charmoso escritório de design gráfico de nome tão revolucionário quanto ela: Golpe de Estado. Em instantes conheci o Faria, seu sócio, uma das personalidades mais fascinantes e inesperadas dessa viagem. Amigos, talentosos, instintivos, próximos a ponto de um ouvir e reconhecer, na respiração do outro, os mais diversos estados de espírito, esses dois foram o meu abrigo sincero, o cobertor no ombro contra o frio da isolada caverna, ao pé do lume, a contar estrelas e fazer com elas uma tiara que me protegeria contra tudo e contra todos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Logo à noite fui cercada dos outros amigos, um clã que se entrelaça e forma a melhor rede para se pescarem bons sonhos. Nessa primeira noite, quando a Ana Maria inaugurava uma exposição de pintura e escultura num salão da Justiça, estávamos quase todos à mesa, a comer régia e portuguesamente e a comemorar, simplesmente, o existir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;(Devo esclarecer que o hotel desapareceu na bruma. Em toda a minha simplicidade de hábitos, não consegui subir 20 degraus com minha pesada mala pra duas semanas de Europa, nem tomar um banho ao perceber que o misturador do chuveiro não funcionava e que sequer havia uma tampa para o ralo da banheira. Vera resgatou-me antes que eu pudesse desgostar e abriu-me o coração da sua vida, que merece um capítulo à parte).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em minha primeira madrugada já andava eu em bando, a rir pelas ruas de Lisboa, a vê-los alterar o cardápio escrito a giz na lousa da porta do restaurante, às gargalhadas, como meninos reformando a madrugada. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já tinha o cheiro da cidade e os braços das pessoas a velar-me o sono que chegaria a seguir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-4952057868269390261?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/feeds/4952057868269390261/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1165846884051574728&amp;postID=4952057868269390261' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4952057868269390261'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/4952057868269390261'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/05/rituais-da-manh-de-lisboa.html' title='Rituais (e amigos) de Lisboa'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlRhscUEg7I/AAAAAAAAAAo/MvKEpL25DgI/s72-c/twister13fariajpveranunolindafoto.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1165846884051574728.post-60967105466964078</id><published>2007-05-20T11:20:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T13:17:56.767-03:00</updated><title type='text'>Primeiro, a descolagem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlC7O8UEg6I/AAAAAAAAAAg/YHUT_rViEA0/s1600-h/bandeira-portugal.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 129px; height: 85px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlC7O8UEg6I/AAAAAAAAAAg/YHUT_rViEA0/s320/bandeira-portugal.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5066755446174679970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três de maio, três da tarde, eu a vencer afobadamente os espaços entre os terminais 1 e 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Havia ainda uma guerra contra o relógio a ganhar, em minutos, antes de entrar no meu primeiro avião da TAP, rumo ao primeiro Portugal da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tão perto, tudo ainda parecia-me infinitamente longe;  dois dias antes o meu celular apagara-se irremediavelmente e, na véspera, a caixa de emails esvaziou-se por obra e graça dalgum encanto ou feitiço. E, nos vinte minutos que me separavam do embarque, tudo o que fazia era correr, correr, correr pelas esteiras rolantes até o Banco do Brasil, no outro terminal, para comprar os euros em tempo recorde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, a fila da imigração, a sala de embarque e, enfim, o vôo 178 para Lisboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei meu lugar e deixei-me levar pelos sotaques, sabores e cheiros que exalavam do ambiente, aconchegada àquele quê de além-mar.  Ao meu lado estava Malu, que conheci na hora: ia visitar a irmã perto de Sintra e depois seguiria para uns dias na Itália. Mas naquele fim de tarde com jeito de noite, eu só pensava mesmo em Portugal, Portugal, que antes nunca me arriscara a conhecer, mas já tinha agora algumas razões para amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme com as instruções de segurança arrancou-me os primeiros sorrisos de malícia: convidavam-nos a nos preparar para a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;descolagem&lt;/span&gt;. Há que aprender, sempre: aviões portugueses&lt;span style="font-style: italic;"&gt; descolam&lt;/span&gt;, não decolam. Fiquei a imaginar o piso a separar-se do resto da fuselagem e nós lá, atados às poltronas, a pairar na pista... e mais uma vez convenci-me de que a unificação do nosso amado idioma é de fato uma utopia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após os primeiros sonhos em céus novos, levantei-me com a aurora e caminhei pelos corredores. O sorriso do comissário, bem-apessoado e sedutor, abriu-me uma fresta: - Logo a senhora vai cheirar Lisboa! E compreendi que era mesmo esse cheiro que pressentia, a inundar-me a alma, os passos cautelosos sobre as pedras iguaizinhas às que foram trazidas para cobrir o Rio de Janeiro e tantas outras cidades brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo ganhei a rua com meu carrinho de malas, até o táxi e o hotel. Cheguei muito cedo para uma cidade que, ainda tonta de sono, não se levanta antes das nove horas. Mesmo assim caminhei pela Praça dos Restauradores, fui até os correios, comprei meus primeiros cartões telefônicos, fartos mistérios povoados de números que aos poucos aprendi a decifrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá, como aqui, há orelhões que não funcionam, instruções que não se confirmam, jeitinhos que é preciso dominar. Só na estação do Metro (lá é metro mesmo, não metrô) é que consegui ouvir a voz da Vera, que apressou-se em buscar-me, toda lépida e independente em seu Peugeot cor de prata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um abraço como poucos, do tamanho dos anos que aparentemente nos separaram até então. Uma vida guardada e agora partilhada. Corta-me lembrar daquela alegria tão limpa, desdobrada como a melhor toalha do enxoval, diante da mesa do primeiro Natal da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então seguimos molecas, camaradas. Foi a senha amorosa para que Portugal começasse a abrir-se de par em par, a acertar o passo e as cores dos dias por chegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1165846884051574728-60967105466964078?l=gentedemuitacoragem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/60967105466964078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1165846884051574728/posts/default/60967105466964078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gentedemuitacoragem.blogspot.com/2007/05/primeiro-descolagem.html' title='Primeiro, a descolagem'/><author><name>Maurette</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04429987849766579397</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://4.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/SskR9mz2ZzI/AAAAAAAAAt8/csgLuxQ8BzU/S220/DSC04311.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_8zJ5ogc8Iv0/RlC7O8UEg6I/AAAAAAAAAAg/YHUT_rViEA0/s72-c/bandeira-portugal.gif' height='72' width='72'/></entry></feed>
